29 de fevereiro de 2008

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Há dias em que tudo o que mais queremos é ir pra casa, e passar o dia todo fazendo coisas que nos agradam. Não porque o fim de semana está aí, porque usualmente, o bendito fim de semana está cheio de afazeres, quase que um ritual, que impede um bom descanso.

O pior no trabalho não é o fato do cansaço, da carga, ou das pessoas que nos cercam. É quando a coisa vira rotina, e nada mais é possível fazer, senão obedecer.

Eu estou gordo, graças á comida e minha predisposição genética. Parece-me que os esforços físicos de antes, quando ganhava pouco, me eram mais caros que um saláriozinho mais altinho.

Há dias em que o que mais queremos fazer é voltar pra casa, namorar um pouco, brincar outro pouco, e passar um dia sem ter feito quase nada, e ver que desligar o telefone, a internet, e não ser encontrado por um dia inteiro. E as outras pessoas, exasperadas por não te encontrarem, virão com suas queixas, e com todo o desprezo do mundo, serão jogadas no ar, pois em meus ouvidos não entrarão.

Hoje, pra mim, é um dia assim.

28 de fevereiro de 2008

Anywhere

Existem canções que me dão um certo dejá vu; como se eu já tivesse ouvido essa ou aquela canção em algum lugar do passado, ou que criam em mim essa impressão, dada a atemporalidade que o compositor conseguiu criar.

O problemático e depressivo Evanescence, que agora faz um sucesso tremendo entre roqueirinhas de butique, emos e adolescentes que acham legal estar deprimido já fez coisas muito melhores, sem o dinheiro e os recursos que possui hoje. Ainda na formação Amy-Ben-Hodges, eles conseguiram criar algumas canções cujas letras são melhores que Good Enough, cujos arranjos são melhores que todo o disco Fallen.

Vou citar algumas: Fields of Innocence, cuja cadência lenta, e letra realmente interessante - não aquelas coisas de "você em abandonou na escuridão" - evoca a dor da maturidade, e a tristeza que o conhecimento e a experiência trazem. Bem, o livro inteiro de Eclesiastes fala algumas coisas sobre isso.

Before the Dawn conseguiu criar uma melodia ascendente, e o "iiii" que Amy Lee faz no fundo, eu nunca ouvi nada parecido em nenhum dos discos deles.

Anything for you foi relida e "atualizada": a grande massa a conhece como sendo a faixa Lacrimosa do disco novo.

E, por fim, a belíssima e extremamente melosa Anywhere. Segundo Ben Moody - o responsável por quase todas as músicas antigas - é uma canção matrimonial. Mas ao escutá-la, a guitarra me pareceu familiar, como se já tivesse ouvi isso, em algum canto. Bem, talvez tenha, pois uma vez que a internet é infinita em alcance, alguém em algum lugar, por ter tocado esa música e eu posso ter ouvido.

O EVN de hoje não é nem sequer a sombra da beleza e da sonoridade que foi no passado. A saída de Hodges, a demissão de Moody e a ascenção de Lee criaram uma banda impossível, dependente de computadores e playbacks, e o que antes era uma banda, virou uma única pessoa.

Baixem os discos antigos, e curtam um som menos tratado, mais seco e real, possível, e não a coisa quase pasteurizada que lançam pra nós ouvirmos. Além disso, quando há arte pela arte, e não como um meio de ganhar dinheiro, parece que a coisa soa melhor, mais bela. Basta ver as letras dessas canções.

27 de fevereiro de 2008

Uma carinha nova...

Bom dia, senhoras e senhores

Eu estava devendo uma reformulada no template há algum tempo, pois tinha gente me linkando que eu não estava, haviam sites que eu nem entrava mais, sites que deveria constar entre meus links, e coisas do gênero. Além disso, aquela foto do Gilad, apesar de linda, não é minha, e não vou roubar arte de ninguém.

Assim sendo, o The Godspeed ganhou uma carinha novinha, que não deve nada pra ninguém, onde após horas sendo espancado pelo CSS, eu pude fazer a coisa funcionar.

