28 de janeiro de 2008

A verdade atrás das caixas de som

Num dos meus posts, em algum lugar - preciso recolocar o sisteminha de busca - há uma frase contundente, que diz assim: Puritanismo é o medo recorrente que alguém, em algum lugar, seja feliz.

Não que seja uma obrigatoriedade igrejas serem sensacionalistas, mas algo com certeza é recorrente: os grandes templos tem perdido parte de seus valores para não perderm seus fiéis.

Dou-lhes um exemplo: os adolescentes agora tem tido freqüentes problemas com homossexualismo. E não estou falando de homens, mas meninas que se sujeitam sexualmente á outras. E dentro de alguns dos lugares que deveriam ser de aconselhamento e de remissão, para que a pessoa possa ser o que nasceu sendo, e não que acha que deveria ser, tem se tornado locais permissivos.

Aliás, já cheguei a ouvir que pessoas do lado de fora da igreja, londe da vida religiosa são ás vezes mais decentes e melhores companhias que os que estão ao seu lado na igreja. E não estão muito longe da verdade: há jovens que - ora vejam só - são virgens por escolha, e não por imposição da vida religiosa.

Vejo que a decência e a vida honesta pode, em muitos casos, passar ao largo da porta de uma igreja evangélica. Tendo em vista quem está em voga: pregadores metidos á besta, cantores com acessos de estrelismo, inúmeros produtos com o pretexto de serem voltados para crentes, vejo que o esforço calado de algumas pessoas surgem como elixires de boa vontade, um mundo crente cheio de forçações de barra.

Os templos pequenos querem ser grandes. O grandes querem ser ainda maiores - e em ambos os casos, ocorre o abandono das pessoas. As gravideses adolescentes e o homossexualismo em tenra idade é um exemplo do que pode acontecer sem orientação, educação e alguns puxões de orelha. E eu nem vou entrar no mérito de que muitas vezes, são jovens criados, e não educados e ensinados por seus atarefados pais, mais preocupados com coisas que com valores.

De fato, a religião sucks. Esquecem-se do objeto adorado, do Deus que dizem ser verdadeiro, ao qual direcionam suas quase exigências de empregos, dinheiro e saúde. Fiando-se em versículos - algumas vezes, pinçado de um contexto - para basearem suas petições terrenas, saciarem suas necessidades, reais ou criadas, culminam por parar de procurar a verdade, e acabam por achar que a encontraram. Terry Pratchett, neste ponto está correto.

Milhares de crentes correm de templos em templos, atrás de "bençãos", "curas" e "unções", e não gostam quando sofrem chacota dos outros. Herdando hábitos de vestimenta gringos - afinal, aqui fala um cara que detesta ternos - passam a impor os ensinamentos, obtusos em muitos casos, em sua casa. A opressão que muitos sofrem são por simplesmente pergutarem alguns porquês. e como líderes não gostam de ser desafiados por palavras , não raro ouço relatos de intolerância e humilhação por parte dos seres mais inquisidores da raça humana - os adolescentes - simplesmente por querem saber.

Enquanto isso, Deus no céu. E que fique lá. Ele com sua graça acessivel á todos, sua justiça que faz o desvirginador ter tudo o que o dinheiro compra pois trabalha feito um condenado para tal, que faz a prostituta poder pagar um bom colégio aos seus filhos. Sua graça que aceita todos como estão afim de melhorá-los, mas que ainda assim permite que as conseqüencias de seus atos passados os alcance e cobre seu preço. O Deus Conosco é rejeitado, pois não tem as feições que muitos querem: austeridade, poder, força, punição.

Como explicar a felicidade da mãe solteira, cujo filho a ama? como explicar que aquele cara que quase nunca vai na igreja tem o que tem? Deus não está preocupado com o que você quer, pois isso você mesmo pode conseguir. O trabalho está aí pra isso, e o impossível jaz em mãos inertes. O dinheiro deve ser bem administrado. Ele não disse, em momento algum, que tudo seria um mar de rosas, mas que fome você não iria passar. Doente, até Jó ficou. Mas Yaweh sabe que a solidão é a pior amiga de um homem, por isso criou os laços de amizade. (devo colocar que sou muito grato a eles, senão eu já estaria morto....). E no quesito solidão, também cabe o amor de uma mulher por um homem, que vai muito além dos orgasmos.

