28 de setembro de 2007

Enfim, Chuva

O céu, após semanas longas de limpidez e claridade, foi finalmente coberto por nuvens cinzas, baixas, que escureceram a luz do meio-dia. A luz elétrica ganhou mais importância, e o medo de perder a chapinha começou a crescer.

O vento violento e forte, que passou por aqui pode três dias inteiros, perdeu intensidade. Agora é apenas um vento que mexe cabelos, e não o que os quer arrancar. Eleagora conduz as nuvens para perto, umas das outras, condensando a água que está ali há dias e dias.

o prenúncio de tempestade passa pela janela. As plantas qüinqüenais balançam com o vento, certas de que ele trouxe a bem vinda água do céu. O ar-condicionado daqui está seco, cheio de poeira. Os empregados estão com suas doenças respiratórias bem na vista, assim como eu.

Algumas mulheres daqui xingam. Citadinas, custam a querer a chuva que virá para anunciar os finais da primavera. Seus cabelos tratados, suas roupas que evidenciam dotes, seu andar e seus sapatos vivem no seco.

O som de um trovão mostrou seu eco. O que outrora fora uma poderosa descarga de energia, virou apenas um som longínquo. As gotas primordiais serviram para gotejas as roupas, e para aumentar os ânimos: a chuva virá.

O vento cessou. As nuvens pararam de se mexer. A primeira gota caiu. Ao se chocar contra o asfalto quente, imediatamente virou vapor. Mas este vapor não conseguiu ascender. Foi barrado por milhões de outrs gotas que seguiram a líder, que caiu sem querer. O asfalto tentou evaporar as gotas. Foi esfriado.

O som de chuva ecoa dentro do escritório. Sons de felicidade de e antipatia se misturam na reação humana. O cansaço da semana, aliado ao trabalho exacerbado, transformou o som da chuva em a trilha sonora perfeita para o descanso. A cama e a companhia nunca foram tão convidativas.

Os trovões ecoam. A chuva permanece em cadência militar, sem grandes avanços. As nuvens ainda não estão baixas o sufciente para uma tempestade, mas estão cheias o suficiente para derramar por uma noite toda. O suficiente para que alague a cidade de terceiro mundo, o suficiente para que arranque xingamentos dos citadinos.

Mas a chuva veio. Semanas de ar seco, garganta estourada e narizes em aparelhos de inalação, e o ar foi cheio de umidade novamente. O horizonte esbranquiçado mostra o poder da chuva. Ela não é grossa, mas é longa, e cobre uma área enorme.

Respirem. Enfim, chuva. 

21 de setembro de 2007

Sobre Pena

Não é sobre penas de aves. É sobre aquele sentimento de dó, que apenas se sente e nada se faz a esse respeito.

A situação que me fez discorrer sobre isso - ao som de Repressed, do Apocalyptica - foi quando vi a que ponto um homem pode se rebaixar quando seu orgulho foi despedaçado. Num dia, ele estava por cima da carne-seca: carro, um bom emprego, um excelente salário, apartamento e mulher. Tudo do melhor sempre. Até que um dia...

Um dia, por causa das coisas ruins que fez no trabalho, ele perdeu seu bom emprego. Antes disso, ele perdeu a namorada. Teve que abdicar do apê, teve que reter o uso do carro... e ficou sem grana.

Mas, seria isso tudo? seria isso o fim? JAMAIS! Eu conheço um homem que teve sua própria empresa, mas faliu. Apesar de hoje ser funcionário, e não patrão, seu sorriso e bom-humor são inerentes, e conseguiu se reeguer. Mas o rapaz em questão aqui... o que dizer dele?

Reconheço sim que o mercado de trabalho está bem difícil, mas isso não é desculpa: quer emprego, arrume. Sempre se recomeça por baixo, nunca com seu último salário. Mas ao contrário disso, ele manteve seu orgulho, e ostenta seu nariz empinado até o presente momento. Devido a uma dívida com sua ex-namorada, ele estorva a família dela inteira, mesmo sabendo que lhes deve respeito e mesmo sabendo tudo o que houve entre eles. Muito amor pode gerar muito ódio, até que ele se torna desprezo.

