20 de fevereiro de 2009

18 de fevereiro de 2009

Endorfina

Esse elemento está presente em todas as atividades prazerosas. Ela, a serotonina e a dopamina. Isso explica porque buscamos cada vez mais sexo, diversão, prazer em suas mais variadas formas. Uma delas é o esforço fisico.

O esforço físico, depois de certo momento deixa de ser em peso, um "esforço" pra se tornar uma atividade interessante. Por mais increça que parível. Chega um momento que as pernas começam a responder com rigidez e força á toada da caminhada ou da corrida, que a coluna fica ereta e a cabeça se ergue altiva. O suor que escorre não é mais incômodo, e o pulmão responde com fortes golfadas de ar.

É, estou fazendo academia. E tá divertido. Meus braços estão inchados, minhas pernas aumentaram consideravelmente, estou suando em bicas agora - consertaram meu termostato! - e emagreci o suficiente pra apertar mais minhas calças, e se meus olhos já eram estranhos, imagine agora cheios de sangue a 150 batidas por minuto.

Ah, eu amo endorfina. Em todas as suas formas.

15 de fevereiro de 2009

A frustração de Mino Carta

Até pouco tempo atrás, eu era assíduo leitor de alguns sites específicos: Observatório da Imprensa, Paulo Henrique Amorim e Blog do Mino (Carta). Amorim foi demitido do IG, Mino se demitiu em apoio ao amigo, e não mais segui o Observatório.

A razão é simples: novela. O brasileiro assiste novela porque está cansado demais de ver as coisas que enojam o Jornal Nacional e demais jornais televisionados. Basta-lhe ler o que rola nos jornalões impressos, a pouca parcela do povo que pode dispender 2 reais para comprá-lo. E eu não sou diferente: também me estorvei de ver sangue caindo dos jornais, de ver dinheiro fluindo do governo para seus asseclas, e de ver o mundo indo á merda - e de cujos trilhos nunca saiu. Não tinha mais porque ficar revoltado, afinal, isso é Brasil: estamos há muitas revoluções e lutas aquém de países sérios. Haja visto a Argentina: por mais que odiemos os hermanos, eles sabem muito bem o que é política.

Contudo, mais alguém se estorvou, e esse alguém faz bem mais diferença: Mino Carta. O italiano jornalista se cansou de tocar trombones dos mais variados tons, de apregoar bom jornalismo e usar sua Olivetti para divulgar as sempre fresquinhas tiradas do Febeapá, que se mantém vivo, apesar de Stanislaw Ponte-Preta não mais. Ele se frustrou com o jornalismo no Brasil, regrado por famílias e por gente de rabo preso com o governo. E resolveu calar-se; logo ele, que não devia.

Não devia pois seu jornalismo pode ter algum resultado. Infelizmente, Mino Carta não fomentará uma revolução; não fará com que as coisas melhorem. Mas ele pode ser um elemento de mudança; uma vez que o povo começa a não mais se contentar com a IGnorância. A consciência política nacional começa a ganhar forma, e o Brasil está, tal qual um adolescente, a tomar consciência de suas obrigações. Não está mais interessado apenas em revista de mulher pelada e futebol apenas: está entendendo o que passa no jornal.

Somos um país jovem, que ainda luta contra os elementos de seu atraso, como o feudal Sarney. O marimbondo é uma raposa velha e experiente, e sabe muito bem o que fazer ao ascender ao seu novo cargo. A bem da verdade, conheço outra pessoa que sabe muito bem qual é a do velhote. Mas ainda assim não calou sua voz, e se manteve fiel ao que acredita.

O silêncio de Mino Carta é uma perda violenta para os poucos que tentam ser um pouco diferentes, que tentam pensar de uma forma mais madura, e que tentam levar adiante alguma forma mais arrojada de opinião. Sei que Mino Carta jamais vai passar por aqui, mas eu espero que seu siêncio não dure muito. Afinal, ele ainda pode fazer um bom estrago.

12 de fevereiro de 2009

Desforra

Edmar Moreira, o dono no castelo lindo, caiu legal. Num dia, era um deputado, invisível, em algum lugar do Legislativo. No outro dia, era o homem em evidência, o corrupto que construiu com dinheiro duvidoso um belíssimo castelo, sem nunca pagar o que devia pagar.

Desforra?

