19 de agosto de 2009

Sobre sofrimento

Há uma medida para o sofrimento? Há um limite?

Hoje, graças ao Switchfanro eu vi o Nooma 24 - Whirlwind, onde isso é questionado. Jó era o melhor dentre todos, e num repente, viu sua fortuna, seus bens e seus filhos desaparecerem e morrerem. Pra melhorar, ganhou doenças, e do mais poderoso tornou-se um mendigo maltrapilho, fedorento e cheio de feridas abertas, nojentas e maltratadas.

Deus o usou pra provar quem Ele é. Onde estavas tu, Jó, quando lanceis as bases da Terra? Não, sem essa de "Deus é Deus". Mas sim algo novo, fora do comum. Porque questiona? Porque não luta? Porque não continua acreditando? Porque quer berrar aos céus quando Eu estava com você o tempo todo? Porque quer se rebelar contra todos quando deveria aprender a ver, ouvir e meditar?

Ao querer explicações, queremos boas razões para o sofrimento. Queremos ser esclarecidos sobre isso. Mas, olha isso: ainda está vivo! Está sofrendo, mas... você não morreu! Isso significa que ainda há coisas por fazer, ainda não está acabado. Você ainda não terminou o que veio fazer aqui.

Não é meramente aceitar o sofrimento. Não é ter uma postura budista e tola, onde você internaliza a dor e convive com ela. Mas sim saber que o que você veio fazer não acabou. Você ainda está aqui. E a julgar que todas as coisas passam, porque não esse momento terrível?

Sofrimento tem dimensões diferentes para cada pessoa. Para alguns, perder o emprego é algo insuportável, enquanto pra outros, ver seu filho definhar é motivo de querer ainda mais a Deus. Vivemos dias em que queremos vida plana, tranqüila e fácil, com bonança e bens. Jó tinha tudo isso. E perdeu tudo isso. E conviveu com essas perdas. Mas nunca disse uma só palavra contra o Senhor. Jó sabia que tudo o que possuía não era seu, mas sim de seu Deus. "Deus dá, Deus tira, louvado seja o Senhor." Imagine a força com a qual este homem alquebrado fez para dizer isto. Perdeu tudo, só não morreu, quando morrer parecia mais interessante.

Há mais. Mesmo em períodos de perguntas, problemas, ventos e tempestades, há mais. Há mais do que simplesmente vociferar contra os céus e morrer. Há mais do que simplesmente aceitar e achar que a dor será eterna. Há mais do que apenas pensar que Deus está nos céus, sentado em seu trono, e olha pra você como quem olha pra um ratinho.

Não, não há medida. Mas há um tempo. Pois Deus, sabendo que o homem tem um tempo curto de vida, não deixará que tudo permaneça como está. Quanto tempo Jó esteve assim? Eu não sei. Quanto tempo Jó teve de vida boa? Eu não sei. Quantos anos ele viveu depois disso? Eu não sei. Mas sei que o período de sofrimento foi menor que seu último período de alegria. Ele não esmoreceu, nem vociferou. Soube da soberania de Deus, de sua magnífica Vontade e O louvou, não exigindo nada de volta. Pois ele sabia que Deus está presente. Não se importava em morrer assim. Valia mais seguir acreditando que morrer com raiva.