31 de outubro de 2007

Sobre ser imperfeito

Imperfeição é uma marca inerente ao ser humano. Entretanto, tomar consciência dela e saber disso sobre os outros, constitui uma virtude. Uma virtude que perdeu-se no tempo. E que é menos presente ainda dentro das paredes claustrofóbicas de uma igreja.

Uma bela amiga minha ganhou uma filha. Um bebê que vai completar dois meses agora. Entretanto, essa jovem mãe - crescida dentro da igreja - foi expulsa dela por sua progenitora. A mais nova vovó do pedaço julgou sua filha, e a proibiu de pisar naquela igreja.

Mas, quando eu penso no que é uma igreja, muito me respondem que é lugar de gente santa e consagrada. E eu, em minha petulância, penso o contrário: é um lugar para pessoas destruídas e arrebentadas, desgraçadas por seus erros. É o local onde filhos rejeitados podem encontrar pais sem filhos; onde mulheres humilhadas podem recompor sua honra; onde homens aviltados podem se acalmar e raciocinar.

O propósito da igreja, criado por Yeshua - dá licença, e vai procurar o que é - é simples: conhecer outros crentes e se reunir ler a Bíblia. E PONTO. Era só isso. Mas o grau de politização e de conhecimento chegou a tal ponto, em que as pessoas precisam caber em estereótipos. Se fossem as pessoas normais, que tem vidas normais e sem crenças - pelo menos, não muito profundas - isso ainda funciona. Mas no lugar onde deveríamos baixar a guarda, se torna o primeiro lugar a proclamar nossa inculpabilidade e infalibilidade, revestidos de uma capa branca reluzente, e o rosto de torna como o de um pequeno deus, que julga os outros, que não são como ele.

Eu me divertia, quando adolescente, com as expressões de espanto e de reprovação ao falar-lhes sobre minhas audições e leituras. Quando souberam que eu lia o Kama Sutra na escola, e ouvia Legião Urbana e Nirvana, diziam que eu era um perdido. Mas nenhum deles me perguntou a pergunta mais simples de todas: Porquê?

Ora, nada nesse mundo é feito sem uma razão. Mesmo os excrementos dos animais possuem um propósito, nem que seja o de impregnar seus sapatos novos. Se tivessem me perguntado, a resposta seria simples: eu quero conhecer. O rock - há 10 anos atrás - tinha o propósito do protesto e da voz, onde podia-se expressar. Minhas leituras de anatomia, filosofia e erótica - acredite: Kama Sutra te ensina muito mais que apenas posições sexuais - eram simplesmente para saber onde estava a razão e a emoção, e como elas se digladiam.

O outro - o diferente, o novo, o feio, o sujo, o maltrapilho - sempre foi mal visto. E nos pequenos feudos que se formam nas comunidades cristãs, eles ganham proporções dantescas, como se fosse um mal a ser combatido, e não um artefato a ser estudado e compreendido. Minha amiga mãe não perdeu sua fé, mas tal coisa definha a cada domingo, onde ela não pode mais ver seus amigos por que sua mãe a colocou pra fora. Agora era a hora mais perfeita para o retorno. mas ao invés disso, ela engrossará as fileiras de desiludidos e machucadas, que passam por nós todos os dias, que julgamos e senteciamos, e relegamos ao fundo do poço, onde alguns de nós achamos ser o melhor lugar para pecadores estarem.

Quando comecei este texto, eu disse que a imperfeição é inerente ao homem, e que o conhecimento dela era uma virtude. Porém, é muito mais fácil buscar a auto-justificação frente ás pessoas que frente á quem acreditamos. Quando meus colegas de igreja, que cresceram comigo, me vêem com meus amigos metaleiros, ou num metrô em SP indo pogar - preciso valtar á essa saudável prática - ou com minha namorada mãe solteira, acham um escândalo, um fim de carreira. Um cara que teve o que eu tive, não deveria procurar coisas que fogem á regra. Mas nenhum deles pensa dois metros á frente.

No ambiente hermético e fechado, com ar-condicionado, microfones e caixas de som, uma coisa se perdeu: a simplicidade. Inebriados pelo som que é vomitado - mal equalizado - e pelo pregador muitas vezes inflamado, eu vejo pessoas paramentadas, com roupas novas e limpas, todos perfumados, mas incapazes de dar boas vindas para um homem simples, quiçá para um maltrapilho. Hipnotizados pela vaidade e pela auto-piedade, queremos o melhor para nossos filhos, mas nunca enviá-los para o campo missionário.