O conflito que havia entre o Firefox e o Iexplorer foi resolvido em partes, pois ainda há pequenos detalhes a serem consertados, afinal, é um template que não foi pego num site, e nem copiado... é, eu estou orgulhoso, podem falar.....

Além disso, o uso da fonte trebuchet na tabulação é uma lembrança do primeiro template que fiz, modificando o primordial do Blogger e personalizando. Quem sabe, num futuro próximo, eu use de novo o logo que eu criei....

Bem, é isso. Agora vou trabalhar um pouco na divulgação desta coisa, quem sabe, entrar na blogosfera cristã - não que eu faça questão, mas fazer o quê, não é mesmo? - e ver o que mais é possível fazer com um blog.

Ah, antes de ir, eu matei o Luz707.blogspot, também conhecido como Godspeed Mobilis. Agora ele é um Flickr, como pode ser visto ao lado. Eu vou usar aqueles recursos para mostrar, sempre que der, álbuns novos feitos com fotos de celular.

Godspeed ya!

21 de fevereiro de 2008

De volta

"Seu João tinha um boteco, freqüentado por todos no bairro. Quando morreu, ele foi para o céu. Um dia, entediado, ele perguntou para São Pedro:
- Ando meio entediado... poderia abrir um bar, para distribuir melhor o vinho, e criar um lugar legal pra conversar?
- Ótima idéia, seu João. Eu mesmo vou te ajudar.
E assim, seu João abriu um bar no céu. Vendeu muito vinho, e ficou impressionado com os freqüentadores. O prórprio Jesus aparecia pra beber um vinho, quando se cansava de transformar água.

E como é peculiar ao ser humano, seu João pensou: "se aqui eu vendo bastante, imagine no inferno?? vai ser muito vinho!"

Assim, ele convenceu São Pedro a abrir uma concessão, para que o seu João vendesse bebidas nos redutos do Cão.

Quando chegou lá, e armou sua barraquinha, ele viu que apenas algumas almas penitentes vinham beber. Teve um prejuízo um tanto grande, e foi falar com o Demônio:
- Ei, eu estou aqui há uma semana e não vendi nada de bebidas aqui. Pode me explicar porque?
- Ah, claro - disse o demônio - Aqui a maioria é crente."

Embora a piadinha seja um tanto violenta, e até mesmo dê margens para más interpretações, ela exemplifica muito bem uma coisa recorrente nos manuais ecelsiásticos - evangélicos, claro; católicos não têm muito desse problema - as proibições.

Eu não vou citar atos como beber ou o sexo, vou falar mais, digamos, genéricamente, tipo aquelas dicas de horóscopo, que falam e falam e não falam nada.

É certo que o Pai colocou autoridade sobre nós, e devemos obedecê-las. Entretanto, eu creio que haja uma certa discórdia entre quem nos lidera e quem nós somos. Uma vez que somos imperfeitos, sempre teremos problemas com esse tipo de coisa. Eu mesmo só me submento á uma autoridade se ela me convencer que merece minha vassalagem ou é meu pai ou mãe. (daí, já se vê como fui bem visto na minha igreja....)

Reconheço que as regras existem para tornar algumas decisões mais fáceis, tendo em vista não apenas o bem comum - leis cívicas e criminais - mas também manter os fiéis longe do chamado "pecado" - coisa que um dia eu vou discorrer, sobre como a Bíblia é um livro em si mesmo, como ela possui a condenação e a salvação e ela basta em si mesma - e dos riscos de denegrir a imagem de Cristo.

Bem, sou adepto de um um bom vinho, amo Smirnoff Ice, e não sou lá muito apegado ás minhas coisas, e apesar de minha retórica pífia, solto um palavrão quando não me lembro de pensar antes de falar. Minha igreja proíbe a bebida alcóolica. Reconheço que a proibição é uma coisa válida, mas até onde vão as regras, e até onde vai a conversão verdadeira?

Outro dia eu estava pensando: o que torna um cristão mais da hora que uma pessoa normal? O que é a tal "liberdade em Cristo"?

