30 de novembro de 2007

Dualidade

Há mais mistérios no comportamento humano que se pode imaginar.

Acho que símbolo que melhor simboliza o ser hmano é o ying-yang. O círculo preto e branco, que não significa apenas a relação homem-mulher, mas o epicentro das atitudes humanas. Excetuando-se algumas situações, nem todo o bem que fazemos é puro, e nem todo o mal que fazemos é de graça.

Existem coisas que nunca entenderemos. Como podemos dizer não á sentimentos tão incríveis, e dizer sim a atitudes tão brutais? Medo, muito diriam. Lenine escreveu muito bem sobre o medo, que trava nossas atitudes, meramente por ser um sentimento neófobo e infantil, quase como um demôninho fofo que surge diante de nossos olhos quando confrontados.

Mas há coisas além do medo, que regem negações e abstenções. Seja a diferença encontrada no outro, seja a imaturidade, seja a falta de senso. A dicotomia paradoxal que é inerente á nossa natureza, é que nos permite fazer coisas horrendas, dignas da ojeriza dos quenos cercam, como também nos fornece o arrojo desconhecido e oculto, capaz de abrir mão do instinto de auto-preservação.

Nem sempre o que parece perfeito é o correto: basta sondarmos o que há no fundo da consciência, e encontraremos o que nos faz discordar do que está acontecendo. Sim, sim, este artigo mais parece previsão de um astrólogo, mas há certas coisas que nos acontecem que não podem vir á público diretamente, apenas sob a forma de sugestão. E como eu disse, há vezes em que o perfeito tem algo de errado, e o futuro guarda a ampliação desse sentimento, trazendo-o á tona, e criando toda uma ciranda de tristeza.

Estar sob a sina do pensamento é algo sobremaneira terrível. Ter a consciência total do que estamos fazendo, e saber disso, é quase insuportável. E como disse o escritor de eclesiastes, não faz sentido. Usar a razão para definir a emoção, e controlá-la, beira sempre a insatisfação, e o sentimento primordial de tristeza.

Pensar no que poderia ter sido, e assim imaginar um futuro do pretérito perfeito e feliz, sem máculas e problemas, é tolo. Bem como não ser equilibrado, e ver tudo o que poderia ter vindo de ruim. Mas, como eu uma vez disse para uma amiga, Deus não joga dados com o Universo. Ele joga xadrez. Pode perder uma peça poderosa agora, mas pode ser que com o peão do flanco esquerdo ele acabe por vencer o jogo. Eu, como enxadrista bimestral, sei o que é vencer com apenas o rei e um peão, após ver minha esquadra inteira - e até minha rainha - perecer diante de meu adversário. Mas estando ainda o tabuleiro posto, e minha peça nele, é possível virar.

Acredito que a dualidade exista para gerar a eqüidade. Assim como creio que o futuro nos reserva presentes inestimáveis, desde que saibamos medir o desespero da paciência como esforço do trabalho e do melhoramento. O aprendizado vêm com o segundo, e não da apatia. Melhor o erro que esta, pois esta produz o comodismo, e isso deve ser odioso. E mais odioso que a apatia deve ser o saudosismo. Este, fruto da apatia com a emoção, que gera a depressão. E isso é fatal. 

26 de novembro de 2007

Que barulho é esse?

– Que barulho é esse? – perguntou Belzebu, apontando para o alto. – O que está acontecendo lá em cima?

– Só o que costumava sempre acontecer – respondeu o diabo reluzente de capa.

– Quer dizer que temos mesmo uns novos pecadores? – quis saber Belzebu.

– Muitos – explicou o reluzente.

– Mas que é do ensino daquele de quem não quero dizer o nome? – perguntou Belzebu.

O diabo de capa deu um sorriso que revelou seus dentes pontiagudos, enquanto risadas abafadas ouviam-se entre todos os outros demônios.

– Esse ensino não nos atrapalha de modo algum. As pessoas não acreditam nele – disse o diabo de capa.

– Mas é evidente que esse ensino salvou-as de nós, e isso ele selou pela sua morte – disse Belzebu.

– Mudei tudo isso – disse o diabo de capa, batendo rápido com a cauda no chão.

– O que você fez?

– Consegui que as pessoas não acreditem no ensino dele mas no meu, que chamam pelo nome dele.

– E como conseguiu isso? – quis saber Belzebu.

– Aconteceu espontaneamente. Só dei uma ajudinha.

"Passei a sugerir que aquele desacordo era muito importante."

– Conte resumidamente o que aconteceu – disse Belzebu.