E hoje, esse cara amarga isso: o desprezo. Ele é desprezado por sua credora e por sua família, e cada negociação é um inferno. Mas quanto mais barulho, maior o silêncio da parte ofendida, pois sabe que são bravatas de um bufão. O papel de palhaço que a ele cabe é o pior que existe: o de um cara que simplesmente perdeu seu rumo, e ainda não soube se achar. E com isso, acredita que todos á sua volta estão como ele.

Sinto pena dele. Altos e baixos sempre temos. Ofensas, fazemos e sofremos. Mas quando se atira para todos os lados, isso se torna infantilidade, e fecha a pessoa em si mesma. Saberá este homem aprender com a humilhação sofrida? será ele sábio o suficiente para crescer, mesmo que a juventude já não faça parte de seu cotidiano? ou será eternamente um tolo, um palhaço, de quem as pessoas suspiram em reprovação, meneando a cabeça?

Chance esse meu nobre citado tem todos os dias. Mas não sei dizer se terá a valentia para enxergar a situação e enfrentá-la. Enfrentar as pessoas é fácil: elas não podem resolver as coisas, e então surge sua rebelião. Difícil é enfrentar em si o que há.

Não cabe a mim dizer o futuro. Mas, a saber como meu nobre citado age e pensa, sinto pena dele, e nada mais. Suspiro em reprovação e meneio a cabeça. O que virá para pessoas como ele, no futuro próximo? Execração. A perda do que nem tem. O fim de sua voz e de sua energia, enquanto seus enfrentados gozam da vida que ele queria ter. As coisas passam, eu sei. Torço por meu personagem. Espero realmente que ele deixe seu papel de bufão e se torne um homem.

Pois se não deixar, perderá, por causa de si mesmo, as coisas que ele mais valoriza. E ainda assim, ele porá a culpa em outrem.  

18 de setembro de 2007

Esperança

Hope is beauty, personified
Apocalyptica escreveu uma letra que fala sobre esperança. A letra descreve com destreza como ela se dá, como ela se parece e como ela se vai.
At her feet the world, hypnotized
Eu postei sobre o Renan, e como ele se ferrou. David, como de hábito, escreveu uma comentário - sempre bem-vindo - discordando de meu post. E ele foi simples, conciso e direto: Renan se safou, mas o senado não.
A million flashes, A million smiles
A esperança era que finalmente, após provas berrantes que o incriminavam, o Senado seria um representante do povo - como em sua prerrogativa o é - e afastasse o adúltero. Não por ter pulado a cerca, mas por fazer uma rede muito bem tecida para pagar uma bela pensão para sua amante e sua filhinha.
And on the catwalk she flies in style
E ele se safou. A torcida que tínhamos de sua punição, possível execração pública, e de seu afastamento foi frustrada. O Senado provou seu espírito corporativista, e votou para um dos seus. Entrou na política, salvou sua fortuna e sua filhadaputez.

* But in this heart of darkness
Quando eu disse que Monica ferrou com Renan, não foi exatamente no sentido literal. Eu penso que a imagem arranhada de Calheiros, unida á pequenez e á canalhice do Senado Nacional, veio á tona por causa dela. A amante do infiel trouxe para todos o que todos já sabiam: bombardiemos Brasília, roubemos os desgraçados que merecem ser roubados, e tomemos de volta o que nos foi tirado.
* All hope lies lost and torn
Isso deve servir para que o Brasil pare com essa esperança idiota e vã: de que no próximo governo, tudo vai melhorar. Votamos no Lula achando isso, e hoje nos arrependemos amargamente. O apedeuta ainda se faz de besta, enquanto seus liderados pintam e bordam com o dinheiro público, cobrado em duplicidade.
* All fame, like love is fleeting
Eu achava que com Calheiros absolvido, começaria uma corrida em busca da recontrução da imagem do Senado. E a CPMF seria abortada, e nos livraríamos de mais um imposto lazarento e mentiroso. Contudo, eu tenho quase total certeza que me enganei. Eles não irão abdicar de seu dinheiro usurpado de nós, ele não vão deixar uma arrecadação perfeita e impossível de sonegar quanto a que incide sobre  movimentação financeira. Eu até não ligaria pra ela, se ao menos eu não tivesse tantos impostos sobre meu salário.
* When there's no hope anymore
Agora, surge uma corrida: a da manutenção do poder. Lula e os esquerdistas querem continuar a sugar nosso sangue, e dá-lo - processado - aos pobres. Pobreza não é um estigma, mas um estado, que a pessoa pode escolher se quer que seja eterno ou passageiro. Entretanto, ao manter a pobreza, cria-se uma legião de eternos dependentes: uam grande massa de manobra, que vai sempre seguir aquele que lhes dá o pão, sem que tenham que, para isso, derramar o suor de seus rostos.