Essa pergunta foi respondida por um crente de 6 meses, desses que vão na igreja 9 vezes por semana. Ele disse algo assim "antes, eu bebia, fumava e trepava para provar pra mim mesmo e para os outros que eu era bom e fodão.
Hoje, além de reconhcer que excesso de alcóol acaba com seu fígado e que a fumaça dá câncer, e que o sexo em demasia cria filhos em desconhecidas e doenças venéreas; eu posso fazer tudo isso sem ter que provar nada pra ninguém. Posso degustar um bom vinho sem ficar bêbado de virar a garrafa. Pulo o cigaro pois esse faz mal mesmo sendo pouco. Posso transar pois o o sexo é uma celebração da vida - e a liberação de endorfina mais divertida que já vi. Mas se eu for fazer essas coisas, serão medidas para ver se não estarei usando meu corpo para uma atividade degradante, que se valerá em si apenas, sendo vazia. E se, acima disso, se não é algo que Aquele a quem eu sirvo não gostaria que eu fizesse. Posso fazer tudo isso, mas já não vivo mais apenas para as baladas e para as mulheres. A vida passou a ser um pouco mais profunda."

Fala sério, que pregação você ouviu que disse isso, de forma tão concisa e direta, sobre a passagem de São Paulo sobre "tudo me é lícito"?

A liberdade em Cristo é uma das coisas mais mal entendidas na história da Igreja. Não que eu seja um mister, mas em tudo deve haver moderação e raciocínio. Apesar de curtir vinho e vodka quase sem alcóol, eu nunca caí de porre, mas já acordei com uma ressacazinha. Ora, uma vez que há coisas boas para se aproveitar, porque não?

Se a religião é o medo recorrente de que alguém, em algum lugar, seja feliz, é porque o domínio de regras e de julgamentos superou o lugar de Cristo no centro das coisas. Uma vez que viver de acordo com regras e leis criadas por velhotes - senão defuntos de 1950 - é mais fácil que pensar, usando pra isso o expediente de Cristo, antes de agir ou falar, os ditadores se tornam mais bem vindos que o próprio Deus.

Mas há que ter cuidado. Quando li O Evangelho Maltrapilho, de Brennan Manning, eu vi ali um artigo estupendo sobre a Graça do Pai, sobre a misericórdia - compaixão pela desgraça alheia - e a vontade que Deus tem de trazer todo o tipo de gente - do gentleman á gentalha - para o Palácio. Mas, enquanto na conversão, tudo isso é manifesto, a convivência guarda algumas coisas.

Primeiro, que Deus te ama, mas não vai evitar que o preço de seus erros te alcancem. Mas sim, ele vai é dar força e paciência para pagar por eles, pois a vida cobra o preço dela. Segundo, que se você, por mais que se diga crente, não deixar seus maus hábitos - bebedeira, fumo, sexo casual, roubos, furtos, mentiras - seu nome não consta no Livro da Vida, só você que acha isso. É preciso haver contrição, e deixar as práticas antigas - e maléficas - de lado. As benéficas ficam onde estão.

Liberdade traz uma palavrinha lazarenta consigo, mas é o dispositivo que atesta sua possibilidade: a responsabilidade. Eu posso fazer que me dá na telha, mas eu não vou fazer aquilo que eu sinto que não devo fazer. Esse sentimento é aquela vozinha que te deixa meio receoso. Não é o cagaço do bungee-jump, é justamente um medo meio diferente, meio inquieto.

É por essas e outras que eu insisto: não leiam livros de crentes sem antes lerem O Livro. Quando, no meio de um salmo você encontrar a palavra "Selah", faça justamente o que ela diz: reflexão. O ato de pensar e de refletir sobre oq ue se lê, pensar nas coisas a serem aprendidas antes de praticadas, de conhcere o outro é uma coisa muito pouco observada nos templos.

O conceito de liberdade do "pecado" que nos é incutido é uma coisa meio sufocante, sem margem para elucubrações. Pode imaginar a mente de qualquer adolescente, que quer conhecer a vida, mas suas convicções passam a ser venenosas quando interrompem esse período da vida; e ai chega aquela decisão de sair da igreja, e quando aparece de vez em quando, é mal visto.