Esse Deus, parece esquecido, acessível apenas aos que não querem crescer na vida. Os que não tem cetros de latão benzidos com vaselina (nada de imaginações aqui). O Deus pregado aos quatro cantos é o próspero e permissivo, e não o amante justo. Posto que seu principal representante - Yeshua ben Yosef, ou simplesmente o nada sonoro nome Jesus - não colocou nenhum mandamento, a não ser reunir os que já haviam numa só frase, ele não soa muito bem quisto por essas paragens.

O Deus permissivo - que foi criado pelo homem - fecha os olhos pros problemas na família, quer seu dinheiro e sua fé cega, sem estudo. O "apóstolo" é um anjo, o líder de louvor é um sacerdote e outras porcarias do evageliquês. Esse Deus é quase um gênio da lâmpada, que faz o que os homens mandam em suas orações determinantes. Ele pune os infiéis, expulsa os doentes da igreja, humilha os perdedores. Milagres são com ele mesmo, pois ele adora se exibir - mesmo que tenha seu crédito roubado por algum "bispo".

O Deus rejeitado é simples e direto. Ama, incondicionalmente. Quer apenas que as coisas que foram feitas sejam deixadas de lado, e não voltem a serem feitas, de forma que a pessoa pode alcançar redenção. A graça - gratuita - que traz os arrebentados e destruídos para a reconstrução, ou usando uma palavra que aprendi com Guimarães Rosa, para a benfazeja. Ele permite que os problemas alcancem seus filhos, afinal, são humanos e moram no mundo, o que dá pra fazer? matá-los antes do tempo? Desse jeito não teria graça.
Sua graça não é um bilhete de metrô, onde você pode ir pra um puteiro e voltar. Isso é brincar com o que não se conhece, é zombar de Deus. A graça é o presente máximo: com ela, Deus pode pegar os cacos de você e fazer um vitral decente, após limpar aquela mancha - o dia em que você enganou aquela menina -, tirar uns pedaços de madeira queimada - aquela farpa que você soltou pra cima da sua mãe, que ficou dois dias muito consternada, e que ainda não esqueceu a mágoa - e fazer alguma coisa que preste.

Ele vem e te conserta. E você, consertado, vai e conserta as burradas que você fez em seu egoísmo, arrogância e prepotência. E lá vai você pedir perdão á sua mãe, por exemplo. E, esse Deus simples e direto, correto, cujas exigências são simples e até prazerosas de executar - quem não quer uma vida mais leve, podendo olhar seus amigos e familiares nos olhos, e saber que nada mais pesa e que a roupa suja foi lavada sem pancadaria? - que é rejeitado. Em algum momento eu falei de unção, benção ou qualquer coisa assim?

Trabalho, tem. Vai procurar que você acha. Não tente começar ou recomeçar num cargo de gerência, ganhando 5 mil por mês, que você não vai achar. Ninguém começa ou recomeça do final. Dinheiro, como diria minha sábia vovó, não leva desaforo pra casa: então cuide dele, e o gerencie. Guarde o que der, e gaste apenas o necessário. Mas com moderação, pois um jantarzinho mais requitado, uma camiseta mais cara e um presentinho caem bem em nosso ego. E por fim, saúde, bem... esse é um item meio difícil de falar. Afinal, começa com hábitos alimentares melhorados - você não precisa de picanha todo o fim de semana - e termina com a administração diligente dos remédios. Se você esqueceu de tomar o comprimido por quatro dias, não vai ser tomando os quatro de uma só vez que o tratamento vai surtir efeito.

Viu? Templos barulhentos não divulgam simples verdades. Experimente não ir, um domingo, na igreja, mas ficar em casa lendo o Novo testamento. Afinal, igreja só serve pra você ouvir o velho pregar e conhecer outras pessoas da mesma fé, pois não dá pra ser cristão sozinho. Só isso. Se as pessoas começassem a ler a Bíblia com o mesmo afinco que vão á igreja nos domingos, a coisa seria beeeem diferente. Essas teologias babacas não haveriam em tamanha profusão.

Não que Deus não queira te dar presentes - bênçãos, em evangeliquês se achar melhor - ou até mesmo administrar uma cura sobrenatural na sua filha de 5 anos com câncer. Mas se o foco for aquilo que Ele quer, e não aquilo que você quer, a coisa muda. Mas essas passam a ser dádivas bem vindas, e não obrigações divinas.