Pain and glory, hand in hand
Me envergonho de meu país. Me envergonho da máquina estatal que tudo emperra. A elite brega e imediatista não quer ficar rica como a elite internacional, e seus poucos milhões ficam graças ao seu bairrismo e preconceito para com seu próprio país. Odiar os pobres? porque não usá-los para gerar trabalho, e assim gerar renda, e assim gerar compras e assim gerar renda, e assim gerar empregos, e assim gerar renda...? É fácil termos shoppings, difícil é ter pessoas que trabalhem neles para nos servir, afinal, não gostamos de gente feia. E gente feia pra nós é pobre.
A Sacrifice, the highest price
Um país pode ser exemplificado perante o mundo por seu governo: como um povo pensa é o modo como o governo age. E posso seguramente dizer que o jeitinho brasileiro - aquele que não terminou igrejas na Bahia para não pagar impostos, o que molha a mão do guarda para não levar multa - está impregando nas paredes brancas da capital projetada por Niemayer.

Like the poison in her arm
Mas Renan se salvou. Não é o que gostaríamos que acontecesse conosco, quando nos metemos numa enrascada? Que saíssmos ilesos, e até mesmo altivos?
Like a whisper she was gone
E nosso hábito de justificar os erros? E a mania de colocar a culpa nos outros, ou em outra coisa?
Like when angels fall...
Tudo isso reflete no Senado. Nós labutamos aqui, tentamos ser honestos na medida do possível, mas como ser honesto, quando o desonesto ganha?

* In this heart of darkness
Monica Veloso abriu para todos a cumplicidade do Governo para com os seus. O que não era novidade se tornou patente. Podemos aprender algo com isso, ou xingaremos e nos acomodaremos, como de hábito? Como perguntou o David, cadê os caras-pintadas? Cadê os protestos populares? O povo das ruas, não pode berrar sua indignação?
* All hope lies on the floor
Se isso ocorresse na Argentina, por exemplo, seria diferente. Calheiros teria caído e cassado, e seus comparsas na farsa de Monica seraim condenados. Aqui, bem aqui ele é condecorado.
* Love like fame, is fleeting
Mas onde 200 pessoas morrem num acidente aéreo, e dois meses depois ainda não se chegou numa conclusão, se espera o quê? A leniência e a indiferença marcam o modo como levamos em consideração essas coisas. Mas isso aconteceria se a filhinha do Renan estivesse naquele vôo?
* When there's no hope anymore
Não sei dizer. Mas ele foi esperto. Quando todos diziam para ele renunciar, ele se manteve, certo de que se manetria onde estava. E ele estava certo. O Senado não pune os de sua laia, apenas os que ousam ser honestos. Honestidade não combina com Brasília.

Like the poison in her arm
Sinto muito, mas a esperança do Brasil no Brasil acabou. Esse país está condenado a ser eternamente a mesma coisa.
Like a whisper she was gone
Se alguém puder se salvar, se salve. Saia do país, vá para algum lugar sério - Argentina e Chile, por exemplo. Saiam desse país. Salvem-se. Não há esperança aqui.
Like an angel fall...

12 de setembro de 2007

E quem venceu foi Mônica Veloso

UOL | TERRA

Hoje o dia tá longe de acabar.

