24 de maio de 2009

o.0


Pode crer.

5 de maio de 2009

Medo e Preocupação

Medo é uma coisa engraçada. Ele permite que você ocupe sua mente de projeções futuras relacionadas a eventos que ainda não aconteceram. Chama-se preocupação. É um recurso interessante usado por Vermebile, sob a tutela e conselho de seu tio Fitafuso, um subsecretário reconhecido nas instiuições do Inferno.

Com isso, você não consegue se concentrar no hoje: o que você têm que fazer hoje, o que você têm que dizer hoje, o que você tem que pensar hoje. Viver com a mente no futuro é um meio interessante de fazer você perder tempo do presente, negligenciar a experiência do passado e fazer sempre as piores escolhas, baseadas no medo na preocupação.

Pode mudar um caminho, de fato, o medo e a preocupação. A covardia de assumir responsabilidades e levar á frente projetos um tanto auspiciosos faz com que muitos caiam na rotina, com medo de perder o pouco que pensam que têm. Mas, de forma alguma, esse ato de ficar parado provém das investidas de Vermebile: são um pecado seu, que optou por ficar onde está.

O reino de Deus é conquistado na porrada. Em você mesmo. Ninguém falou que pra mim que eu teria uma vida mansa, mas hoje, eu percebo que qualquer realização minha deve vir com esforço e com suor: não vou conseguir me tornar escritor e ser digno de tomar chá com Neil Gaiman se eu não me sentar e escrever. Por mais sem inspiração que eu esteja, certas coisas saem com dor, com suor, e por vezes, com lágrimas. Deus vai me recompensar pelo meu esforço? Sei que vai. Ele recompensa a todos por que escolheram não ficarem parados, mas lutarem. Decidiram correr atrás de seus sonhso, de suas vidas, e no caminho, acabaram vivendo, e tendo boas histórias pra contar.

Eu tenho medos? Tenho. Sou normal, por mais doido que eu possa parecer. Tenho medo de ficar sozinho, e não suporto a idéia de me contentar com sobrinhos, não com filhos de meu próprio gene. A idéia de ficar sozinho, sem amigos, onde por mais dinheiro e recursos que eu tenha, não tenho quem os possa usufruir além de mim. Não suporto a idéia de ir a casamentos, mas faltar ao meu. Não suporto a idéia de ouvir feliz uma boa música, quando eu poderia ter uma discussão terrível e raivosa com minha esposa. Disse Bono Vox, você nunca se sentiu querido até que alguém te desse um tapa.

Sou humano, e isso me torna uma pessoa suscetível ao medo, á preocupação, ao pesadelo. Mas o pecado não reside aí. Reside no Desespero. Se desesperar é pecado sim, pois Deus nos disse para vivermos um dia de cada vez. Basta a hoje, terça-feira, o seu próprio mal. Hoje é um dia que vai ecoar na eternidade por causa dos caminhos escolhidos.

No desespero, muitos tomam decisões ruins, que lhes tornarão infelizes pelo resto de suas vidas, ás vezes sem chance de retorno. O clichê da perdas dos sonhos seria o ideal, mas também existem pessoas sem sonhos, que tudo o que têm é o hoje, e se deixam levar pela vida, e ver no que vai dar. Sonhos de carreira? não têm. De realização? não têm. De amor? basta-lhes os prazeres de um fim de semana.
Há sonhos simples, pequenos, desses que parecem fáceis de realizar: como felicidade. Mas eu sei que esse é o mais caro e o menos realizado dentre todos. Sua subjetividade submetida ás milhões de variáveis possíveis é algo que custa a ser conseguido. Há pessoas que o sonhos se resumem a uma casa, um jardim, uma família e algum trocado pra dar garantia. Não, não há nada de errado em fazer daquela interpretação apaixonada da Cássia Eller uma realidade diária. Aliás, penso eu, que esse sonho pequeno foi, por muitas pessoas, deixado de lado porque o medo ficou exacerbado, e um emprego tomou o jardim, o tempo perdido perdeu o amor, o terno e a blackberry tomaram a perseverança pra estar lá todos os dias. Sobrou a casa e o trocado. De que adianta, se os elementos perdidos são impagáveis?

Penso eu, do alto da minha ignorância, que o dia de hoje devia ser melhor empregado. O medo me manda voltar atrás em alguma decisões, para garantir alguma coisa. Eu devia ter ficado em pé, voltado pra janela aberta, ao acordar, e pedir, com toda a cara de pau do mundo, que Deus me desse um fôlego novo, para hoje apenas, e entregasse a Ele esse medos. Renunciar á própria vida em prol de Cristo também é renunciar aos medos, não apenas aos seus sonhos. Ninguém disse que uma vez cristão você perde os sonhos; eles apenas estão em melhores mãos.

Sim, eu devia ter pedido esse fôlego novo, para hoje. Para ter a coragem de dizer não pra algumas coisas. Para não ter medo de ficar sozinho. Para poder me sentar e escrever o que eu tenho que escrever, por mais diferente e exaustivo que seja fazer algo cuja temática é crente e pura demais pra mim. Mesmo ainda com pecados aparentes, eu podia ter pedido por isso. Afinal, Deus não liga pro que você fez, desde que não faça mais. Ele odeia, mas te ama mais do que aconteceu. Ele é o primeiro a carimbar DANE-SE nas páginas pregressas da vida, sobrando delas apenas a lembrança de dias estranhos e experiência a ser usada. Sim, eu devia ter pedido esse fôlego novo.

Medo e preocupação com o futuro são desvios de conduta que causam apenas mal. Travam os atos, preenchem a mente e causam irritabilidade. Engraçado, Deus olha pra isso e diz "tá preocupado com o quê? O futuro não é problema seu. Faz o seu aí, que eu faço o meu aqui, mas faz direito." Gosto de pensar em Deus como um velhote cinqüentão ouvindo blues numa vitrola sem disco, cujo rosto possui marcas do mundo inteiro, e cujo corpo talhado por anos de trabalho pesado, tem cicatrizes dos mais variados porquês, e que tem senso de humor suficiente para encher de beleza o mundo, que tem paciência suficiente para agüentar os crentes e suas tolices, e que tem austeridade suficiente pra mostrar que ele está lá, apesar do caos instaurado, e que ele não suporta pessoas que estão intimidadas por qualquer causa que seja; seja um policial que falou maus grosso, seja porque engrossou a fila do desemprego. Imagino esse velho de cabelo escovinha andando pela terra, procurando as pessoas que receberão sua bondade hoje, ou meramente passarão pelos reflexos de suas ações ou inações. Gosto de pensar que Ele está sentando do lado de fora das igrejas, dirigindo pessoas para cuidar daqueles que nos esquecemos. Que Ele deu todas as ordens necessárias, que deu todas as diretrizes, mas que ainda assim, insistem em não seguir.

Medo é medonho, o medo domina, o medo é a medida da indecisão. Quanto mais indeciso, mais amedrontado. Por isso Deus o vomitará fora. PSDB não é com Ele. Saiba quem você é, o que quer fazer, e peça, todos os dias, um fôlego novo, para hoje, para que você decida e deixe de sentir medo. E deixe de se preocupar com algo que não está ainda aqui. Eu devia ter feito isso hoje de manhã.