Bom, pelo menos é isso que eu acho. Sou a favor de uma ortodoxia mais generosa, e não da permissividade e encheções de crentes no meu ouvido. A coisa é bem mais simples, o fardo é bem mais leve. A vida pode ser bem mais que acordar, trabalhar, ver TV, e aos domingos, ir berrar e determinar o que vai cair do céu hoje pra você: se um milhão de reais ou uma Bugatti Veyron. Ela pode ter algum sentido.

Há mais mistérios entre céus e terra do que pensa a nossa vã filosofia. O sobrenatural existe, mas não na escala industrial e impessoal. Deus é um Deus sob medida. E acredite, eu só não cometi suicídio anos atrás porque Ele não deixou. Ele me fez lembrar que o suicídio é o ato supremo do egoísmo.

Agora escolha: o Deus impessoal e pau-mandado, ou o que realmente existe. O que você escolher, vai determinar se seu funeral vai ser divertido ou uma piada de mau gosto.

17 de janeiro de 2008

O Ladrão de bermudas.

Sabe aquelas coisas de criança? pois é, eu tive uma idéia.

"Em mais um dia em que minha irmã esteve doente, eu e minha mãe a levamos á pediatra. Eu tinha uns 12, 13 anos, acho. E consultório de pediatras, é claro, há brinquedos e revistas em quadrinhos, para que os infantes possam não ver a hora passar, mesmo que estejam com dores.

Sobre o tampo de granito, na quina da sala separando os sofás, haviam duas revistas impressionantemente lindas, raras e em perigo. Duas edições especiais: Batman - O dia das Bruxas e uma edição que eu nunca havia visto: Coringa, advogado do diabo. Eu já tinha lido a primeira revista, e assim sendo, minha atenção se voltou para a outra.

Impressas em bom papel, e ambas as revistas em excelente estado, fiquei atônito: como que duas edições desse naipe - uma delas, sem reimpressão até o presente momento - vão parar num perigoso consultório de pediatria? Crianças pequenas não têm noção do valor das HQ`s em questão, e seus dedos melados de baba tranformariam aquele tesouro em papel picado.

Ambas revistas em meu colo, e eu esperando ansiosamente que minha mãe e minha irmã adentrassem a sala da médica, para poder empreender uma pequena aventura: roubar as revistas do consultório, e me apossar daquelas preciosidades, mas o principal: sem que ninguém saiba.

Eu tinha, na época, uma bermuda de bolsos muito largos, costurados á parte. Eram como esses bolsos de calça social, que não aparentam volume. Ao me lembrar desse recurso, eu sabia exatamente o que fazer.

Meus olhos faiscavam de excitação e impaciência. Uma vez que a consulta durava mais ou menos uns 20 minutos, eu tinha um amplo espaço de tempo para esperar, antes de poder ir ao banheiro com as revistas, alocá-las nos bolsos, e voltar, a tempo de que a recepcionista não erguesse os olhos do computador, e tampouco notasse a ausência de duas revistas ali.

Havia também minha mãe: se ela descobrisse que eu havia furtado, me faria devolver, pedir desculpas.... toda aquela canseira sobre honestidade. Mas eu não queria saber: eu tinha que tirar aquelas revistas dali. E tinha que ser tudo muito bem feito, pois elas teriam uma viagem longa dentro dos bolsos, de volta para minha casa.

Passados 20 minutos que minha irmã e minha mãe entraram na sala médica, ouço o som de maçaneta e as vozes de minha mãe e da médica. Rapidamente, fui ao banheiro. Estava na hora de executar meu plano.

As revistas foram postas nos bolsos, mas não dobradas. Elas ficaram coladas na minha perna, e como minha bermuda era larga, o disfarce ficou perfeito. Com o coração na boca, e certo de meu êxito: pois adultos são idiotas, e nunca notam as minúcias dos menores ao seu redor - e acredite, ninguém dizia que haviam duas revistas em quadrinhos nos bolsos, sai do banheiro.

Minha mãe assinava os papéis de saída do consultório. Quando saímos, eu percebi que tudo correria bem: meu tesouro recém-roubado estava bem escondido, e a mente de minha mãe voltada para minha irmã, chegamos em casa.