Renan Calheiros, o imbecil do Senado, ferrou sua carreira política quando resolveu transar com a jornalista gostosa. Ela, usando o principal recurso que qualquer mulher possui - esse mesmo, meu amigo - e ferrou com o Senado inteiro.

Verdade. Ele manteve uma pensão violenta pra ela, custeada por um empreiteiro. E isso é ilegal. O senado não gostou. Todos fizeram pressão pra que ele renuciasse. Ele não largou e aconteceu uma votação. E não é que o boiadeiro infiel venceu?

Uma demonstração como o povo do Senado tem rabo preso. De duas uma: ou esse infeliz tem na mão muita gente, ou o Senado é tão corporativista que nunca vai arrebentar um dos seus, mesmo que necessário. Depois dessa votação, ficou a imagem desses políticos ainda mais suja: antes, eles eram corruptos. Agora, eles querem é manter esse status. Ajudando Renan, eles garantem que suas (ou seus) amantes continuarão recebendo por fora, por exemplo.

Devo colocar que essa Mônica Veloso, além de bonita, é esperta. Tirou tudo do Renan: a imagem perante a nação, dinheiro, um excelente contato rico, influência, renome e informações. Eu até poderia arrumar adjetivos ruins pra isso, mas ela agiu como uma mulher espartana: entrou na política pelos lençóis. Arrebentou Renan, sujou a imagem do Senado, expôs mais um caso de corrupção - no alto conselho, pelo seu principal dirigente - e ainda posou na Playboy. Ela lucrou muito: fama, dinheiro, voz ativa, e ainda virou sex symbol.

Os senadores agora se dividiram ferozmente: vão lutar contra o dirigente, e vão encher o saco dele e de Lula no lance da CPMF. Mônica ferrou toda uma votação já certa, que ia enfiar a mão no nosso bolso. Não que ela não vá ser aceita no final de tudo, mas os encantos da mulher nos manteve longe, um pouco mais, de mais um imposto. Os encantos mais temerosos da República.

A mulher saiu ganhando incrivelmente. Renan está fora da jogada pelos próximos 8 anos. Eu adoraria dar á ela pessoalmente congratulações por sua perspicácia e por suas artimanhas.

Homens, fica o recado. Cuidado com quem vocês levam pra cama. Ela pode ferrar sua vida nos próximos anos.

...e o viral veio pra ficar.

A arte da publicidade boca-a-boca existe a incontáveis séculos. E quanto mais o homem constrói meios de falar com a massa, mais esse tipo de divulgação é usado.

Um exemplo? Blogs. O próprio Godspeed já figura em alguns blogs bem frequentados - como o do David e o Pavablog - e assim se cosntrói grandes nomes. Kibeloco e afins não fizeram público fazendo outdoors, mas um passou pra outro, e outro.... e assim foi. O maior exemplo disso foi Bruna Surfistinha.

Ao desmascarar que uma celebridade do YouTube foi fabricada pela Disney hollywood Records, duas coisas ficaram patentes: a galera da net está cada vez mais dentro dela, e agora as empresas viram que super anúncios não pegam mais: o lance é o corpo-a-corpo.

A menina foi uma testa-de-ferro pra testar como fabricar uma celebridade cibernética. Grandes corporações, depois desse fato, vão ver que a galera quer é algo acessível, e não uma coisa que não gere ao menos uma resposta. O relacionamento via internet é mais íntimo e mais perto, muito menos formal. Uma cibercelebridade troca mails com seus fãs numa boa, e não precisa de fã clube organizado.

Isso na verdade é um aviso: comunidades, blogs e coisas aparentemente feitas por uma pessoa comum podem ser resultado de um estudo detalhado de mercado. E ao que parece, senhoras e senhores, o marketing vai entrar num novo mundo: o mundo do viral e das memes, da blogosfera e dos avatares. Melhor ir se acostumando. 

A vingança de Chris

Quem de nós tivemos seres que nos infernizaram na escola? A bem da verdade, eu não tive nenhum desafeto. Eu não era humilhado, mas era zoado como qualquer um, e eu também podia zoar. Não tenho más recordações da escola, apenas más recordações de meus boletins em matérias exatas.