O diabo de capa baixou a cabeça e gastou um intervalo em silêncio, como se ponderasse sem pressa. Em seguida começou a sua história:

– Quando aquela coisa terrível aconteceu, quando o inferno foi derrubado e nosso pai e governante nos deixou – disse ele, – fui aos lugares onde o ensino que quase nos arruinara havia sido pregado. Eu queria ver como viviam as pessoas que colocavam-no em prática, e vi que os que viviam de acordo com aquele ensino eram inteiramente felizes e inteiramente fora do nosso alcance. Eles não se enfureciam uns com os outros, não cediam aos charmes das mulheres, não se casavam e, quando casavam, tinham uma única esposa. Não tinham propriedade privada, mas possuíam tudo em comum; não se defendiam de ataque algum, mas retribuíam o mal com o bem. Sua vida era tão virtuosa que um número cada vez maior de pessoas era atraído para o grupo deles.

– Quando vi isso pensei que tudo estava pedido, e tive vontade de desistir. Mas algo aconteceu, algo que embora insignificante em si mesmo pareceu-me merecer atenção, e permaneci. Entre essas pessoas alguns achavam necessário que todos se circuncidassem e que ninguém comesse a carne que havia sido oferecida aos ídolos, enquanto outros achavam que isso não era essencial; criam que não precisavam ser circuncidados e que podiam comer qualquer coisa. Passei então a sugerir para as pessoas dos dois grupos que aquele desacordo era muito importante, e que como a questão dizia respeito ao serviço de Deus, nenhum dos lados deveria ceder. Eles acreditaram em mim, e suas disputas tornaram-se mais violentas. Gente dos dois lados começou a ceder à raiva, e passei então a instilar em cada um deles que poderiam provar a verdade da sua posição através de milagres. Embora seja evidente que milagres não podem provar a verdade de qualquer doutrina, eles estavam tão ansiosos para estarem certos que acreditaram em mim, e providenciei milagres para eles. Isso não foi difícil: eles acreditavam em qualquer coisa que confirmasse o seu desejo de demonstrar que apenas eles estavam certos.

– Alguns diziam que línguas de fogo haviam descido sobre eles; outros afirmavam que tinham visto o próprio corpo ressurreto do seu mestre, e muitas outras coisas. Ficavam inventando coisas que nunca tinham acontecido e, no nome daquele que nos chamou de mentirosos, mentiam não menos do que nós. Um dizia para o outro: "Os seus milagres não são genuínos, os nossos é que são". E o outro respondia: "Não, os de vocês não são genuínos, os nossos é que são".

– As coisas estavam indo bem, mas eu tinha medo que, de tão evidente que era, eles pudessem discernir aquele engodo; por isso inventei "A Igreja". E quando eles acreditaram nA Igreja, fiquei em paz. Entendi que estávamos salvos, e que o inferno havia sido restaurado.

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OUCH!
Essa doeu....

Diretamente do Bacia das Almas, da Série Restaurando o Inferno. Eu recomendo.

12 de novembro de 2007

Eu leio, tu lês?

São dez horas da manhã, e terminei minhas leituras matinais. Dentre elas, minha passagem obrigatória pelo PavaBlog, onde sempre há um bom texto.

Acordei pensando sobre a leitura no Brasil. Elegemos um presidente que afirmou que ler é muito chato. Ao mesmo tempo, vemos a propaganda da globo incentivando a leitura. O Gugu joga exemplares de José de Alencar para sua platéia, que mal passou pelo ensino médio.

Não há incentivo real pela leitura no país. Ora, como querem que as crianças leiam se lhes dão Macahdo de Assis? Tal autor é para pessoas mais velhas, com maiores informações, e não para infantes de 10, 11 anos. Como incitar-lhes a imaginação se os melhores autores do país são defuntos, cujas histórias são contextualizadas?

Eu li Meu pé de Laranja Lima. E cometi o pecado de não gostar. Tudo o que me lembro desse livor é: quem é Ted Thompsom? Eu não li Monteiro Lobato, mas li Julio Verne, Arhur Doyle e Agatha Christie. Esses sabiam lidar com a imaginação. Lobato não dá mais pela simples razão: que criança de 7 anos da idade sabe o que é uma fazenda?

A crítica xinga os blogueiros que lançaram livros. Vide a sempre eficiente Clarah Averbuck. Ela lançou seus livros, conferes á seu blog o status de "extenção" de sua criatividade - e creia-me, realmente o é - e não dá a mínima pra velharada que a considera uam autora de segunda classe. Isso é que é incentivo á produção cultural no país....

Não que todos os livros que surgem nas prateleiras sejam bons. Mas sempre há quem os compre. Poderiam haver mais, se as obras fossem vendidas por preços de 1 dígito, e náo de quase 50 pilas. Em um lugar onde a maior parte da população é semi-analfabeta, apenas a prática de eitura induz ao aperfeiçoamento, tanto da escrita, quanto das idéias.