O Pai nunca condena alguém. Essa pessoa a si mesma traz sua condenação. O que ela fez aqui, será pago ou retribuído aqui, pois essa é a lógica da vida. Mas na busca por alguma coisa mais duradoura, algo um pouco mais profundo que acordar pela manhã e ir dormir á noite, muitos perdem partes importantes de si mesmos, e devotam bons anos de suas vidas a instituições que nunca lhes darão o crédito por seus esforços. Mas, se nos baseássemos nas pessoas, igrejas seriam meramentes clubinhos, onde o importante é ser político para ser amigo íntimo do dirigente.

Entretanto, é normal vermos aqueles se devotaram serem retribuídos na surdina, sem grandes alardes. Falo isso pois tal coisa é real. Como disse São Paulo, se não houvesse ressuirreição, que tristes homens seríamos. Mas como ela houve, há uma razão para tamanha devoção.

O desperdício da vida com leis e regras não criam pessoas benevolentes. Criam monstros cruéis e rancorosos, incapazes de olhar para quem precisa de ajuda, cerca o pensamento e oblitera as ações, criando autômatos. Aí, quando alguém volta á igreja, depois de anos de abusos, e recomeça, essa pessoa é invejada. Não porque ela fez tudo o que tinha direito, mas que realmente houve conversão, e por tabela, alcançou misericórdia.

O irmão do filho pródigo pode ser considerado aqui. Sempre esteve com seu pai, e quando seu irmão volta, fica ressentido por nunca ter ganho um banquete. Mas ele se esquece que seu pai o conhece, e confia nele muito mais que em seu irmão. E, acima de tudo, sabe que não precisa fazer nenhuma festa pra garantir que não haja uma recaída.

A moderação cabe em todos os lugares, e o raciocínio muito mais. Eu saio e me divirto, mas não ao ponto de acabar me ferrando. Bebo, mas nunca vou sair um dia para vomitar na calçada, afinal, a melhor forma de aproveitar o que há de bom é não exagerar. No exagero, há problemas grandes, e um deles é o vício.

A volta é um caminho duro, tanto para quem volta quanto para quem nunca saiu. Para quem volta, largar tudo e recomeçar. Para quem assiste, engolir o ego e ver que as experiências quem que volta traz nunca são das mais felizes. Claro, tem algumas que são, mas nem todas. Ser cristão não significa ser um idiota. Mas não significa ser um devasso. Significa, apenas, que apesar de sermos humanos, somos pequenos cristos, e como tais, devemos agir como quem nos dá seu nome. Os retornantes devem ser brindados. Quem está dentro, não precisa de leis e de regras. Usar o expediente de pensar antes de agir, de sorte a não denegrir quem se segue, é a lei que deveriam ensinar nas escolas dominicais.

13 de fevereiro de 2008

Amedrontados

Antes, se vendiam produtos na base da amizade e do convencimento: meu inceticida é melhor, pois ele mata mais rápido. Esses dias, eu vi uma propaganda, onde o inceticida era promovido como sendo o criado de uma "bolha de proteção". Ele sintetizou, numa imagem simples - uma casa de classe média-alta imersa em uma bolha - a soma do medo geral.

O medo é a mais poderosa arma da publicidade atual, seja para vender um produto, seja para erguer uma ideologia - eu não vou citar Bush -, seja para se manter no poder. O medo é uma arma impressionantemente forte, pois ele torna as pessoas idiotas e abertas: elas emburrecem, pois não têm mais a coragem pífia de ir conversar com aquele rapaz não tão bem de vida quanto você, e se abrem: somos hoje capazes de dizer até qual nossa frequência de sono, se isso for uma premissa para a segurança.

O que é o celular? uma caixinha de metal, que simboliza, cada vez mais, o medo. Não que seja ruim ter um artefato tecnológico nas mãos, mas se antes, íamos á baladas e saíamos sem celular, hoje, em função do medo, ficamos escravos da caixinha, pois com ela, a comunicação é direta e sem rodeios, mas, como eu disse, te abre para invasões. E os telesequëstros? E a sua agenda telefônica? E a grana que você gastou no aparelho?