Quando eu me calo durante os corinhos, me mandam cantar. mas quando solto minhas ácidas observações, sobre a falta de criatividade e de palavra dentro desses corinhos, falam que eu sou um chato. Meu sogro pediu que eu descruzasse os braços e cantasse. Continuei calado.

Não é de admirar que uma turma encastelada permita que distorções, como as leis de aborto e pró-gays. Ou que não proteste contra os despautérios cometidos pelo governo Lula, o mais corrupto de todos os tempos. O silêncio babaca proferido por nós tem eco, especialmente nas camadas mais pobres. As pregações que prometem fortunas sem trabalho e recompensas sem esforço, caem como uma luva no governo petista.

Quando leio Lewis ou Chesterton, vejo que a cristandade deveria ler mais esses autores. E que o povo está morrendo não por causa da ignorância, mas de ignorância.

Um desses casos, é quando a igreja é usada para não ter que resolver seus problemas familiares. Se esconder atrás das coisas da instituição é bem mais fácil que colocar seus problemas com a esposa ou marido em ordem. Ou ter de enfrentar o stress por causa desses problemas. O lugar que mais incentiva a existência da família, é o primeiro que exige mais e mais dos seus membros, minando a convivência.

Imperfeição é um problema, não um pretexto. Expulsar pessoas que erraram é muito fácil; o difícil é engolir o ego e ir ajudar. Apontar o dedo e acusar é fácil; o lance é ir saber porquê, e tentar limpar a imagem. Ler o que diz a bíblia, qualquer boçal faz; o lance é executar o que ali está.

O local de conserto e de perdão se tornou o local de acusação e de julgamento. Diante disso, eu apenas posso escrever este texto, e esperar que alguém possa ler, e entender que se nem Yeshua julgou, não é nosso direito fazê-lo. 

30 de outubro de 2007

Uma terça-feira

Sabe aqueles dias em que sua mente não quer trabalhar, seus braços não respondem e seus olhos estão secos?
Onde o fato de estar de pé é milagre, e onde o simples ato de ajeitar os óculos demanda um esforço quase sobre-humano?

Hoje é um dia assim.

Muito embora meu fim de semana tenha sido muito bom, minha semana mal começou e está terrível. O esforço mental para executar o trabalho consome a disposição mas não a energia, o que explica meu ganho de peso.

Talvez eu compre uns Red Bull e coloque na saída do ar-condicionado, pra ver se eu consigo ficar mais algum tempo sendo útil.

Preciso fazer esforço físico.

Preciso terminar meu roteiro

Preciso escrever meus livros.

Preciso ler outros livros.

Preciso dar mais atenção á minha namorada.

Preciso...... dormir.

23 de outubro de 2007

Sons de noites quentes

Uma coisa muito comum em noites de verão, mesmo esse que faz um vento frio e não chove mas nem por dcreto, são os pernilongos.

Sério, você se deita na cama, relaxa, espera tudo ficar silencioso. Então, começam os zunidos estridentes desses lazarentos. E são sempre perto da orelha. São pequenos o suficiente para que possam sumir no meio de uma manobra, mas  não tão pequenos que não possamos persegui-los.

Eu não ligo, honestamente, de acordar coçando. Eu adoraria, apenas, que pernilongos não fizessem barulho. Puxa, voce tá dormindo, feliz, quando algum som estridente, chato e que logo aciona sua mente: voce vai acordar se coçando.

Em compensação, é recompensador matar um pernilongo. Vê-lo esmagado na palma da mão ou na parede, ou mesmo agonizando despedaçado: é quase um prazer ver o bichinho sofrendo. E é quase um sentimento de vingança quando o que matamos ainda contém sangue. Engraçado como aqules mililitros ridículos nos custam caro.

Esse é um dos sons de noites quentes: pernilongos. Eu durmo com meu ventilador ligado porque não ligo de acordar coçando: não quero ser incomodado com esse lazarento zunindo na minha orelha.

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Renan Calheiros se mandou. Ele se tornou um cidadão de Liliput na cadeira do Presidente do Senado, o homem que diminuiu. Alguém quer fazer um bolão pra apostarmos em qual eleição ele volta?

15 de outubro de 2007

Um péssimo humor

Sabe quando você acorda atrasado, chega no trabalho e está tudo por resolver ainda, ninguém te responde, seu fim de semana foi uma crise só, e pra ajudar, faltou com a palavra com um amigo querido?