Eu gosto de imaginar esse cara quando ia dormir. Seja cansado, seja com sono, o que será que lhe rondava a cabeça? Sabendo das falcatruas e maracutaias que fez pra enriquecer, dos métodos que empregou para passar por cima de sues desafetos, qual era seu pesadelo? O que o assombrava?

Sendo um reles mortal, e nesse país, um dos poucos que conseguem, através seja de seu próprio ou do esforço familiar, alguma formação mais alta que o colegial, me sinto vingado. Eu sei que esse desgraçado deve ter desgraçado a vida um bocado de gente. Essa gente sempre faz isso, quam quer que seja, não importando se é um desafeto político ou um empregado que quer seu FGTS. Quando um cara desses sofre uma derrocada dessas, é sempre bom ver. Já que a justiça no Brasil é inexistente, nos resta apenas a justiça da vida: uma família despedaçada e infeliz, filhos mais interessados na herança que no pai, uma esposa mais interessada no castelo que no marido, os amigos que apenas têm interesse e não amizade, e por fim, a humilhação que chega em algum dia, seja em vida, ou seja sua reputação largada na lama após sua morte.

Esse cara val voltar. As coisas vão continuar as mesmas na Ilha Brasília. É apenas manobra política exulsar esse cara do DEM; pois daqui uns dois anos, Edmar volta. De barba, mais magro e fazendo o que sempre fez. Nossa compensação vêm em nosso sono. O dele, acabrunhado de pavor quando a luz apaga. O meu, o seu, leve e reconfortante. Nossos filhos nos amam, a esposa ainda está apaixonada. E não temos que constuir um castelo pra ela porque sua inveja alimenta o status.

5 de fevereiro de 2009

Perdão Insuportável

Perdão - o ato de esquecer o mal que foi feito contra você ou contra um ente querido, não guardar ressentimentos - possui um peso insuportável. É, sem dúvida, uma das piores coisas que alguém pode fazer.

Um exemplo: aquela jovem do Paraná que viu o namorado ser assassinado na sua frente, que foi baleada e estuprada, e agora está entre a vida e a morte numa UTI. Nós, e eu me incluo, queremos não apenas a cabeça do criminoso homem-monstro: queremos que ele sofra o máximo, que seja torturado de forma horrível, repetidas vezes, que ele seja estuprado pelos mais hediondos e enormes e violentos homens da prisão. Sim, é o que eu desejo pra ele, pois eu sou humano, e quero a compensação pelo crime dele, um crime inútil, que apenas serviu pra destruir a vida dessa moça.

Mas imagine um criminoso desse naipe sendo perdoado. Imagine que ele vai ficar completamente sem entender que ele não vai passar por esse martírio para a morte certa, que essa moça vai abraçá-lo como a um amigo. Imagine a tortura terrível que a mente desse homem vai passar, pois ele mesmo espera a "justa" punição pelo seu crime.

A ficha não vai cair. Ele vai sair caminhando, com o pior sentimento do mundo: o de ser perdoado. Pois ele sabe que não merece, esse criminoso sabe que ele deveria sofrer até a morte, mas ao contrário, está vivo, bem, e seu mal foi esquecido. Imagine a dor no coração, na mente, na alma desse homem. Imagine o quanto que ele vai chorar, de remorso, de tristeza, de vergonha.

Esse é o peso insuportável do perdão. Você não merece, você espera a justa punição. Mas é recebido com vontade, com um sorriso sincero, com um abraço. É a pior coisa, pois isso destrói seu espírito, quebra sua guarda, desarma armadura. Faz com que você perca o chão, e veja que realmente você não vale nada, e ainda assim foi aceito.

Onde eu quero chegar com isso?

Quero dizer que somos humanos, e cometemos atos ridículos. Somos egoístas, tolos, presunçosos, ambiciosos. Mas toda a vez que, apesar de nossos atos ruins, ganhamos uma coisa violentamente mais poderosa - o esquecimento do ato - somos tomados de uma fragilidade impressionante. Foi desnudada nossa falha, e a punição vem na sua mente, em forma de vergonha.

Depois disso, tem o auto-perdão. O outro esqueceu, porque você vai se lembrar?

Como um crentzinho, eu deveria falar sobre Jesus, sobre Deus e essas coisas. Na verdade, eu vou terminar este texto deixando apenas a má impressão e a verdade incoveniente de que o perdão é a pior punição. Você não espera, você não tem reação, não tem defesa, você não merece. Ganha uma lembrança íntima pelo resto da vida, dessas que a gente nem gosta de lembrar.