16 de abril de 2007

Sobre Graça

Ainda sinto o gosto da saliva dela na minha boca, bem com sua expressão suave, bem em frente ao meu rosto. Ainda percebo meus labios molhados, com gosto diferente ao usual.

Entretanto, ao sentir tal gosto, me vem a pergunta: a que preço?

Eu ando caçando livros de G.K. Chesterton e de C.S. Lewis, apenas para poder ter acesso a material mais palatável sobre assuntos que quase nunca estão em pauta.

O que isso tem a ver com ela?

Uma das coisas que tenho pedido é pelo fato de estar errado. Fizemos tudo certo, mas coisa parece que vai descambar. Entre provocações e insinuações, de ambas as parte, eu vejo que existe uma coisa que ainda não me falaram e que eu vou ter que testar sozinho.

Quando eu falo sobre Graça, eu falo sobre a gratuidade de Deus, e sobre sua benevolência salutar. Ele não vai evitar que eu a boline, mas vai me dar alguma recompensa se eu não fizer. Ele não vai me dizer que estou errado, mas vai me ajudar se eu fizer algo errado.

Graça é aquilo que nos falta. É o fato de não esfregarmos os erros dos outros em suas faces, para provarmos que somos melhores que os outros. É o ato de aceitarmos o retorno dos que erram.

Victor Hugo disse: "Desejo que você seja tolerante. Não com os que erram pouco, porque isso é fácil. Mas com os que erram muito, irremediavelmente." Pode parecer improvável, mas isso é o mais difícil de fazer. Tendemos a ser iracundos quando temos que falar oitenta vezes a mesma coisa pra mesma pessoa. Mas se erramos também, ás vezes sempre o mesmo erro, porque não podemos fazer com os outros o que gostaríamos que fizessem conosco?

Em tempos irracionais como esses, tais desígnios paracem absurdos. Mas a Graça é absurda. Como falar um enorme "deixa pra lá" quando fomos aviltados? Como sorrir pra pessoa que nos difamou?

Sinto falta de seu cheiro açucarado, e dos contornos de seus lábios. Mas vejo que o não posso me esquecer que tenho coisas a cumprir. A Graça é de graça, fique com ela. De graça eu recebi, de graça eu tenho que dar. Se tem que ser compreensão, porque não? se tem que ser um enorme "deixa pra lá", porque não?

Vejo cada vez mais porque os cristãos são tão ridicularizados. Cristianismo é ridículo. Preso a leis e costumes, as pessoas se perdem dentro da liberdade que deveriam desfrutar desimpedidamente. Mas quando o próprio Cristo chega, tudo o que odiamos e deixamos de lado, que desprezamos e desvalorizamos, se tornam nossos professores. Para que ninguém se glorie, riria Ele.

A Graça conserta o que está errado. Ela vem, e é capaz de quebrar egos, para que aprendam. Ela vem e reconstrói pessoas, para que readquiram o orgulho da existência.

Sobre Graça era pra ser um artigo sobre Ela. Acabou sendo sobre eu mesmo.