Pois é. Assim começou minha segunda feira. Lindo. Uma amiga me pediu um banner, e eu sequer toquei nele, fruto de uma semana violentamente corrida. Fiquei triste. Não pude ajudá-la, e ela ficou me esperando...

Andei comendo tanta coisa salgada que agora estou me entupindo de doces. Minha namorada tá me chamando de gordo......

Ai ai... segunda-feira. Será que sobrevivo?

11 de outubro de 2007

Oportunismo e oportunidade

No Aqui não, Genésio, uma frase magnífica:
"A mim fica Mônica Veloso como um marco na história do Brasil: uma mulher que soube se aproveitar de uma situação particular, envolvendo um homem público. A mesma mentalidade dessa 'jornalista' é a mentalidade do brasileiro; é favorecendo que se recebe e a meus amigos tudo, a meus inimigos a lei."

Na verdade, eu devia era colar o texto do David aqui, mas prefiro fazer á mão: faz tempo que não discorro mais um artigo aqui.

Mônica Veloso é hoje uma mulher de fama. Entretanto, porque saiu do anonimato? será que recebendo a grana preta que recebia não era sufciente? O que mais ela queria?

Abrir as pernas para um homem público não é novidade. Getúlio Vargas fez bem mais sucesso, e transou com várias mulheres gostosas da época, e nenhuma fez o que a Moniquinha fez. Como disse o David, será que sua pensão foi cortada?

Ela viu uma oportunida ímpar: um homem casado, senador, cheio da grana e dos contatos. No mínimo, ela não precisaria mais trabalhar, só precisando receber seu amante quando ele requisitasse. Mas ao notar que a vida dele estava degringolando, e sabendo seus segredos excusos - bem como os outros podres do congresso - viu que apareceu uma nova oportunidade ímpar: colocar a boca no trombone (sem trocadilhos, hã) e soltar o que a besta do Renan lhe contava na alcova.

Monica Veloso foi meio tola, eu devo colocar. Sua vida de rainha vai acabar, assim que sair a próxima Playboy. Sua bunda photoshopada logo vai voltar ás estrias de sempre, e ainda com sua filha para terminar de criar. Será que ela foi esperta, e guardou o dinheiro de sua super-pensão? E quanto á sua filha com Renan?

O senador passou apuros por causa dela, é verdade. Mas se safou, pois o corporativismo do Senado prevaleceu. Imagino o que deve ter se passado na cabeça dos que absolveram Renan: vamos deixar que fique, pois se minha (meu) amante contar alguma coisa, eu também vou ficar em maus lençóis. Não duvido que homens poderosos desfrutem de boas refeições em suas camas, mas essas refeições são pessoas, elas até podem ser usadas e descartadas - mas nunca podem ser esquecidas. Suas lembranças e memórias vão ficar, e podem até conseguir boas provas, pois ninguém vai dar sem receber algo em troca, ou obter uma moeda de troca, mesmo que seja necessidade de Viagra.

A mulher em questão vai sumir no tempo, e seu nome será uma mera e simples lembrança. Mais uma amante de mais um político corrupto, mais uma mulher que saiu na Playboy e rendeu alguns minutos de prazer solitário, mais um caso de podridão no puteiro que chamam de Brasília. Ela viu uma oportunidade, e a agarrou. Consumiu seu lucro, usou sua moeda de troca e agora vai sair de cena.

A bela amante de Renan Calheiros não voltará, como certamente voltará o senador. Ele com certeza vai se afastar do Congresso, ficar de molho alguns anos - poucos - e voltará triunfante. E ela... será apenas mais uma amante que ele teve, e que lhe deu um pouco de dor de cabeça. Mais nada além disso.

3 de outubro de 2007

Disfarçado de trabalho gratuito


Já lhe ocorreu que, alguma vezes, fazer um favor, um trabalho de graça pro seu pai, pro seu amigo e coisas assim são oportunidades de amadurecimento?

Eu estava afim de voltar ao mercado de design. Eu era, no meu antigo trampo, o especialista em arte gráfica, e tudo o que ia pra gráfica saia das minhas mãos. hoje, eu sou meio que auditor... e isso meio que me deixou fora da arte que tanto amo fazer.

Entretanto, apareceu uma oportunidade interessante. Eu e um amigo resolvemos atacar na internet, então logo, muito em breve, haverá um link todo especial no Godspeed. isso é trabalho gratuito, mas só o fato de poder voltar a afezr logotipos e poder pensar nisso de novo já é um grande alento.

