23 de novembro de 2009

Notas de um fim de semana

Eu costumo ser detalhista sobre meus fins de semana fora do comum igreja-lanchonete, mas hoje, eu vou falar algo diferente. 

Aqui, dentro do meu trabalho, faz um frio lamentável. O Horrível ar condicionado congela a muitos, refresca a outros e é razão de ofensas não declaradas e egoísmo implícito. Voltar aqui, hoje, é como um soco durante um sonho que já estava no final. 

Tudo correu muito bem no meu fim de semana. Sim, excepcionalmente bem. Descobri que tenho mais amigos que eu pensava, mais pessoas que gostam de minha namorada do que eu imaginava. Isso me dá fôlego pra suportar a torcida contra, o tempo ruim, o falatório desnecessário, as cobranças indevidas. Ao rir, eu me sentia vingado de todos os problemas e pessoas que os causaram, como se cada risada lhes causasse dor. E como se cada gargalhada junto com minha moça soasse como afronta. 

É difícil saber que os lugares onde poderia vir apoio vem alçapões, e onde deveria haver luz há um trem sem freios. Mas é interessante descobrir as fontes que jorram água de qualidade excepcional escondidos nos recônditos mais inesperados. Assim, eu creio, que Deus mostra quem Ele é. Apesar do caos instaurado, Ele reina, e seu trono não é uma privada. 

Percebo que as dificuldades e contrariedades podem ter dois usos: razões para desistência ou demonstrações de caminho correto. O que é mais fácil nem sempre é o certo, e o que parece errado nem sempre o é sob outros olhares. Ying-Yang? Não. Mas ao notar que pessoas que enxergam a vida em preto e branco, sem se importar com as tonalidades, escolhas, conseqüências, passados, razões e afins, trnasformam tudo o que tocam em pedras e abrolhos, sem conseguir ver nada além do que seus óculos míopes permitem. 

Somos o que escolhemos ser e isso é fato. Podemos, como prega a psicologia atual, colocar a culpa de nossos fracassos em nossos pais, em nossos genes, usando a vitimização e a neurociência pra isso, e nos eximirmos das culpas que nos cabem. Jogar as razões de escolhas erradas sobre os outros é fácil, e encontrar expiação em quem não pode se defender por não estar mais lá, ou por não mais se importar, é ser covarde. Sim, pais tem influência, mas há a escolha: se deixar ser como eles, ou ser melhor do que eles, e acertar onde erraram, melhorar onde acertaram e construir um legado ainda maior que o que lhe será deixado. 

Saber enxergar o que há por trás de tantas coisas que existem, ações e palavras, ameaças e desejos, é algo que exige tempo e exige paciência. Ambas coisas que poucos têm e menos ainda utilizam, e menos ainda o afiam. 

Nada vai me tirar o prazer deste fim de semana. Nem a cara feia, nem a má vontade, nem a ameaça. O futuro a Deus pertence, e com Ele está em melhores mãos. Eu acredito que Aquele a quem sigo sabe o que está fazendo, e não vai me deixar. Eu sei que Ele preparou este fim de semana tão bom e tão perfeito. Esquecer um detalhe ou outro são inerentes de uma pessoa comum. Seja como for, é nisso que eu acredito.

3 de novembro de 2009

Nerds

Hoje, fui á contragosto pra uma reunião. Tudo bem, quase todas as reuniões que vou são á contragosto. Mas hoje, ue tive uma epifania, ou quase isso. 

Antes de falar da reunião, vou explicar: sou nerd convicto. Gosto de tecnologia, de internet, computadores e celulares. Mas também sou fissurado em carros e motos. Não morro de amores por seriados - só que um mal assisto, Lie to Me - tanto que meus amigos mal se agüentam por Lost ou That '70s Show e coisas assim, e eu não dou a mínima. Gosto de videogame mas não troco os beijos de minha namorada por um God of War. 

Sou nerd sim. Mas consciente. 

Ao entrar na reunião, me senti um personagem do Dilbert, onde ele se mete em situações bizarras dentro de uma grande corporação. Reuniões intermináveis sobre assuntos inúteis ou então louvando algum diretor. No meu caso, fui chamado pra participar de uma coisa assim. 

Querem fazer uma filmagem, usando pessoas DA EMPRESA pra figurarem situações de trabalho, inserindo um teor cômico. Primeiro: eu não vou expor minha cara num evento prum monte de gente de graça. Faço pra amigos, pra diversão. Mas pra gastar meu tempo de trabalho num mico do tamanho do Pará, nem que cocô virasse brigadeiro. Segundo: vou ocupar tempo ocioso do meu trabalho pra cumprir com um capricho desses? Na real: vou levar trabalho não remunerado e dispendioso pra casa pra usar o MEU computador no MEU tempo livre. Eu deixo de ser uma matrícula pra ser PV de novo quando dá 6 da tarde. Nem ferrando. 

Não obstante, duas figuras icônicas. Dois homens, acima dos 25 anos, ou chegando lá muito em breve. Não darei descrições físicas, mas eles estavam empolgados para fazer esse filme, encenar uma ridicularia em prol da empresa. Vem cá, sério, acabamos de sair de um fim de semana; o que fizeram nele que faz uma pagação de mico empresarial tão empolgante e divertida? Estrangeirismos aos montes a cada 6 palavras, adereços fora de idade, aparência sem nenhum cuidado, "a mãe deve ter comprado"... E ali, naquele meio, deslocado e me perguntado "porque eu?", a minha pessoa. 

Ao ver essa situação, numa reunião que duraria 1 hora ou mais, saí. Dei uma desculpa verdadeira e me mandei, pra nunca mais voltar. Se vai ficar legal ou não, não sei, não quero saber. Quando uma pessoa abdica de sua vida pra se envolver em projetos sem noção apenas pra animar uma reunião oficial, alguma coisa está errada. MUITO errada. 

Meus amigos são nerds, mas um namora e o outro, apesar se não saber combinar as roupas, é um cara consciente de que há mais coisas que trabalho. MAIS VIDA, POR FAVOR!!! Chega dessas coisas de "sangue pela empresa" pois isso só te faz mal. A empresa vai te mandar embora assim que for preciso, não importa o quanto você se deu por ela. 

Agradeci imensamente ao meu Deus por ontem: lavei o carro do meu pai, comi um bom churrasco, namorei, fiz um bolo, brinquei com meu quase-filho, e ainda fui a uma festa de aniversário surpresa. Terminei meu dia com um lânguido e delicioso beijo de minha moça, e fui dormir feliz da vida. VIDA. Coisa que algumas pessoas não têm porque acham um PlayStation mais interessante que risadas, um computador mais sedutor que uma mulher, um emprego mais valioso que amigos. 

Hoje, dia três de novembro de 2009, eu agradeci imensamente por não ser como aqueles caras..