Nunca meu quarto me pareceu tão amigável, e ao finalmente depositar aqueles tesouros na minha gaveta, me senti um ladrão profissional. Afinal, quem pode com a imaginação de uma criança?"

16 de janeiro de 2008

Morta em Vida

Tem vezes, penso eu, que pessoas podem perder suas vidas pelas razões mais tolas possíveis. Uma mulher perdeu 70 anos de sua vida porque roubou 45 centavos . Algum imbecil, já morto, provavelmente, a acusou de ser louca, e internou-a, na época com 15 anos.

Com uma lei idiota do século retrasado, essa adolescente foi fadada a ficar pulando de manicômio em manicômio, perdendo seu vigor e beleza para gaiolas brancas. Seu pai, em vão - e pobre - não a pode salvar, pois seu histórico havia se perdido: então, como provar que ela não era louca?

Os anos se passaram, um a um, e a mulher os viu passar ao largo. Como em Senhor do Anéis, "até que a velhice e o hábito" a consumissem. Privada de sua vida, ainda em vida, imagino-a sentada numa poltrona, olhando loucos de fato sendo loucos, e ela permanecendo sã, agora surda, com sua mente voltada para aqueles 15 anos de liberdade, seus pais, seu irmãos....

Até que um dia, dois homens grisalhos aparecem em sua frente, e ali se sentam. Suas rugas e feições envelhecidas pelo tempo tomaram a atenção daquela mulher. Ao notar aqueles rostos, o tempo parece voltar, e ela vê as rugas desaparecerem e suas cabeças e corpos diminuírem, até chegarem ao estado infantil. E, num dos pequenos presentes que a vida dá, ela acaba por reconhecer seus irmãos menores.

Os dois homens, atônitos por terem achado sua irmã - agora com 85 anos de idade - vêem que um pedaço de sua juventude poderia ter sido bem diferente, com ela. talvez não tivessem que ser encaminhados a um orfanato. Talvez não tivessem que ter sido separados de sua família. Milhares de "talvez..." povoam a mente dos dois homens.

Creio que não tenho que tentar descrever o abraço que foi, nem as lágrimas que vieram. Essa parte é a mais óbvia.

Entretanto, essa mulher não foi a única a passar a vida presa. Penso naquelas pessoas que foram sacrificadas pelas guerras. Ou naqueles que perderam suas vidas para religiões, vidas monásticas tediosas e enfadonhas. Nas mulheres que se dedicaram anos a um marido que nunca lhes deu valor, até morrerem de desgosto no final. Imagino as milhares de virgens, belas jovens e garotos novos, que perderam seu vigor e juventude por causa de uma ideologia tola.

Há prisões piores que um manicômio. São prisões da mente, onde os ensinamentos prendem mais que qualquer grilhão. Dessas grades, é bem mais difícil se libertar. Ou as prisões do coração, onde o sentimento - seja amor ou medo - impedem qualquer atitude em prol de si mesmo, ou de sua própria segurança.

Essa mulher saiu de sua prisão. Contudo, há os que nunca saíram das suas. Para estes, sobra esperança. Nem que seja a mais vã possível.

15 de janeiro de 2008

Mobilis in Mobili

ou: a telinha da vez.

Recentemente, comprei um celular novo. Caro, metido a besta, e que só falta falar sozinho. É impressionante a quantidade de recursos que o bichinho tem. De uma câmera fotográfica razoável até leitor de RSS.

Mas essa postagem não é (só) pra me gabar. É pra falar tanto do mau uso desses recursos - sério, nunca vi tanto dente azul ligado por aí - tanto das coisas que estão inventando para ocupar a telinha minúscula dos celulares.

Por exemplo; além de toques e de imagens de fundo, uma coisa que estão colocando - aos borbotões - para baixar no telefone são joguinhos e aplicativos. Eu mesmo tenho Opera Mini - um navergador de internet -, o E-Buddy - msn celular -, e uma Bíblia miniaturizada. Posto que as conversações entre celulares e computadores está muito grande, esse tipo de coisa fica cada vez mais fácil de se obter.

Agora, uma coisa que tem aparecido - pouco, mas tem aparecido - são videos voltados para telefones celulares. São vídeos pequenos, de curtíssima duração, justamente para caber na telinha - e na paciência curta - dos novos espectadores da nova tecnologia.

A pergunta é: isso funciona?

