22 de junho de 2009

O novo, o velho e caminho entre ambos

" A crise consiste no fato de que o velho morreu sem que o novo tenha tido ainda condições de nascer."
(Antônio Gramsci, pensador italiano)

Meu primo colocou essa frase no ar e nós debatemos após um lauto almoço, na casa de vovó. Uma das coisas que me vieram á cabeça foi a crise no jornalismo. O velho modo de fazer notícia está morto, só que ainda não foi enterrado. Quem assistiu a Epic 2014 sabe do que eu estou falando. Há um novo modo de consumir informações surgindo, só não se sabe ainda como que se separa o que é bom do que não é. O joio e o trigo ainda estão crescendo juntos, a colheita ainda não veio.

Onde mais essa frase de Gramsci pode ser aplicada? onde mais ela faz sentido?

Alguém pode berrar nos ecos deste blog "a igreja!", e está correto. Mas por mais que se esperneie, vejo o fim dos tempos se aproximar, pois o amor de tanto se esfria a cada dia, e cria aberrações como as citadas do link.

Para onde se olha, há crise. Crise na igreja, onde alguns representantes destróem os esforços de ser sal e luz; crise masculina, pois cada vez mais homens não sebem quais referenciais seguir; crise feminina, pois não sabe mais o que buscar nos homens; crise financeira, pois o dinheiro acabou e o lucro interminável dá mostras de enfraquecimento; crise ambiental; pois ao invés de usar seus conhecimentos para pôr o mundo em pé de igualdade, a busca pelo lucro preferiu consumir o planeta ao invés de consertar a humanidade, o que custaria muito menos... há crise para todos os gostos e vontades. Escolha a sua.

Mas, de tudo isso, fica uma certeza. A certeza de que apesar do caos instaurado, Deus reina. Mas como ninguém pediu a opinião dele, Ele não diz nada. Pouco se erguem contra os mercadores da fé, pois são esses que lotam os templos, e isso aparenta uma igreja forte e crescente, mesmo que não seja. Ninguém se levanta contra as crescentes humilhações que os homens passam, pois é a nova geração que deve pagar pelos anos de recato femnino forçado, se esquecendo que estes não são aqueles homens. Protestos feministas aos montes, mas mal sabem o que fazer ao chegarem aos postos almejados. Briga-se por um ideal, mas na realidade a coisa muda. O caos por não se saber para onde ir, pelo que lutar. O caos.

Apesar de esperar que as coisas melhorem, saber que elas não vão é um convite ao travesseiro e ao edredom. Pra quê se importar? Pra que lutar? Sucumba a novela e ás músicas sem conteúdo. Leia livros de auto-ajuda e viva viciado. Mas ao pensar que Deus odeia ócio e aprecia aquele que luta todos os dias pelo que acredita, mesmo que não seja exatamente nEle.

Eu mesmo sigo hoje minha própria crise pessoal: a de deixar simbólicamente a casa de meus pais. Isso significa deixar de necessitar de seu aval pra qualquer coisa, de deixar de precisar de sua aprovação. Não de rebeldia, mas de ser Paulo Víctor, e não mais o filho de alguém. Ninguém disse que ia ser fácil, mas passar por isso mostra que as coisas seguem seu curso, e que cabe a nós dar a elas o rumo que desejamos.

Mover-se da inércia é o primeiro passo pra o fim de uma crise. O resto é fruto de persistência, coisa tão rara hoje em dia.

1 de junho de 2009

Verdades Íntimas

Entre cismas, problemas, pastores larápios, charlatões, regenerados, desacreditados e etcetera, Deus Reina. Apesar do caos instaurado, Deus Reina.

E daí?

E daí que eu fui ver Wilson Palomo na Deus Revelado e a mensagem foi ótima. Ele esteve na mídia, com acusações sobre ele. E daí que eu gosto de ler alguns textos de Caio Fábio. Ele ficou marcado pra sempre, com o Dossiê Cayman e sua relação extra-conjugal. E daí que eu amo uma mãe solteira. E o filho dela. E daí que a igreja que eu participo tem problemas terríveis com estagnação, politiquinhas e contralização.

E daí que apesar do caos instaurado, eu sei em Quem eu acredito.

Eu sei que meu Redentor vive, e há de se levantar sobre a terra.