O que são os shoppings? Não são lugares feios, como os camelódromos. São recônditos de compras com SEGURANÇA. Mesmo? No maior shopping de Campinas há assaltos, houveram estupros, roubo de carros... me diga, onde está essa segurança?

O medo idiotizou as pessoas, e nós não conseguimos ver mais nada. Não vemos que o medo nos deixa cada vez mais preocupados, estressados, imediatistas, e abertos para governos e empresas inescrupulosas. Suas informações pessoais estão voando, de empresa em empresa, e elas já sabem quem você é. O medo não nos deixa ver que estamos excluindo cada vez mais a massa pobre, e ela vai se revoltar. O medo quer afastar essas pessoas escuras e feias, pobres e pouco letradas, e que graças ao nosso desgoverno, vêem cada vez mais alguns elementos se embrenhando no crime, certos de impunidade; e ainda graças ao nosso desgoverno, cada vez mais elementos deixando de trabalhar para viver das Bolsas-esmola.

O medo geral - que nos colocou em condomímios, botou grades em nossas janelas, comprou celulares - está sendo administrado e muito bem usado. Somos hoje um mundo amedrontado. Medo da violência, ao invés de parar com as esmolas, e protestar, ou fazer uma vaquinha para presentear os policiais do bairro. Medo do governo, ao invés de boicotarmos o Estado e grudarmos no saco dos deputados de senadores que colocamos em Brasília, ou cobrarmos as promessas do vereador. Medo do patrão, ao invés de cobrarmos nossos direitos.

Medo. Medo total. O medo é um perfume emanado do povo, aspirado com voracidade pelos governantes. O medo é a picanha suculenta no prato das empresas, ávidas por lucros e por saber quem são seus clientes, e qual seu poder de compra.

O medo abriu nossa vida para cada vez mais medo.

12 de fevereiro de 2008

Hora extra

O computador está diante de mim, ligado, exigindo que eu trabalhe. Já passou do horário de ir embora.

O monitor se escancara luminosamente na minha frente, me mandando trabalhar mais. Há coisas pra fazer, coisas que dizem não poder esperar. Como um simples pelego, mão-de-obra barata e dispensável, tenho medo de perder o emprego que muitos gostariam de ter, e que alegam não reclamar caso estajam num dia ruim, e esse dia seja um dia de hora extra.

Mas esses muitos não estão aqui, usando essas roupas nojentas - odeio, odeio roupa social, os sapatos ainda enroscam no chão, a camisa insiste em dizer que estou mais gordo - debaixo desse ar-condicionado glacial, sozinho, esperando minhas obrigação desembarcarem. Aqueles que me prenderam aqui não se pronunciam, pois assim que o deles estiver limpo, eles irão embora correndo, eu acho, salvo raras e piedosas exceções.

Minha mente gira, furiosa. É como se milhares de vozes ao meu redor estivessem rindo de mim, me escarnecendo, pois não posso explodir de raiva diante das idiotices que encontro em meu trabalho, sejam pessoas, sejam atitudes, sejam problemas operacionais.

Entretanto, segundo diriam os mais velhos, esse é o emprego que muitos gostariam de ter. Não duvido. Mas hoje não é um bom dia, e estou muito irritado. se eu não estivesse usando estes sapatos, eu iria á pé pra casa, apenas para arrefecer minha cabeça. Afinal, os da minha casa, meus amados, e meus amigos não têm que arcar com meu mau humor.

Bem, hoje é dia de hora extra....

6 de fevereiro de 2008

Momento Clarah Averbuck

(Me baseando nos devaneios que leio no AdiosLounge - por onde passo quase todos os dias, salvo sábados e domingos - esta aqui tem alvo correto a ser acertado.)

Sabe o que é passar vários dias a fio sem fazer o que você realmente quer? Vendo o que você quer, ouvindo, sentindo, mas sem poder ter.

Hold me.

aquele par de olhos que derretem alumínio, aquela voz de caramelo....sem mencionar o resto....ah.....não foi a saudade que bateu forte não....foi ela mesmo.