Claro que sim. Uma vez que os celulares com bluetooth estão cada dia mais comuns, e suas capacidades de armazenamento e processamento ficam melhores, as tecnologias convergem cada vez mais para as coisas menores. Lembram-se dos Palms? pois é, tecnologia velha, pois agora, qualquer 500 reais compra um telefone com mais recursos - e design - que um palm. A principal prova disso são as Blackberries, entupidas de dispositivos e aplicativos, que deixam meu desktop do trabalho vermelho de inveja.

Imagine que você acompanha uma série pela TV. E se tivesse uma série paralela, com episódios de 2 minutos, com os personagens dela, e que tal mini-série completasse a da TV? Não gostaria de poder assistí-la? Você vai no site, baixa um pacote com 10 episódios, dando um total de uns 10mb, coloca no seu telefone e sai. No buso, numa sala de espera, numa palestra ou aula chata, você pega seu telefone, coloca o foninho e assiste. E com toda a facilidade do mundo, você fecha o player, e manda mensagens pra galera. Ou pior, seu colega do lado liga o bluetooth, e mais um cara tem os episódios - ou mobisódios, como já existem - da dita série de TV.

Com a câmera, você sai por aí batendo fotos das coisas que vê. A lomografia ganha novos aspectos, agora no sonho realizado de Eastman. E a cada boa fotografia, você as publica na internet - no meu caso, o Godspeed Mobilis -, e cria um álbum virtual de fotografia, seja para mostrar momentos interessantes, coisas legais ou exibir-se mesmo.

A filmadora - que quase nunca tem boa resolução - é hoje usada não apenas para gravar bobagens ou momentos constragendores alheios. Há competições e festivais de filmes para celulares, numa demonstração de que o pequeno aparelho está não apenas fazendo ligações ou dando status: é uma ferramenta de expressão, ao ponto de poder ser utilizado para contar histórias, mesmo que historietas.

É verdade,e concordo com quem diz, que a invasão de privacidade pode ficar cada vez maior, posto que voyeurs podem usar suas câmeras para filmarem suas vítimas, e coisas assim. Bem como a criação de vírus para mandar via bluetooth, o roubo de dados do telefone, a perda dos cartões de memória e consequente mau uso deles. Cada vez maior, a tecnologia fica cada vez mais perigosa de se usar. E como o medo é o pior conselheiro, sabe-se lá o que pode vir a acontecer como medidas de segurança...

No entanto, a telinha mostra que dados estão sendo transportados com mais facilidade, e estão sendo compartilhados por cada vez mais gente. Agora, se caiu alguma coisa na internet, dependendo do tamanho, a turma dos celulares também terá. O cinema vai começar a fazer trailers especiais, voltados para celulares, e as séries de TV vão ganhar novos episódios. Lost já ganhou uma coisa parecida, os mobisódios, de curta duração, explorando algumas situações na ilha.

Fora que isso, para a indústria de celulares, é ótimo: celulares cada vez mais potentes, busca cada vez maior, gera o canibalismo digital, onde o seu poderosíssimo telefone de hoje será jurássico no mês que vêm. A volatilidade da informação vai gerar uma busca incessante por backups automáticos, que podem já vir com bugs, justamente para continuar alimentando a industria digital.

O novo mundo digital é lindo: conecta as pessoas, é rápido e simples de usar, a informação na velocidade do pensamento. Tudo na palma da mão, e conectado com o computador. Mas gera necessidades cada vez mais estranhas, e nem sempre tão necessárias assim, como gastos com cartões de memória, atualizações de software e coisas do gênero. Enfim, o admirável mundo novo está cheio de coisas interessantes e cheias de recursos. Mas desde que você pague por eles, e seja sábio ao usar. Ou as punições serão tão inovadoras quanto os celulares.

14 de janeiro de 2008

A agenda dos sonhos

Enquanto escrevo isso, minha colega de trabalho, na mesa ao lado da minha, está compenetrada num tabela excel. Na verdade, esta tabela, lhe é um tanto prazerosa, posto que sua feição quando a encara é muito mais leve e clara, que quando encara outras tabelas, advindas de outras fontes.

Nesta tabela, contém seus projetos. Sonhos, contabilzados e dataos, todos com prazos a serem cumpridos. Numa folha, os seus projetos. Na outra, seus gastos e economias. Na outra, eu acho, os prazos estipulados para alcançar seus intentos.