Meu pai - um gênio de carinha redonda - me deu uma sugestão brilhante, e estupendamente simples, tão simples que eu quase me enforquei num pé de couve por não ter pensado antes: parcerias. Eu ataco a cara, e o outro ataca o conteúdo. Ora, o meu trabalho é justamente esse: dar pra qualquer coisa uma aparência que a diferencie das outras coisas.

Portanto, meus amigos, logo este blog vai passar por outra reformulação. Sim, pois este layout não é meu, e quero ter a dec6encia de fazer algo totalmente meu. E quem sabe, fornecer layouts para amigos.

Oportunidades vêm, ás vezes, disfarçadas de trabalho não-remunerado. Não-remunerado o caramba; e a desenferrujada que ele dá? e a volta do prazer do trabalho? Essa é uma das coisas boas do design: ele ainda preserva o prazer do trabalho.

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E a Pergunta do Jacaré Banguela é: Cadê o ACRE?

2 de outubro de 2007

Valendo menos que o esgoto

ATENÇÃO: este artigo está um tanto mal escrito.
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Sexo todos querem fazer. É bom, dá prazer, e tem infinitas formas, métodos, duração e lugares para se fazer. E ainda inventamos vários meios de evitar que desse momento de prazer haja a concepção: da mais barata e melada camisinha, ao requintado Yasmin, passando pelos testes de anticoncepcional masculino, para evitar a produção de espematozóides.

Então me responda: o que leva uma pessoa a jogar o fruto de seu ventre no esgoto da cidade?

Eu posso citar muitas razões. O ocultamento da gravidez pode se dar por inúmeras razões: de vergonha á religião. Ou simplesmente porque não quer arcar com uma conseqüência conhecida e propagada do sexo: a concepção.

O caso da mãe de 25 anos que jogou a filha recém-nascida num rio poluído, é um bom exemplo. Mas há de convir comigo que, se fosse uma adolescente de 15 anos, que foi devidamente enganada e desvirginada, acharíamos menos ruim. Afinal, o que uma adolescente sabe? Nada mais é do que uma criança com seios e clítoris, e como toda a criança é, inconseqüente. Mas foi uam mulher já formada que descartou um ser humano, como se ele fosse mais um item que mata o rio.

Quando eu escrevi que crianças são o novo estorvo, me senti meio constrangido. O direito á eternidade, o legado passado ao filho, a vida através da prole, sendo trocado pelo hedonismo. Ora, se quer transar, vai fundo. Saiba dos métodos paraevitar a concepção. E se não tem dinheiro, não é problema: o governo distribui camisinhas em postos de saúde. Basta pedir.

Eu poderia continuar xingando a mulher que descartou sua filha, mas o Mídia sem Máscara fez melhor. Leia o artigo, e o que você lerá aqui será redundante.

Onde estão os adultos de antes? Eu posso dizr, seguramente, que a tentativa de homicídio supracitada nada mais é do que um reflexo do que é passado para nós todos os dias. A irresponsabilidade é uma teologia de mercado.

Lá vai você de novo, PV, bater na mesma tecla. Sim, vou. Ora, tornar adultos em seres infantis, em busca de prazer e boas sensações, deixa tudo mais fácil. Que criança discerne entre o que pode e o que não pode? Ela só tem uma diretriz: a própria e egoísta vontade. Quantos casamentos não se dissolvem porque ninguém quer abrir mão de algo em prol do outro?

Crianças significam uma responsabilidade detestada. A gravidez é algo que muitas mulheres enfrentam sozinhas, pois os pais - muitas vezes namorados - ficam ausentes, com medo do bebê. Sim, medo. Alguém depende dele até pra cagar. E ninguém quer dar seu dinheiro em algo que não vai dar retorno imediato, e crianças são um exemplo de investimento a muito longo prazo, mas um investimento que demanda muito mais que dinheiro: requer presença.

A vida está valendo menos que na Antigüidade. Lá, ao menos, você ainda podia fazer o que quisesse sem ser julgado; atualmente, todos são julgados. A mulher em questão foi irresponsável sim: poderia simplesmente dar a menina pra adoção. Mas resolveu "se livrar" do problema, e quase a matou.

Haverão, e não faltaraão, pessoas que a condenem, mas também quem a proteja. Ela está errada. E será punida por isso. Entretanto, essa é uma chance para discutir: desejamos tanto o prazer que não queremos ser responsáveis por ele? A vida cobra, caro, por nossos erros. Estamos aptos a pagar por eles? Ou iremos pagar tudo, com juros, no final da vida?
Essa mulher vai amargar, pra sempre, a filha que ela quase matou. E esse preço ainda não começou a ser pago.