Quando o Coldplay estourou nas paradas de sucesso, Chris Martin entrou com a imagem de um sujeito boa-praça, simples; cuja banda faz música de qualidade e suas letras são sempre positivas e cantadas com vontade. A imagem de um sujeito "numa boa" pegou.

Entretanto, eu li em vários sites uma notícia antiga: a de que ele se vingou de um colega de escola. O cara estorvou o loirinho, infernizou sua vida e fez mal, como todo o bullying deve ser. Chris agüentou, cresceu e se formou. E a vida acabou por lhe dar uma coisa interessante: a fama, a fortuna, a esposa, uma legião de fãs e uma vingança deliciosamente simples.

Quando se reencontrou com seu desafeto, ele não era mais o moleque, era o Chris Martin, do Coldplay. Ele apresentou sua esposa ao seu desafeto, que deve ter ficado muito mais envergonhado ou furioso: acho que um "eu mereço" percoreu sua mente. Imagine: tanto tempo estorvando o garoto, usando ele para chacota e todas aquelas coisas que crianças mais fortes fazem sobre as menores.

Já imaginou: "sou amigo de infância do cara do Coldplay". O infeliz perdeu uma oportunidade ímpar: um pingo de respeito a mais, e o ressentimento que o cantor teria seria apenas uma lembrança de escola. Uma dentre tantas.

Não que você deva lamber a bota de todos, mas saber zoar e sabe se calar é parte integrante do comportamento. Eu imagino as crianças que sofrem por serem gordas, terem algum defeito ou simplesmente serem mais fracas. O futuro pode até mesmo ser interessante para elas, pois a vida tem alguns prêmios.

E castigos. Uma coisa que o Chris soube fazer. 

10 de setembro de 2007

Ainda escravos

Fazia um tempo que eu queria escrever sobre escravidão. Eu provavelmente iria falar sobre como a mente do homem moderno está condicionada á fazer o que mandam... mas se o fizer, o que me torna diferente dos demais? Xingar o sistema qualquer boçal como eu faz. Mas se quer fazer algo novo, pensar é um expediente necessário, mas incômodo.

Quando eu li este artigo, não fiquei impressionado. Afinal, quanto vale um ser humano pobre e negro no mundo atual? Escravidão? os olhos fechados que todos fazemos para o que está diante de nós - do trombadinha aos prisioneiros - e deixamos que aconteça. Acusar de hipocrisia seria chamar a mim mesmo de hipócrita. Quem de nós se importa com a turba empobrecida que nos incomoda em nossos shopping centers? Quem de nós vai abaixar o vidro do carro? Quem vai se mover?

Quando olho o que fazem com os homens e mulheres da África, eu fico com um gosto amargo na minha boca. E se eu fosse um daqueles garotos? E se meu filho fosse?

Mesmo que você me julgue obtuso, por não ver com os olhos deles, eu noto que não estamos muito distantes de uma revolução. Algum dia esse homens e mulheres que movem nossas moendas vão se negar a trabalhar pela miséria que recebem, e nossa sociedade vai parar. E xingaremos a todos novamente, e os castigos vão começar, e tudo o que erguemos de tecnologia vai ruir na falta de energia. E mal saberemos cultivar nossa horta, pois as lavouras pararam. E ficaremos sem alimentos prazerosos, pois quem os produzia se negou a fazê-lo.

Eu creio que quando os nossos humilhados e ofendidos, os que fazem o trabalho que não queremos fazer - os párias de qualquer sociedade - pararem, o mundo vai feder. Nosso cheiro real vai subir, e não vamos gostar.

A escravidão é um reflexo do que, em nosso íntimo, achamos realmente que vale a vida humana. Cães e gatos tem funerais, mas crianças são abortadas e ninguém se importa. Knut cresceu, e meninas chinesas são mortas por serem meninas. deixamos de fazer hidrelétricas por causa de bagres.

Eu me enojo de mim mesmo quano me sinto incomodado na presença de um mendigo. Ele bem que pode estar fingindo, se acostumou á vida de vagabundo. Mas e se não for?