Entre as músicas - do início dos anos 90 - e os e-mails empresariais, ela mexe em sua tabela, e seus olhos vislumbram o dia em que poderá apagar certas células; como a da geladeira, a da motocicleta, e a mais preciosa: a da casa que ela sonha em ter.

Tal arquivo de Microsoft Office lhe é tão caro, que mesmo seu pen drive não funcionando em seu computador, ela deu um jeito de obter o arquivo, mandando-o de um outro computo que receonheceu o pen drive. Embora não seja um esforço muito grande, ela se mexeu para poder ver oq ue ela queria.

Existem certas coisas na vida que precisam ser pensadas. E minha colega faz isso muito bem. Ao notar esta tabela, contendo seus gastos e suas economias, ela consegue fazer o que o mercado detesta: economizar e poupar. Na contramão das coisas, da Visa e da Mastercard, ela entende que os números positivos de sua conta valem mais que as coisas que o cartão de crédito podem endividar. Criando ódio mortal das financeiras, ela, devagar e sempre, constrói sua vidinha feliz, sem grandes contratempos.

Devo colocar que isso é uma coisa muito interessante. Paulatinamente, temos um dos poucos exemplares de responsabilidade financeira. Uma coisa rara de se achar. 

11 de janeiro de 2008

Os livros e a volatilidade da informação

"Meu avô estava sentado em sua poltrona naquela noite. A energia havia caído, pois os raios da tempestade cortaram vário fios. Mas ele não estava preocupado.

Eu estava no computador quando a energia caiu. Minha decepção ao ver a tela perder sua luminosidade, e todo o ambiente escurecer, foi enorme. Estava lendo um artigo na internet. No andar de cima, minha irmã ouvia músicas em MP3 e tagarelava via MSN com suas amigas. Ela praguejou um tanto quando a energia caiu. Meu pai ouvia música, e minha mãe via televisão. Mas meu avô estava lendo um livro, quieto, e sua leitura estava, aparentemente, muito interessante.

Minha irmã reclamou de um cheiro de queimado em seu quarto. Munidos de lanternas, eu e meu pai procuramos a fonte do cheiro e encontramos: a descarga elétrica queimara seu computador por inteiro, perdendo todas as suas informações. Ela se pôs a chorar:
"Eu não tinha backup das minhas músicas, e meu trabalhos de escola?" foi a frase entrecortada de tristeza que ela proferiu.

Eu me gabei um pouco, em silêncio, pois meu computador estava ligado no estabilizador. E pensei no que eu faria se perdesse minhas informações numa descarga elétrica. E cheguei a cogita que ficaria decepcionado como minha irmã. Afinal, aparelhos de backup são muito caros.

Descemos, e para nossa inquietação, meu avô havia acendido duas velas grandes - dessas que a chama é alta - e estava lendo seu livro. Calmamente, ele virava mais uma página. Minha irmã praguejava sobre seu computador. Minha mãe morria de tédio, e meu pai, bem, meu pai apenas se sentou e admirou o espetáculo veborrágico sobre "porque isso aconteceu comigo?" que minha irmã proferia.

A tempestade estava forte ainda. Sem energia elétrica, nós quatro morríamos de tédio, pois a dependência dela nos torna quase autômatos, que perdem os sentidos quando nossos equipamntos eletrônicos paravam de funcionar.

E eu olhava meu avô. Independente dos vícios da modernidade, ele lia seu livro com o auxílio das chamas das velas. Eu até queria ler, minha biblioteca de e-books tinha mais de 300 títulos - mas todos suscetíveis a sumir se onde estão não correr energia. Minha irmã era consolada por minha mãe. Meu pai apoveitava para descansar os olhos, e eu, entediado, morria de inveja de meu avô.

Mas, como todos os velhinhos, ele se juntou á sua senhora ás 9 da noite. No outro dia, ás 5 da manhã, ele estaria de pé, como sempre, para que o cheiro de seu café recém-passado tirasse meu pai da cama. Ao entrar no quarto, totalmente escuro, e a casa, sem sons, pudemos ouvir os ruídos dos seus passos no chão, o ranger da cama de molas - o mesmo colchão há 25 anos. Mas, havia algo errado. A cama de molas não parou de ranger.