Thill me.

Após ficar 7 dias sem fazer a barba - pra mim ótimo, pois odeio me barbear - o cansaço dela ia ficando aparente. A voz estava ainda mais caramelada, os olhos estavam baços...mas ainda me impressionavam.

Kiss me.

a volta. Ah, a volta...afinal, eu me senti - não que seja fato - necessário. Alguém tinha que estar lá para lhe dar alguns minutos de sono mal-dormido, mas que garantiriam um leve estado de torpor até seu filho dormir.

Kill me.

e de repente, lá estava ela, viva e linda, do meu lado, dormindo - ou tentando - no meu ombro. Milhares de quilos de culpa desabaram sobre um único ombro, tranformando um toque leve em uma leveza insuportável.

Mulheres detém o controle sobre os homens. uma única migalha de atenção que ela me dispensou, e esta tornou-se um troféu. tem vezes que eu detesto ser tão racional.

1 de fevereiro de 2008

O Bom Combate

As histórias sobre Roraima e o roubo de nossos recursos naturais, as notícias velhas de corrupção e blábláblá... bem, eu li sobre o boicote ao IPTU no Rio de Janeiro.

Pense na cara do César Maia ao ver a quantidade miniaturizada de arrecadação, e em suas coerções para com os órgãos de imprensa para não divulgarem. Pois, se essa coisa dá certo, abre-se um precedente: os cidadãos conseguiram que o prefeito olhasse para o que eles querem que ele olhe - e acredite, o Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, está ficando feia de tanta favela subindo. Tem uma subindo no Dois Irmãos já.

Imagine que coisa linda, protestar atacando o bolso do "guverno": sem IPTU, a prefeitura não terá dinheiro, e ainda assim, é obrigada a divulgar os números de arrecadação entre pessoas físicas e empresas, o que ainda assim, será uma arrecadação alta. Com isso, pode-se cobrar o enxugamento da máquina administrativa, com fim de cargos inúteis - o cabedal de empregos pra sobrinhos - e qualquer coisa superfaturada sofrerá profunda investigação, afinal, a arrecadação ficou muito menor, e o povo está sabendo quanto a prefeitura recebe, quanto custam as obras a serem feitas, e quanto custa manter a estrutura necessária.

E se esse protesto chegasse aos carros? O maldito IPVA - injusto e caro - sendo boicotado em massa. A indústria da multa sendo emperrada por falta de pagamentos.

Já pensaram no rombo dos cofres estatais, se não houver arrecadação do Imposto de Renda?

Aquilo que eu mencionei no parágrafo acima, sobre as prefeituras, assumindo proporções nacionais, e não apenas municipais. Imagine o governo TER QUE INVESTIGAR OS SENADIRES, DEPUTADOS, MAGISTRADOS e o diabo a quatro, porque não tem mais de onde tirar dinheiro? ter que abaixar os salários deles?

Claro que haverá revide desses salafrários. Vão brigar, vão colocar leis, e vão afzer um monte de coisas que o aparato estatal lhes fornece. Aí que entra a DESOBEDIÊNCIA CIVIL. Todos do Brasil não obedecendo as leis, não pagando impostos, e se organizando tanto para protestos como para se proteger. Uma vez que o governo se coloca contra seu povo, o aparato militar é acionado. Aí, começa uma cadeia de eventos (alguém aí pensou nos dominós em V de Vingança?) onde o povo - numeroso e desarmado - não será massacrado por gorilas de farda, pois isso acabaria com a imagem do governo diante dos olhos mundiais.

A corrupção é um mal que atinge todas as camadas da sociedade bazuca, há séculos. Afinal, como conseguir algo da máquina estatal sem um certo "incentivo"? Fomos acostumados com esse modo de vida, no jeitinho. Esse "jeitinho" se reflete nos altos escalões do poder.

Esse bom combate só pode ser possível se ele começar exatamente de onde emana o poder. Se passarmos a parar com essa de ajeitar as coisas, e passarmos a CONSERTAR as coisas, o governo refletirá exatamnte o que somos. Afinal, cada povo tem o governo que merece.