15 de janeiro de 2008

Mobilis in Mobili

ou: a telinha da vez.

Recentemente, comprei um celular novo. Caro, metido a besta, e que só falta falar sozinho. É impressionante a quantidade de recursos que o bichinho tem. De uma câmera fotográfica razoável até leitor de RSS.

Mas essa postagem não é (só) pra me gabar. É pra falar tanto do mau uso desses recursos - sério, nunca vi tanto dente azul ligado por aí - tanto das coisas que estão inventando para ocupar a telinha minúscula dos celulares.

Por exemplo; além de toques e de imagens de fundo, uma coisa que estão colocando - aos borbotões - para baixar no telefone são joguinhos e aplicativos. Eu mesmo tenho Opera Mini - um navergador de internet -, o E-Buddy - msn celular -, e uma Bíblia miniaturizada. Posto que as conversações entre celulares e computadores está muito grande, esse tipo de coisa fica cada vez mais fácil de se obter.

Agora, uma coisa que tem aparecido - pouco, mas tem aparecido - são videos voltados para telefones celulares. São vídeos pequenos, de curtíssima duração, justamente para caber na telinha - e na paciência curta - dos novos espectadores da nova tecnologia.

A pergunta é: isso funciona?

Claro que sim. Uma vez que os celulares com bluetooth estão cada dia mais comuns, e suas capacidades de armazenamento e processamento ficam melhores, as tecnologias convergem cada vez mais para as coisas menores. Lembram-se dos Palms? pois é, tecnologia velha, pois agora, qualquer 500 reais compra um telefone com mais recursos - e design - que um palm. A principal prova disso são as Blackberries, entupidas de dispositivos e aplicativos, que deixam meu desktop do trabalho vermelho de inveja.

Imagine que você acompanha uma série pela TV. E se tivesse uma série paralela, com episódios de 2 minutos, com os personagens dela, e que tal mini-série completasse a da TV? Não gostaria de poder assistí-la? Você vai no site, baixa um pacote com 10 episódios, dando um total de uns 10mb, coloca no seu telefone e sai. No buso, numa sala de espera, numa palestra ou aula chata, você pega seu telefone, coloca o foninho e assiste. E com toda a facilidade do mundo, você fecha o player, e manda mensagens pra galera. Ou pior, seu colega do lado liga o bluetooth, e mais um cara tem os episódios - ou mobisódios, como já existem - da dita série de TV.

Com a câmera, você sai por aí batendo fotos das coisas que vê. A lomografia ganha novos aspectos, agora no sonho realizado de Eastman. E a cada boa fotografia, você as publica na internet - no meu caso, o Godspeed Mobilis -, e cria um álbum virtual de fotografia, seja para mostrar momentos interessantes, coisas legais ou exibir-se mesmo.

A filmadora - que quase nunca tem boa resolução - é hoje usada não apenas para gravar bobagens ou momentos constragendores alheios. Há competições e festivais de filmes para celulares, numa demonstração de que o pequeno aparelho está não apenas fazendo ligações ou dando status: é uma ferramenta de expressão, ao ponto de poder ser utilizado para contar histórias, mesmo que historietas.

É verdade,e concordo com quem diz, que a invasão de privacidade pode ficar cada vez maior, posto que voyeurs podem usar suas câmeras para filmarem suas vítimas, e coisas assim. Bem como a criação de vírus para mandar via bluetooth, o roubo de dados do telefone, a perda dos cartões de memória e consequente mau uso deles. Cada vez maior, a tecnologia fica cada vez mais perigosa de se usar. E como o medo é o pior conselheiro, sabe-se lá o que pode vir a acontecer como medidas de segurança...

No entanto, a telinha mostra que dados estão sendo transportados com mais facilidade, e estão sendo compartilhados por cada vez mais gente. Agora, se caiu alguma coisa na internet, dependendo do tamanho, a turma dos celulares também terá. O cinema vai começar a fazer trailers especiais, voltados para celulares, e as séries de TV vão ganhar novos episódios. Lost já ganhou uma coisa parecida, os mobisódios, de curta duração, explorando algumas situações na ilha.

Fora que isso, para a indústria de celulares, é ótimo: celulares cada vez mais potentes, busca cada vez maior, gera o canibalismo digital, onde o seu poderosíssimo telefone de hoje será jurássico no mês que vêm. A volatilidade da informação vai gerar uma busca incessante por backups automáticos, que podem já vir com bugs, justamente para continuar alimentando a industria digital.

O novo mundo digital é lindo: conecta as pessoas, é rápido e simples de usar, a informação na velocidade do pensamento. Tudo na palma da mão, e conectado com o computador. Mas gera necessidades cada vez mais estranhas, e nem sempre tão necessárias assim, como gastos com cartões de memória, atualizações de software e coisas do gênero. Enfim, o admirável mundo novo está cheio de coisas interessantes e cheias de recursos. Mas desde que você pague por eles, e seja sábio ao usar. Ou as punições serão tão inovadoras quanto os celulares.