A escrdidão ainda se dá no mundo pós-moderno, para nossa vergonha. A inação dos que não estão no chão, que andam de carro frente aos miseráveis produz os quadros que o NIN projetou.

Ainda escravos. E nós não nos importamos com isso. 

Muito em pouco

As frases abaixo vieram do site de Joelmir Beting. E eu creio que, após a devida reflexão, ela falam muito mais que muito texto perdido por aí.

Especialmente esta aqui:
Quem bate esquece; quem apanha, não.

Provérbio citado por Fouad Mohamad Fakih, empresário
(06/09/2007)


Há uma revoada de aves de mau agouro que não querem que as coisas dêem certo neste País.
Presidente Lula, no lançamento do ProJovem, programa de apoio a jovens de 15 a 29 anos
(05/09/2007)


Muita gente acha que o Nordeste nasceu para emprestar pedreiro e lavador de carro para as regiões mais ricas deste país.
Presidente Lula, em Ipojuca (PE)
(04/09/2007)


Quebrar coco adoece demais.É uma acabação da mulher. A gente só quebra por precisão.
Maria Cardoso, 62 anos, quebradora de coco de babaçu no Maranhão
(02/09/2007)


Não vemos necessidade de fazer superávits primários mais altos .
Paulo Bernardo, ministro do Planejamento, sobre os 3,8% do PIB previstos para 2008
(31/08/2007)


O Brasil é o do homem que tem sede ou do homem que vive da seca do sertão?
Ney Matogrosso, cantor
(29/08/2007)


O Brasil são os trens da alegria de Brasília ou o Brasil são os trens do subúrbio?
Ney Matogrosso, cantor
(28/08/2007)


Numa economia globalizada, nenhum país é uma ilha. Muito menos o Brasil, que se atrasou tanto.
Alberto Tamer, jornalista
(26/08/2007)


Eu não vejo nenhum reflexo da turbulência internacional na inflação brasileira.
Guido Mantega, ministro da Fazenda
(24/08/2007)


Brasil é o mais claro exemplo da recém descoberta estabilidade financeira da América Latina.
Trecho de artigo da revista britânica The Economist, sobre a atual crise financeira global
(23/08/2007)


O terrível nesta terra é que todo mundo tem suas razões.
Jean Renoir (1894/1979), escritor e cineasta francês
(22/08/2007)


Bad loans, bad credits (Empréstimos ruins, créditos ruins).
Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA
(21/08/2007)


Isso é um fenômeno característico das finanças norte-americanas, que sempre pecam pelo excesso.
Christine Lagarde, ministra da Economia da França, sobre a crise financeira internacional
(20/08/2007)


Os EUA não são mais a locomotiva do mundo e do comércio mundial. A locomotiva é a China.
Guido Mantega, ministro da Fazenda
(19/08/2007)


Não basta ser bom, há que ser inteligente.
Cristina Kirchner, senadora e candidata a presidente da Argentina, falando a empresários
(17/08/2007)


Essas crises passageiras refletem o crescimento da economia do imaterial.
Gilberto Gil, ministro da Cultura, formado em Administração de Empresas e ex-fiscal aduaneiro
(17/08/2007)


A economia americana é fundamentalmente sólida, por isso esperamos ver maior crescimento econômico.
Gordon Johndroe, um dos porta-vozes da Casa Branca
(16/08/2007)


O Brasil está várias revoluções atrasados. Nem o fim do feudalismo foi providenciado, aqui.
Luis Fernando Veríssimo, músico, escritor e publicitário
(16/08/2007)

9 de setembro de 2007

Andando na Noite

Como eu já escrevi aqui, eu tive um dia em que eu andei que foi uma maravilha. Eu vim revisitar esse episódio.

Quando eu desci da van, deixando a Garota da Sala, me dei conta que eu estava em algum lugar, e que eu não fazia idéia de onde eu estava. Com um número dado por um colega, eu consigo um táxi. Mas.... os 60 pilas que eu tinha seriam apenas pra sair de Jundiaí e ir pra Vinhedo.