"Querido", disse minha mãe, "é o seu pai?"
Meu pai fez uma cara estranha, como quem tentasse descobrir. Ao ouvir um suspiro de prazer, vindo de uma voz feminina de 60 anos, meu pai enrubesceu, e minha mãe abriu olhos enormes.
Envergonhados - afinal, a casa sempre cheia de barulhos nesse horário nos impedia de ouvir sons mais verdadeiros - fomos para a cozinha, mas eu levei junto o livro que meu avô lia.

Todos, trancados de vergonha na cozinha, nos entreolhávamos, como a estranhos. Éramos uma família, onde era mais comum jantarmos na frente da TV que nos colocármos á mesa. Ironicamente, minha irmã rompeu o silêncio:
"O vovô sabe o que fazer numa noite de blecaute, não?"
E rimos. E teve início um dos momentos mais raros de uma família: uma conversa. Entre comentários sobre o que pensávamos que meu avô não era mais capaz de fazer e velas, veio então o assunto do computador de minha irmã.

Eu comentei sobre meu avô ler seu livro á luz de velas, e minha mãe responde dizendo o quão arcaico era isso. "Mas, "eu disse "ele não depende da eletricidade para fazer o que ele quer. Enquanto ele lia seu livro, eu lia um artigo na internet."

De tão acostumados ás facilidades da vida moderna, nos tornamos dependentes, de forma que um simples livro em sua cabeceira pode parecer velho. O novo é digital, lindo, e brilhante. Mas mantê-lo demanda custo, e depende da energia. Um pouco a menos, e o computador não liga. um pouco a mais, e ele vira churrasco.

Meu pai disse que sem eletricidade, não podemos fazer nada. Eu perguntei fazer o quê. Quando foi a última vez que nos sentamos pra conversar, sem que fosse um sermão? Isso fez meu pai levantar uma de suas sombrancelhas.

A informação, de acordo com a modernidade, não deve mais ser escrita ou dita: deve ser digitalizada. Mas isso não a impede de se perder, ou de ser manipulada por quem quer que seja. Livros digitais, imagens em pixels, músicas perfeitas, que podem esvanescer em um segundo, como vapor. A TV dá dor de cabeça e causa sonolência, a internet vicia, e os games hipnotizam.

Enquanto meu avô lia sua informação física á luz de velas, nós nos mortificávamos, por não ter cópias dos dados de minha irmã. Enquanto meu avô demonstrava seu vigor aos 60 anos, nós agora tínhamos um momento em família.

A discussão sobre a dependência tecnológica acabou quando minha irmã bocejou. Não de tédio, mas de sono. Sono real, causado por risadas altas, conversas que exercitam o cérebro e boa companhia. Já era madrugada, e meu avô já tinha servido minha avó, e a casa estava em silêncio.

Quando nos deitamos, a luz voltou. Eu, muito incomodado, me levantei e desliguei. Mas me senti um herói ao fazer isso.

Na manhã seguinte, todos na mesa do café. E minha avó e minha mãe muito sorridentes. Blecautes tem várias serventias."

9 de janeiro de 2008

A fina iguaria do ócio

Devo confessar: depois de um mês tremendamente terrível, onde o trabalho era feito em jornadas duplas, refeições engolidas em meio a desepero e cansaço, a tristeza dos feriados familiares tomados por obrigações empregatícas, e tudo o mais que vêm junto, janeiro chegou.

E com ele, chegaram o ócio, o pouco trabalho, o cyberslaking, os joguinhos em flash, e principalmente, o sentimento de trabalho perdido.

Sim, trabalho jogado fora.

Ora, posto que após dias e dias de cansaço e canseira, v6em uma bonança que beira o ridículo. Não tínhamos que trabalhar a todo o custo? Não tínhamos que sair da empresa depois que o relógio virou? Pois agora, vem os sites de humor, os jogos em flash....

Eu estou me sentindo um dos Sambabacas: comprei um celular novo, e logo ele passará a integrar a net. Só hoje, eu já testei o cliente de email do gmail, tentei acessar o mig33 e baixei o opera, junto com mais algumas coisas. Ainda não instalei, mas logo vou fazer isso.

Hoje é minha fomratura, e por isso, meu telefone agora está sendo carregado de energia, para poder tirar fotos com os poucos que irão. E escrevendo este post. Porque o trabalho não pôde ser diluído e melhor distribuído?

