16 de janeiro de 2007

21 Milhões

Esse é o número de pessoas que Michael Moore sugeriu a Bush que envie ao Iraque para vencer a guerra.

Enquanto escrevo isso, ouço "Counting Bodies..." do A A Perfect Circle. É uma música sarcástica, cujo clipe, feito em animação de flash, é um protesto violento contra a guerra, especialmente a manipulação do povo para a guerra.

Os cartazes ao lado são obra da banda, onde você vê que a ignorância e a fé cega no governo, sem questionamentos e sem advertências são incentivadas. Como se tudo fosse fácil, simples e nada oferecesse resistência. Os outros povos tem a obrigação de se subjulgarem, de não oferecer resistência e abandonar seus preceitos em prol do invasor, pois ele veio "trazer a democracia e a liberdade". Liberdade.

Livre sou eu, que posso pensar contra o governo livremente, e não serei preso pela Polícia Federal. Livre sou eu, que posso criticar a guerra. Livre sou eu, embora pobre e suscetível ás ameaças econômicas dos EUA. O quintal do Estados Unidos, nós a América Latina, nada mais é do que um lugar que não pode oferecer resistência aos ensinamentos da Doutrina Truman; que o diga FHC, o PSDB e os Militares.

Concordo em parte com ela, afinal, americano também sou eu. Mas viver em função de um país que não é o meu é um insulto. E ver que tal país alimenta sua máquina de guerra apenas para movimentar sua economia é ainda mais nauseante. Quer lugar melhor pra dar um gás na economia que a África? Que tal construção de infra-estrutura? técnicas de plantio pra evitar o aumento do Saara, que avança em direção ao Sahel? Se meu país tivesse empresas transnacionais com estrutura pra isso, aposto que já teria feito alguma coisa. Além do que, os africanos não vão oferecer resistência alguma, posto que você vai levar pra lá o que muitos deles jamais teriam se dependessem do seu governo.

A política externa norte-americana se dá o direito de preservar o modo de vida á todo o custo, mesmo que isso custe "vidas americanas". O melhor exemplo disso é a foto na revista Veja, onde a foto de casamento de um soldado que retornou da guerra, mas lhe custou um braço e seu rosto: desfigurado por causa de uma bomba. Onde antes havia um rosto bem feito, há agora uma cicatriz com olhos e boca, mais nada. Ele se casou, mas sua volta pra casa foi dolorosa.

Ele lutou em prol de quê? Eu digo: em prol do futuro abastecimento de petróleo, da influência norte-americana em países árabes, do ponto estratégico no Oriente Médio. Mas isso era preciso? A chamada ameaça iraquiana se provou ser uma mentira, anunciada aos quatro cantos em alto e bom som, ratificada pelas autoridades. E o presidente se reelegeu.

Isso prova que, em certos casos, o governo quer que a população continue movimentando a economia, pra que sua máquina não pare. Dinheiro em somas vultuosas fluem, e isso não pode parar. Se for preciso matar, mutilar, desfigurar ou aleijar milhares de jovens, que seja. Afinal, a grandeza de um país vem em primeiro lugar, muito antes da vida.

Por isso, eu que antes tinha ojeriza de norte-americanos, hoje tenho apenas dó. Porquê é um povo manipulável, que faz o que seu presidente manda. Confiam piamente na providência, e que ela os manterá. Esse é o ensaio do Estado Babá, onde ele toma conta de tudo e de todos, e os cidadãos não têm que se preocupar com sua política, tampouco com o resto do mundo, que jaz na miséria.

Uma coisa é o patriotismo, outra coisa é ser privado de suas idéias, de livre-expressão e do direito de escolha. ANtes de mais nada, o direito de escolha não escolher entre o preto e o branco: é poder não se submeter á essa escolha. Enquanto a guerra do Iraque consome dinheiro, armas e vidas, as famílias dos soldados são as únicas vozes que gritam em alto e bom som, para que eles voltem. Ao invés de retirar as tropas e mandar só empresas, pois os exércitos internos que se matem sozinhos, Bush manda 20 mil homens a mais. Um impropério.

Uma guerra longa cansa. Ela mina a vontade e a coragem de qualquer soldado. E isso é um preceito que Sun Tzu disse em sua "A Arte da Guerra". Assim sendo, ainda teremos muitas baixas, pois numa guerra longa, não morrem apenas homens. Morrem egos, morrem almas, corrompem-se destinos e vontades.

Acredito que num evento como esse, os erros não podem ocorrer; mas Bush só os cometeu. Ele iniciou uma guerra que teria sido ganha, se suas tropas se mandassem quando Saddam foi encontrado. Mas ali, vai ocorrer o mesmo que ocorreu com nossa ditadura militar: o prolongamento irá destruir a imagem salvadora, e convertê-la em um algoz violento a ser morto.