O motorista me foi muito cordial. E me deixou na rodoviária de lá. Sem nenhum puto, sem recursos e sem vontade de fazer meu pai vir atrás de mim, me aproveitei de meu mau cheiro, meu cabelo desgrenhado, minhas roupas pretas e minha cara de sono pra fazer uma coisa que apenas um doido faria: ir andando até o outro extremo da outra cidade.

Me senti meio que o Gambit escapando da Antártida. E como eu tenho o péssimo hábito de falar sozinho, e ALTO, quem se aproximaria? Um louco perdido na noite. Milhares de pensamentos e histórias possíveis vieram á minha mente, me dando a carga que ajudaria o tempo passar. Eu devia estar na divisa das duas cidades, e a Garota da Sala já deveria estar dormindo.

Qual meu argumento? É que quando não temos escolha, e apenas a alternativa absurda aparece, nós acabamos por desenvolver métodos interessantes para atravessar esse pequeno problema. Alguns quilômetros me separavam de minha cama. E eu não tinha muita escolha senão cobri-los.
A parte mais bizarra era estar sozinho numa avenida enorme, onde um ou outro carro surgia de algum lugar e ia a lugar nenhum. Minhas botas, antes pesadas, ficaram lépidas, e meus grudentos olhos ganharam rapidez para percrutar e identificar o ambiente. O absurso de passar por quase 10 quilômetros apé em plena madrugada ficou mais fácil.

Entre papos de louco solitário e buracos na calçada, eu cheguei em casa. A porta se abriu quase como se o fizesse para um herói. O silêncio da casa foi quebrado violentamente com o som de borracha dura e lama e terra e suor, vindos de minhas botas e roupas.

O absurdo foi feito. E cheguei em casa. E na semana seguinte eu consegui quase 30 minutos de exlusividade da atenção da Garota da Sala, quando falei que fui a pé pra casa. Engraçado como ir á pé hoje é uma coisa em desuso.

Eu me diverti quse proporcionalmente mais na empreitada da madrugada que no show do Angra. E hoje tenho uma história legal pra contar.

3 de setembro de 2007

Produção, nós não

Eu li no G1 que o trabalhador brasileiro está menos produtivo, perdendo para os hermanos, bósnios e iranianos, se equiparando aos ugandenses.

A explicação para isso?

Primeiro que vivemos num país onde a cultura é a da vantagem, não a do trabalho. Um lugar onde o crime compensa sim, quase não dá pra confiar no colega de trabalho e a lei de Gérson se embrenha nos meandros da mentalidade brasileira. Pra que trabalho, se os espertos e trapaceiros alcançam melhores posições, e os honestos levam muuuito tempo pra chegar lá?

Segundo que temos um governo que incentiva a imoralidade. Haja visto a liberação sexual para crianças de 13 anos. Se não há mais respeito para com o próprio corpo, como haverá respeito para com o próximo? O sexo reina, e liga-se a TV e lá está a Malhação. Liga-se a TV e lá está um adultério, uma relação homossexual, uma amizade traida.

Terceiro, nossos governantes são exemplo de deboche com as leis e de espoliação do dinheiro dos impostos. Se a farinha é pouca, o meu pirão primeiro. Aumento de salário no luto da queda do avião. Desvio de verbas, propinas... Uma demonstração de que aqueles que colocamos no poder são nossos modelos. (uma coisa que eu sempre quis falar: o que achar de um candidato a qualquer coisa se ele coloca "seriedade" como qualidade? Não deveria isso ser uma obrigação?)

Quarto e último: Nosso salário é minúsculo frente ao preço abusivo das coisas que temos que comprar. E é ainda mais diminuído com os impostos pornográficos que temos que arcar, financiando uma máquina estatal inoperante e incompetente.

Agora me reponda: com tudo isso, e coisas que eu devo ter me esquecido de citar, quem tem vontade de trabalhar e fazer o país prosperar? Sem uma previdência que funcione - anulando assim qualquer sonho na aposentadoria - e salários que compensem o trabalho, só sobra isso: um brasileiro cada vez menos produtivo.

Mas não tem problema: quem sabe, o governo inventa uma Bolsa-Incentivo. Quam sabe virando pobres de vez, possamos gozar dessas regalias anti-esforço.