A fina iguaria do ócio é vir ao trabalho, e sua jornada de trampo efetivo não passar de alguns minutos. Engraçado como, em dias assim, algum infeliz se lembra de você, ás 4 e meia da tarde, e vêm com algum papinho sobre algo que ficou pra trás, muitas vezes, não sendo por culpa sua. Interessante.

E assim caminha meu dia. O que não posso aceitar é que me digam que a estafa de um mês atrás não possa ser diluída em 60 dias. E não posso deixar de achar ruim o fato dos dias se arrastarem gordos e sentados, enquanto vejo banalidades na internet.

A fina iguaria do ócio. Ver as horas passarem pelo monitor, e achar ruim quando você tem que trabalhar. 

7 de janeiro de 2008

Pois é....

Feliz ano novo. Mas vim falar de outra coisa.

Ainda no fim do ano passado, durante meus suplícios de horas extras e péssimas noites de sono, eu encontrei uma amiga do meu antigo emprego - aquele que no início do blog eu reclamava tanto - e conversamos um pouco.

Ela veio confirmar o que outra amiga - maravilhosamente linda, eu devo colocar - tinha me dito, e que eu não duvidei: a empresa onde nos conhecemos estava pra fechar.

Seria isso uma grande perda? seria isso ruim?

Não. Minha bela amiga agora está em algum lugar do sul, feliz da vida eu creio. Esta que eu citei primeiramente sabe muito bem se virar, aliás, faz isso com uma classe incomparável. De uma certa forma, os funcionários acabariam por estarem arrumados, posto que a agonia da empresa duou bastante: pouco mais de um ano e meio.

Engraçado, que as pessoas que saíram enquanto eu ainda estava lá, partiram sentidas e consternadas. Mas o ponto em comum é que todas acabaram por ficarem melhor na fita. Uma das mulheres mais inteligentes que já conheci, vendeu para o dono da empresa, um CGC e um computador ruim, que veio a pifar mais tarde. Teoricamente, ela deuo know-how necessário para duas pupilas, mas ao ser mandada embora, se sentiu meio traída. Entretanto, abriu um escritório, e hoje atua como consultora. E ainda lucrou com sua demissão.

Agora, essa empresa deve começar tudo outra vez. Se será vencedora, não sei dizer. Só sei dizer que uma vez terminada a primeira empreitada, o reinício só será possível se houver uma renovação do pensamento, e também do modo de trabalho.

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Aproveitando o ensejo, vou colocar mais uma divagação, que há tempos queria escrever: OS PSEUDOFODAS.  

Há algum tempo atrás, eu trabalhei com um cara que realmente se achava. Sério, tá ligado aquelas pessoas que realmente pensam que são alguma coisa, que porque têm isso, ou aquilo, ou porque se acham muito inteligentes, ou por qualquer outra razão, assumem uma postura arrogante, que beira o insuportável.

Ora, uma vez que a inteligência é inerente á todas as pessoas, o que torna este ser mais que os outros? Bem, o fato de ser um nerd viciado em computadores, com uma mente voltada para cálculo e programação - esquecendo-se do português, onde erros gramaticais e ortográficos imperavam - talvez o tenha tornado um tanto chato.

O mais legal era quando falava de seus projetos. Eram palavras e mais palavras. Hoje, com 22 anos, eu vejo algumas coisas mais claramente, o que há 3 anos eu não via. Apesar de boas idéias, ele era muito metido para trabalhar nelas, e se fazer valer.

Entretanto, seu brio foi muito atingido nesses dias. Um funcionário seu - pois agora abriu empresa ao público - foi preferido para servir um de seus clientes, em detrimento do personagem em questão. Ou seja: seu pau-mandado era mais interessante para seus clientes do que ele. Seu projeto de vida estaria - segundo o que ficara implícito - em melhores mãos que não as dele. Reconheço que este deve ter sido um duro golpe. Seu funcinário se foi, demitindo-se, mas bem mais quisto no mercado que seu próprio empregador.

O preço do auto-achismo é esse: alguém, menor e teoricamente menos capaz que você será chamado para fazer o que você queria fazer. E isso é muito divertido de se ver, mas não de se viver. É um ensinamento interessante, posto que é vivo e visível. Mas não algo que se deva usar para tripudiar.

Eu rio um pouco com isso. Pra alguém que achava a última bolacha do pacote, ver outro ser aberto é uma decepção. Nada que não possa ser aprendido e evitado no futuro.