Eu sei que o objetivo dos petralhas e do Lula é manter o povo burro, para suas políticas de assistencialismo e bolsa-pobreza se mantenham ad eternum, "redistribuindo a riqueza". Numa dessas, me lembro de Ben Carson, um neurocirugião pediátrico. Sua mãe fez ele e seu irmão lerem inúmeros livros e escrever-lhe resesenhas. Só depois, já na adolescência, Ben descobriu que sua mãe era analfabeta. Mas aí, o estrago já tinha sido feito: ele estava no rumo de uma universidade, e hoje é um dos poucos homens no mundo que podem lidar com a parte mais delicada do estágio mais delicado da vida.

Você quer dar educação? O "guverno" não vai dar pro seu filho. Ele vai é transformá-lo num autômato, que com 13 anos já faz sexo e atende a tudo o que a TV mandar. Incapaz de pensar, de ter opinião, de protestar, de agir em favor próprio. A educação está em casa, e a leitura faz parte dela.

Leiam livros de autores novos, honremos a produção nacional. Nem tudo o que vem de fora é bom. Será que não podemos gerar outro Machado de Assis, ou um outro Rui Barbosa? Ou uma Monteiro Lobato? Ele surgirão se houver quem os leia. E isso só terá se pararmos de ler estrangeirices e passar pela sessão de lançamentos nacionais.

O raciocínio crítico só vem pela leitura e pelo uso da massa encefálica. Livros afiam a mente, melhoram o vocublário e inserem novas idéias, e abrem a mente para outras opiniões. Eu irei num sebo comprar livros usados, e clássicos com a ortografia do início do século, quando o português era mais bonito de se ler.

Só há duas coisas que se deve levar para a cama: uma boa mulher ou um bom livro. 

6 de novembro de 2007

O debate eterno

No plano social, uma vida não possui qualquer valor. No plano cósmico, ela possui um valor incalculável. Qual dos dois conceitos se deve usar, quando nos referimos nos intermináveis debates sobre controle populacional, aborto, guerras, limpeza étnica e tudo mais que envolve homens e mulheres?

Verdade que querem "otimizar" a população humana, diminuindo a quantidade de pobres, usando pra isso teorias neomalthusianas e de darwinismo social, e aplicando com aborto e esterilização em massa de mulheres. Eu já escrevi sobre isso neste blog. Há quem concorde - quem não é pobre ou ao menos acha que não é - pois isso diminuiria a quantidade de assaltantes, marginais, mendigos, crianças de rua. Para a classe média, seria um alívio ao medo instaurado, um incômodo a menos - pois no Brasil, pobres incomodam com suas maneiras pouco refinadas e fala alta - e melhoraria a qualidade de vida.

E pode crer, falo isso pois é o que eu sinto. Meu preconceito vêm do estudo e do conhecimento, e porque é muito mais fácil julgar homem que vêm mendigar dentro do supermercado, e nos incomodar com sua existência e sua mão esticada, sua voz débil e olhar amarelado. Sou de classe média, e por isso, sei que muitos "companheiros" apoiariam medidas extremadas, mesmo que veladamente. O preconceito, como eu disse, muito mais fácil que procurar meios de amenizar, ou mesmo, acabar com a pobreza.

Pensamentos superficias e fáceis moveram milhões contra sua vontade á tumba coletiva. E os debates que ocorrem hoje, sobre controle populacional é basicamnte porque os povos ricos acham mais fácil eliminar seres humanos e proteger macacos. Matar é melhor manter.

Há teorias que afirmam absurdos, onde apenas pessoas de posses devem ter filhos, afim de evitar que os pobres se reproduzam e cresçam aos montes, infectando o mundo. Como eu disse, matar é melhor que manter. Malthus dizia uma obviedade: a população cresce em progressão geométrica, e a oferta de alimentos, em progressão aritmética. O que ele não sabia é que a oferta de alimentos no novo milênio seria tão abundante, bem como seu desperdício.

A preocupação com o controle populacional é simples: quanto menos pessoas no mundo, menos problemas e mais dinheiro. 7 bilhões de seres "ocupando" espaço é demais. Já há quem diga que a densidade demográfica é uma das responsáveis pelo aquecimento global, o grande engodo mundial. Tantas pessoas no mundo estão esquentando muito o planeta e isso pode....[aqui, os argumentos de sempre].

O preconceito e o egoísmo sempre foram marcas do ser humano. E em tempos atuais, ele é justificado com teorias complicadas e cheias de retórica, quando a razão é simples: pobres e pretos incomodam. Ou vocês acham que a baboseira de raça ariana se matou no bunker com Hitler? Porque acham que a África é mantida em guerra? porque acham que a mutilação genital ainda é permitida?

