29 de agosto de 2008

Devaneio

Diante de mim, a bocarra escancarada do monitor do computador, que vomita trabalho sobre trabalho. Sob meus dedos, as teclas cujo som seco se repete por todo o departamento. Em meu pulso, dor de quem repete o mesmo movimento todos os dias - uma prova de que rotina mata.

Dias em que tudo parece conspirar para te matar. Onde sua vontade se esvai ralo abaixo, a disposição é consumida toda no ato de levantar-se da cama, e mesmo a doce voz de uma mulher amada soa ríspida, embora sua foto na mesa te faça lembrar os bons momentos.

Hoje, entendo um pouco mais o porque de tanta infelicidade, tristeza e desvario que grassa pela cidade, e o que contamina a mente das pessoas com seus problemas. Um pequeno devaneio, e logo estou de volta para o trabalho.

26 de agosto de 2008

Uma manhã


Uma manhã dessas este homem acordava em uma esquina. Ele acordou e nada mudou. Será ele incapaz ou ninguém se importa?

22 de agosto de 2008

Procura-se Amy

Tentei escrever alguma coisa. Mas acho que o que eu queria dizer cabe num texto velho da net:

"Para quem espera uma resenha do filme ou algo além de reflexões melhor nem ler, para depois não precisar criticar, dizendo que matérias como essas não deveriam ser publicadas em nosso humilde fanzine. Mas se o nome da sessão é O Povo Manda, por que não deixar àqueles interessados algo para se pensar?
No filme de Kevin Smith há uma brilhante cena onde o diretor conversa com Ben Affleck sobre relacionamentos, e tal conversa além de ser o auge do filme é o foco do que será discutido. O personagem de Affleck descobre que no passado sua atual namorada tivera inúmeros casos, com múltiplos parceiros e até relações homossexuais, e por isso resolve abandoná-la, não a achando digna do seu desejo de ter uma relação que ele define como "dentro dos padrões". É então que o ator e diretor Kevin Smith faz um discurso onde retrata uma experiência similar que teve, uma vez que, em meio a um namoro bem sucedido questionou sua namorada sobre seus relacionamentos do passado, e ouviu muitas coisas que não queria saber, sobre quantidade de parceiros e grau de intimidade das relações. Como já era de se esperar o personagem não soube lidar com a situação e procura a solução mais fácil, rompendo o relacionamento.
Smith diz que julgou Amy, sua ex-namorada, pelo seu passado, mas só no futuro foi perceber o quão importante ela era pra ele, mas quando isso ocorreu, a situação já havia sido superada e a garota estava em outro relacionamento, é então que revela até hoje estar à procura de outra Amy.
O filme é uma comédia superficial (não que isso que você está lendo seja muito profundo), mas é tal conversa que nos deixa inquietos e faz questionar algumas decisões que tomamos. Afinal de contas, atire a primeira pedra quem nunca julgou um parceiro por atos do passado! Quem nunca brigou por que a namorada citou o ex em uma conversa? Quem nunca ficou com o pé atrás com aquela garota que você adora, só porque ela já beijou um amigo seu? Muitas vezes deixamos até de acreditar no "Eu te adoro" da companheira por ela ter um passado comprometedor! É justo não se levar um relacionamento a diante por um passado indesejado?
Julgamos que o que as pessoas procuraram no passado é o que procuram até hoje, desprezando os sentimentos e desejos alheios. Insegurança ou egoísmo? Os contextos mudam, os relacionamentos são diferentes e o que desejamos deles são únicos. Estar com uma pessoa que já experimentou de tudo pode ser algo maravilhoso, pode significar que ela escolheu você, após tantas tentativas e experiências. Mas por que então nunca pensamos assim? Temos medo do que nossos amigos comentarão? Isso é fato, sempre houve a necessidade de estar bem num grupo, e esse grupo nunca aceitará que você trace seu próprio rumo em um relacionamento sem tentar meter o dedo no meio, às vezes numa tentativa de te preservar, às vezes apenas por pura picuinha, ou até mesmo por ciúmes.
O que é fundamental em tudo isso é pensar que poderia ser você. Temos muitas coisas do nosso passado que só nós sabemos por que fizemos, e a resposta cabe a ninguém mais do que nós mesmos, mas por isso queremos que outros nos julguem sem saber nossas reais intenções? Lembre-se que no futuro, o presente se tornará passado, então faça um passado para se orgulhar e acima de tudo, deixe que alguém faça parte desse passado, procure sua Amy, pois como já se dizia no filme "No amor temos que colocar as pessoas acima de seus atos"."

Pego daqui.
Isso é pra você.

17 de agosto de 2008

Igreja


Há coisas que nos so entendemos porque estamos dentro depois que nos entramos.

10 de agosto de 2008

O silêncio

Deus não está, muitas vezes, exercendo sua verve loquaz durante um culto barulhento. No meu caso, é comum eu estar calado durante os louvores, tentando prestar atenção na letra - pois na maioria das vezes, são frases cheias de evangeliquês, mas falaciosas, desprovidas de teor bíblico, ou mesmo semântico - e não participar abertamente do clamor exaltado, ou de orações onde parece descer um fogo "santo".

Como com Elias, o Pai não estava na tempestade, ou no furacão; mas sim, estava na brisa suave. O silêncio puro é onde eu posso estar mais vulnerável. Nunca pedi por enormes demonstrações de poder, bem como acho perda de tempo testemunhos de curas milagrosas ou emprego ou pagamento de dívidas. Pra mim, Deus é muito mais que um mero cabedal empregatício ou um cirurgião geral. Claro, tudo isso faz parte, mas não é o essencial.