E daí que eu vi metaleiros cheios de tatuagens e cravos de metal chorando num show do No Longer Music, sendo que muitos deles mal sabiam escrever.

E daí que eu vi uma menina que devia morrer aos 3 anos de idade viver pra contar a história.

E daí que eu estava lá pra ver um casal chegar ás bodas de prata.

E daí que eu ainda consigo acreditar nesse Deus, apesar dos representantes dele aqui serem de péssima qualidade.

E daí que eu ainda os amo, mesmo assim. Mesmo com suas politiquinhas, mesmo com suas tolices, mesmo com suas palavras. Porque eu sou tão tolo quanto eles. Tão humano e falho quanto eles.

Pois eu sei que Deus usa métodos pouco ortodoxos para se fazer presente.

Pois eu sei que Cristo não se detém nas paredes da igreja e na tradição pra existir.

Pois eu sei que Ele cuidou pra que a essência da Reforma Protestante chegasse até nós, e que o ódio de Lutero contra os judeus fosse enterrado com ele.

Pois eu sei que Jesus é mantido longe das igrejas, pois Ele está com a ralé, com os mendigos, com os feios, com os sujos, com os bêbados.

Pois eu sei que Ele vai me conceder os meus reais desejos, não o meu carro ou a minha casa, pois isso é fruto de trabalho. Eu sei que meu Pai vai me dar o que há de mais profundo do cerne de minha alma.

Pois eu sei que Deus habita entre as pessoas, entre os louvores, entre os atos, entre a sinceridade, entre os gestos amáveis.

Pois eu sei que toda a vez que eu me rebaixar ao nível da ralé, sem por isso achá-los como tal, mas querê-los bem e fazer alguma coisa, nem que seja ouví-los, eu serei como Jesus.

Pois eu sei que dar a vida pelos meus amigos não significa estreitamente morrer por eles; mas saber que eu os amo tanto quanto a mim mesmo, e minha estima por eles faz com que eu os queira mesmo diante do maior relaxo que possam dar.

O Deus vulgar e indomável rasgou o véu pra que qualquer desgraçado possa ter acesso a Ele, abraçá-lo, se sentir um nada só pra que Ele possa colocar esse resto de gente em posto de destaque, para que Ele seja visto.

Esse é o Deus que ouve os clamores de piedade da prostituta, enquanto seu cliente ainda está sobre ou atrás dela. Esse é o Deus que esquenta o jornal do mendigo, quando os crentes faltam. Esse é o Deus que não é colocado no altar.

O sacrifício vivo é quando eu deixo de pensar com as minhas duas cabeças: negando uma mulher, deixando de me embriagar de graça, evitando algo que eu não gostaria que ocorresse comigo. Carregar a minha cruz é saber que serei instado por fazer tudo ao contrário: ser generoso quando eu devia mandar pro inferno; ser paciente quando devia esbofetear; ser duro quando perguntado de algo óbvio.

Negar a mim mesmo me torna vazio o suficiente pra que eu seja um eu melhorado. Não aquela pieguice de vaso quebrado, mas sim a verdade: deixar de ser eu mesmo em prol de algo maior me torna ainda mais eu. O homem real. Não o ser egoísta e lascivo.

O Deus agachado na caixa de som pede encarecidamente pra mim: ore agora. Nem que seja pra ficar em silêncio. Não, não cante. Mas abrace. Não, não sente. Saia. Conviva. Eu vim e estive no meio das pessoas. Você não foi separado. Não foi arrancado, não foi transladado. Você está aí. Eu não evangelizei ninguém. Eu convivi com pessoas, e elas foram consertadas mediante pequenas verdades: a da humildade, a da mansidão, a da paciência. A da simplicidade.

Eu sei que meu Redentor vive, e eu, por pior que eu seja, não posso julgar qualquer um que seja. Ele veio para os dele, e não os receberam, por isso, qualquer um que o quiser o terá.

Conserto da vida? Ele te dará um, um conserto só pra você. Esqueça o que você ouviu. cada um tem o seu.

Moral e bons costumes? valorezinhos burgueses. Ele vai te dar algo maior que isso, um código de conduta mais elevado.

Viver por algo maior que si mesmo não mata sua individualidade. Te torna mais individual, mas sem perder de vista os que estão á sua volta.

Assim tá bom? Ou vai querer que eu desenhe?