15 de setembro de 2009

Awake - Parte 6

Sentado, diante da janela do hospital, o pai bebia um capuccino. Era um vago e pequeno momento de descanço, onde se permitia em nada pensar, apenas olhar o céu cinzento escurecendo, um dia típico de primavera. Após esse breve descanço sob a luz do ocaso, voltou á luz artifical da sala, onde começou a pensar:
"Pelo que foi descrito, era um moleque num carro de rico. Nem adianta procurar, porque o pai vai tirar o menino da prisão, vai rir da minha cara e o tratamento nada lhe vai custar, e o pior: pode até suspender o tratamento, deixar meu filho morrer e o processo vai durar anos e anos. Que droga. Meu filho quase morto e eu nada posso fazer."

No elevador, a namorada é gentil e aperta o andar o qual uma velhinha simpática pediu-lhe favor. A velhinha notou o semblante atônito e perturbado da moça e perguntou o que houve. Como fazia um tempom que não conversava com ninguém, contou-lhe do rapaz, do atropelamento, e do cheque. A velhinha sorriu.
 - Seu namorado vai voltar.
 - Como pode saber? A senhora não sabe...
 - ...eu sei.
E a porta abriu. A porta ainda permitiu que a namorada visse essa velhinha entrando numa sala á esquerda, perto do elevador. Incomodada, e ainda sem resposta, desceu no andar e desceu de volta pela escada, afim de tirar satisfação com a velhinha.

Do lado de fora do prédio, a irmã do rapaz chega com alguns pacotes. São roupas e afins para seus pais, que não saem do hospital mais. O tempo parecia andar muito rápido, pareciam dias e dias, quando se passaram menos de 3. Concentrada em manter-se equilibrada, um vovô a espia na esquina, certo de que terá que lançar mão de algum ardil para preservar seu neto.

O rapaz estava diante de um homem na terceira idade, com pernas atrofiadas e mãos dormentes, mas que ainda assim era recohecível. Era o avô de seu algoz, que o pôs em coma. Nunca havia tirado a vida de ninguém antes, mas, se pra tudo há uma primera vez, isso não seria problema. Se entrar foi fácil, disfarçado de estagiário usando um crachá roubado, sair não demandaria muitos problemas, pois como provar a veracidade se ele estava em coma? Começou a falar:
 - Eu não vou ficar aqui, nesta situação, vendo minha vida passar e eu tendo que viver escondido das pessoas que eu amo.
Imediatamente, enquanto entra no prédio atrás da irmã, o velhinho ouve a voz e reconhece: é o rapaz que ele encontrara no ônibus. Ele estava falando com sua contraparte dormente; estava em perigo.
"Como eu deixei isso acontecer?" Disparado e ofegante, começou a suar e a fraquejar. Seu corpo em coma em igual modo sofreu com a adrenalina, e o monitor do coração disparou.
 - Está com medo, velho? Achou mesmo que eu ia aceitar isso enquanto você protege aquele projeto de gente?
E o rapaz colocou os eletrodos em seu próprio peito, o que evitaria que os médicos aparecessem, mas não evitaria o pior. Enquanto isso, o velho perseguia sua irmã, no corredor do hospital, e ela não notava. Uma simples agressão mandaria o recado. Ou ele até a poderia matar, como uma forma de vingança. Milhares de pensamentos fortes o deixavam atônito, pois passou anos se julgando poderoso e invencível, mesmo depois de ficar preso numa cama. E agora, longe dos seus, não conseguia avançar muito atrás da jovem, devido ás descargas de nervosismo e medo.
 - Vou fazer com que fique longe da minha família, seu desgraçado. E aproveite, pois logo seu amado neto te fará companhia, lá no inferno. O rapaz empunhou um travesseiro mas algo estava errado: ao velho já faltava ar, os movimentos eram poucos e estranhos e logo se acalmou. Ficou totalmente inerte. Com um estetoscópio ao lado, auscultou-o. Silêncio. Põs as mãos nas narinas; nenhum ar. Repôs os eletrodos, e o monitor acusou o óbito. A luz na entrada acendeu, indicando o problema, mas um simples toque no botão e tudo foi desligado. Levaria algum tempo até que fosse achado. Não foi preciso de forma alguma asfixiá-lo, apenas uma provocação e pronto.

Ao chegar ao andar, a namorada conseguiu encontrar uma senhora diante de uma pessoa em coma, mas não conseguiu fazer nada ao vê-la desligar os aparelhos. E presenciou uma morte de uma velhina inconsciente e a queda e esvancimento de uma velhinha simpática. A senhora simplesmente desapareceu no ar, deixando as roupas caírem no chão.

A irmã ouviu uma respiração ofegante a alguns metros de si e viu um homem bem trajado e suando cair para a esquerda, abrindo abruptamente uma porta. Ela correu em seu socorro, e quando chegou, apenas roupas e um anel de ouro estavam no lugar. Tremendo de medo, branca como papel, ela entrou no quarto de seu irmão dormindo.