Deus habita no silêncio. Ele está quando as batidas cardíacas estão em ritmo compassado correto, calmo. Se é Dele que vem a paz, porque estamos tão atarantados? A voz do Pai é mais audível na solidão, no silêncio, no repouso das armas e da guarda, não no barulho violento de vozes estridentes e palavras desconexas. Sei que o Pentecostes aconteceu durante um período inteiro de oração, mas vale lembrar que foram vários dias, não apenas um culto doméstico.

Tenho boas experiências sobre o silêncio, tanto na Presença quanto na Ausência. Nunca fui desses crentes fortes, metidos a espirituais, que tudo o que acontece é porque é a Vontade do Pai. Nem quis me aproximar muito dos ministros de adolescentes, pois agora que tenho a idade deles, vejo que certos ensinamentos eram meramente palavras, devidamente esquecidas quando terminava mais um culto. Mas agora, vendo com os olhos de uma pessoa um pouco mais crítica que um menino de 14 anos, pude claramente ver porque Deus não liga muito pras leis que foram criadas pelos dirigentes de seu fâ-clube: como exigir perfeição de uma criatura em estado bruto?

Ora, muitos dos que estão lá na frente tem erros piores que os nossos. Pregadores com filhos bastardos, líderes que transam com seus namorados, ladrõezinhos de escritório, fofoqueiros, altivos de 18 anos, estrelinhas de fundo de quintal... são inúmeras possibilidades. Até mesmo aquela família que nada a desabona tem problemas tão exacerbados que se estourarem, haverão inúmeras especulações sobre o que pode ter acontecido.

E Deus aceita as orações e louvores dessa gente imperfeita e tola. Engraçado, como pode? Mas e as regras que despejaram sobre nós a vida toda? E as leis que nós obedecemos como cães? E o "castigo corpus meo"?

Yeshua intercede por nós. Ele diz ao Pai "eu sei o que é isso". Afinal, ele também foi humano, sujeito a comida estragada, diarréias e polução noturna. O coração - a fonte das reais intenções - de gente assumidamente imperfeita é cheio de vontade real, muito além do perfume de 80 reais que compramos pra estrear no culto.

Há tantas pessoas cujo louvor é sincero, mas suas vidas são cheias de percalços que fazem com que os outros torçam o nariz, se achando grande coisa. Na verdade, eu penso que se parar com o barulho extremo, com o som que sai dos retornos e amplificadores, Deus poderá ser mais direto. Um culto que eu não esqueço foi onde éramos em uns 10, no máximo, e apenas homens, e o assunto descambou pra Graça. Sem músicos, foi um momento calmo. Mas a conversa engatou tanto que paramos de falar sobre Graça ás dez e meia da noite.

Deus fala através de orações e tal. Ele usou uma mula pra mandar uma mensagem, pode usar qualquer coisa, até as rochas - e creia-me, elas estão falando. Mas pra mim, Ele fala muito mais no silêncio, quando não há ninguém para exibicionismo, nem música inebriante, nem excitação momentânea. O silêncio, além de ser um som que muitos já não conseguem mais ouvir, é um som que faz a pessoa pensar. Deus é um Deus de raciocínio, o criador do livre-pensamento. E tal coisa funciona melhora na ausência total de pessoas, barulhos e distrações.

6 de agosto de 2008

Te cuida do alçapão

Não é fácil alçar vôo. Tem muito alçapão por aí e perigo por todos os lados. Aquilo que nos alimenta e protege é nossa prisão. Ainda que tenhamos consciência de nossa condição de prisioneiros, sabemos que é só na segurança da gaiola que temos sombra e água fresca. Não queremos alçar vôo.

No centro da nossa ilusão há somente uma grande e assustadora roda que prossegue girando e girando. Nós é que a movemos. Estamos todos correndo dentro dela, como ratos. Ela tem muitos nomes, muitas faces. Alguns a conhecem como trabalho, outros a chamam de família, outros ainda de igreja. Cada um acredita-se livre do outro, mas estão todos juntos. Seja qual for o nome, o destino que nossa ilusão criou é o sucesso, o caminho é a performance e o guia a segurança e o conforto.

A loucura daquele homem que não tinha onde reclinar a cabeça foi convidar-nos a voar. Mostrou-nos a porta da gaiola aberta. Xô, disse ele, voem, libertem-se. Abram mão do alimento, da segurança, da proteção, do sucesso, da glória. Só assim serão livres.

Pobre infeliz. Não sabia que ninguém o seguiria por isso. A liberdade é nosso maior inimigo. Tranquem a porta, joguem a chave fora. Quem teria coragem de voar?

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Achei A Trilha, e uma referência a Paulo Brabo.

5 de agosto de 2008

Troque seu orkut

Recomendação do dia: troque seu orkut por alguma ferramenta da internet.
• TWITTER: poste imediatamente sem ter que entrar no site.
• PLURCK: a mesma coisa que o Twitter, mas em ajax e mais da hora
• FLICKR: fotos que podem ser muito mais elucidativas que palavras
• FOTOLOGS: a mesma coisa, só que sem estilo
• BLOG: blogger, wordpress ou o futuro broguiblogs, você já sabe o que é.

Razões para esse incentivo:
• Postagem imediata de idéias: você posta alguma coisa interessante e o máximo possível de pessoas verão.
• Amigos sempre alertas: eles sempre vão saber o que você colocou, desde que o faça diariamente
• Privacidade: não via ter neguinho te sacando, especialmente ex-namorados
• Elitização: O orkut tá cheio de gente que nem sabe o que é computador e sem noção. Vide o pérolas do Orkut
• Postagem por telefone: mais fácil de configurar, impossível.

Além do que, você pode fazer parte de comunidades como o Technorati e o Blogblogs, onde você preserva sua privacidade, não publica nenhuma idiotice e ainda pode ter tantos fãs como no orkut. Só que com maior abrangência.