11 de agosto de 2009

Posso?

Quando somos jovens, nosso pais são nossas barreiras de proteção. Seus "nãos" são deliciosos de se desobedecer, pois é este um dos meios de se conhecer as coisas como são, livres de filtros. Com o passar do tempo, passamos a encontrar novos "nãos".

Vendo os comportamentos de hoje, não é de admirar que se queira mais prazer que compromisso, uma vez que compromisso é tido como "algema". O casamento é a "algema de dedo", por exemplo, quando há tantas mulheres a serem desfrutadas e tantas noites a serem aproveitadas. Engraçado que todos querem companhia, mas o preço da vida liberal é a rotatividade dela, por conseqüência, amizades e relacionamentos superficiais. Há um desejo enorme de liberdade, mas essa palavra perdeu parte de seu sentido, e virou algo que está além da definição, e tal qual a felicidade, passou a ter significados diferentes pra cada pessoa.

Quero sair sozinho ás vezes. Mas, um dos preços do relacionamento sério é o desejo do outro. Muitas vezes, coisas aparentemente normais podem conter assuntos desagradáveis, e plantar sementes de discórdia e trsteza na vida do casal. Ambos podem querer um resto de "liberdade", por assim dizer, e meramente sair. Mesmo á revelia do outro. Mesmo que o outro não queira e desincentive. E o desejo pode ser o mais puro e simples por ambas as partes: um quer se divertir - coisa a qual todos têm direito - e o outro quer prevenir um perigo - coisa possível.

Nada a ver com território, ciúmes, mágoa ou coisa assim. Mas estar namorando implica em abrir mão de alguma coisas em detrimento do outro, mesmo que o outro pouco tenha do que abrir mão. Quando ela tem uma agenda cheia, pouco têm do que reclamar, uma vez que sempre se sabe onde está. Contudo, é preciso abrir mão da surpresa, do inesperado, de um jantar sem hora, de um momento a dois no meio da semana. Quando ele tem um trabalho exigente, pouco têm do que reclamar, afinal, sempre se sabe onde está. Mas perde-se a energia, a atenção, a conversa em detrimento de descanso.

Sempre algo se perde, para satisfazer o outro.

E por mais esforço que haja: suporte, conversas, programas de índio, tolerância com familiares, nãos, situações chatas; parece nunca ser suficiente. Ela não têm como colocar em você a idéia que está em sua cabeça, tal qual você não têm. Ela tem seus temores, iguais aos seus, mas cada um sabe onde seu amado ou amada pode se perder. No que parece mais óbvio, nem sempre, uma vez que o óbvio pra você não é o mesmo dele. Mas há o medo inerente de algo a ser perdido, tão lindo, reluzente e frágil que um ato mal pensado pode destruir e reduzir a cacos. Um não consegue dizer não há nada ha temer, uma vez que não quer perder esse "algo". Outro não consegue dizer que há tudo a temer, uma vez que não quer perder esse "algo".

E isso planta um sentimento estranho e indizível, pois ambos podem se acusar de desconfiança. Querem manter, sem abrir mão de alguma liberdade antiga ou de alguma segurança. E tal sentimento pode evoluir, se não for consertado. Estranho, não? Como eu posso saber o que ela sabe e ela pode saber o que eu sei?

É uma arena estranha, essa arena do amor. Há deleites incríveis, prazeres indescritíveis, e tristezas indizíveis.