Nem precisamos ir muito longe. Apenas pense no que você passaria a pensar caso sua casa fosse invadida por assaltantes. Imagine o que os seus próximos diriam caso houvesse uma inssurreição dos favelados, uma Jacquerie. E se eles fossem brigar por aquilo que lhes caberia, como ensino e saúde? Mesmo que o fizessem, você não iria compartilhar da briga deles, mas sim iria aplicar as teorias preconceituosas em sua mente, afinal, lugar de pobre é na favela, e não na voz ativa.

Posso ter falado com certa dureza, ou quem não leu o texto com atenção, talvez me ache um skinhead. Estou apenas explicando os mecanismos que estão funcionando nas mentes daqueles que apóiam teorias desse tipo. Raciocínio egoísta e falacioso, cheio de armadilhas e engodos, verdadeiras bombas retóricas, que atingem pessoas que acham que tem estudo e conhecimento. Um estudo pífio e um conhecimento de Revista Caras. Tudo isso embasado em preconceitos, de pessoas encasteladas em mansões e montadas em dinheiro, que jamais tentariam olhar o outro com olhar de estudo e aprendizado, mas apenas buscando o que lhes apetece, e rejeitando que lhes incomoda.

Quando tentaram nos desarmar, colocaram uma pergunta bem malfeita, de forma que uma pessoa incauta poderia dar a resposta que o governo gostaria, e não o que ela pensa de verdade, Logo, o desgoverno vai nos perguntar - de forma maliciosa e com uma semântica cheia de interpretações - sobre o aborto.

Como eu disse, qual dos dois conceitos devemos aplicar, mas não apenas sobre o aborto, mas sim sobre qualquer pergunta que nos façam sobre os eternos debates sobre população, crimes, favelas gravidezes indesejadas. Estamos prontos para sujamos nossas mãos de sangue, seja de pessoas menos abastadas seja de bebês não-nascidos, e com isso enfrentar as conseqüências? Enterrar corpos de pessoas como se não valessem nada, e contaminar lençóis freáticos com sangue?

Não que eu seja um defensor dos direitos humanos. Sou a favor da pena capital, da prisão perpétua, do enrijecimento das leis e da defesa da propriedade. Mas, de igual forma, acredito que para dissipar o preconceito ridículo é preciso haver escolas decentes, hospitais e médicos suficientes, e comida. Para acabar com a miséria e a pobreza não é preciso matar os que nela estão.

Eu li que é mais barato acabar com a fome que usar paliativos. Mas os paliativos mantém a dependência, e tudo isso é um jogo político de interesses. Mas eu gostaria de perguntar, a qualquer um desses estudiosos que pregam a "otimização" populacional se eles pensam em seus filhos como pensam em seus homens-objeto de estudo. É nessa parte que desmascara o intelectual e surge o troglodita: eliminar o outro para que haja mais espaço.

1 de novembro de 2007

Não é o que acha

Existem músicas que conseguem travar completamente a atenção, e literalmente, elevar a alma.

Há um certo tempo, eu comprei a coletânea 1990 - 2000 do U2, que veio com um DVD promocional. Nesse DvD, veio a interpretação ao vivo de Please, em Rotterdam. Até aí nada de novo.

Anos mais tarde, eu resolvi escutar essa música. Baixei-a e apertei Play. Uma vez. Outra vez. Outra vez. E mais uma vez. E duas horas se passaram.

A frase que mais se sobressai nessa música - a versão ao vivo, a em estúdio é bem sem graça - é a frase que diz:
"So love is hard and love is tough
But love is not what you're thinking of"
Amor é duro, e amor é forte. Mas o amor não é o que você está pensando.

Ao chegar nessa parte, eu quase tive uma epifania. Sempre nos foi passado que o amor é um sentimento bom, fraco e dependente. Algo que só se dá quando se recebe, e que pode esvanacer. Mas, quando eu li essa estrofe, passei a ver uma outra coisa: e os amores não correspondidos? e o perdão? e a persevrença?

O sentimento bom, fraco e dependente é a paixão, que essa sim, pode vir a esvanecer. Algo cego, brutal e doce. A paixão foi confundida com amor, se tornou um amor cego e superficial, de consumo rápido, que acaba tão repentinamente quanto começa.

Como eu falei, existem músicas que entram na alma. Não apenas a letra é linda - e requer certo grau de atenção - mas a guitarra que The Edge fez soar ficou mais que perfeita. Brian Eno fez os efeitos sonoros de fundo.

Fica aí a recomendação. Ouçam aí, que eu ouço aqui.