24 de janeiro de 2007

Opiniões Divergentes

Mídia sem Máscara e Observatório da imprensa.
Tão opostos quanto Leste e Oeste.

Enquanto encontrar alguma matéria sobre o rombo no chão da Rua Capri no Mídia é tarefa árdua, o Observatório tem uma coluna fixa.

MSM critíca o governo, o PAC e Lula. O OI dá sugestões de melhoramentos, e também critícia o governo e suas condutas.

Qual deles está certo?

Nenhum.

Eu os leio simplesmente porque tenho que ler. Saber da política e de opiniões divergentes - porque nunca haverá jornalismo imparcial, não no Brasil - apenas porque eu posso fazer a minha própria opinião.

Sou sim, a favor do livre mercado. Mas sou contra o entreguismo do FHC, sou contra a teologia do PSDB. Acredito que a economia deve ser regrada pelo mercado, e que o governo deve intervir para evitar que as flutuações culminem numa crise; a administração serve para manter as coisas caminhando, e não o laisse-faire; pois dele já foi provado, e ele dirige para a recessão.

Não posso dizer que apoio o governo, pois ainda não provei das benesses prometidas pelo PAC. Se o governo quer fazer algo, está, ao meu ver, correto: a infra-estrutura do meu país é mais zoneada que meu quarto, onde roupas se espalham pelo chão.

Eu adoraria que os trens á 100 por hora interligassem o país, assim eu não teria que gastar muito pra ir ao nordeste. Gostaria que a malha ferroviária fosse melhor, pois assim o fornecimento de chocolates seria mais rápido e mais barato. Se as hidrovias funcionassem, talvez eu começasse a comer mais açaí.

Impostos menores, mais poder de compra. Entretanto, para nossa política, reformas nesse ponto significam abrir mão de privilégios, de cabrestos e currais eleitorais.

Do alto de toda minha ignorância, meus parcos 21 anos, eu digo que desenvolver os cérebros das crianças, incutir-lhes constituição, sociologia e filosofia como matérias essenciais - leia-se que repetem se você não for bem nas provas -, em suma, apenas uma única reforma: a da educação, de forma que ela fique em patamares tão violentos quantos os da China, culminaria na reforma política.

Eu creio nisso, pois crianças educadas - e estimuladas por favor, porque eu mesmo detesto estudar, mas reconheço o valor disso - serão adolescentes cientes. Imagine que a libertinagem sexual deles ao menos não vai produzir bebês indesejados. Imagine que em sua idade adulta, não votarão em ACM, Sarneys e afins. Imagine que a tão sonhada reforma política se dará fora de Brasília.

E depois disso, uma coisa com a qual eu sonho: um boicote generalizado aos impostos. Isso obrigaria os governos - municipal, estadual e por fim, federal - a rever, finalmente, a tabela e alíquotas.

Eu sou um ignorante, dando sua ignorante opinião sobre um tema o qual eu ignoro. Não conheço os trâmites do governo, mas sei que eles são lentos. Mas se minha ignorãncia se unisse com a de outros, e fossemos iluminados com o conhecimento político necessário - Franklin Martins seria um dos professores - eu creio que nossa ignorância viraria consciência.

Enquanto isso, eu leio opiniões divergentes, para poder formar minha própria e ignorante opinião.

22 de janeiro de 2007

Sobre política na informação.

Tenho uma curiosidade ferrenha pra viajar. Tenho dois grandes destinos: Venezuela e Cuba. Eu explico.

Eu leio na Veja, assisto o jornal Nacional, leio o G1: todos preconizam o ódio ao Hugo Chávez, como se ele fosse o demo. Dizem que a Venezuela está um inferno, que a população está com medo e que as empresas sofrem ali para se manter.

Será mesmo?

Eu gostaria, sinceramente, de saber como estão as coisas lá. Sério. EU adoraria ir lá, eu mesmo, e fazer um turismozinho político. Sério. Perguntar pras pessoas na rua o que melhorou e o que piorou na Venezuela. Perguntar quais as prerrogativas da greve da PDVSA; perguntar o que Hugo Chávez significa pra eles.

Eu sei que ele tem um programa de rádio, diário, pela manhã, feito ao vivo na frente do palácio presidencial, onde as pessoas o questionam. Eu perguntaria o seguinte: Porque o mundo lá fora te odeia? O que você fez pra que a imprensa do meu país te odiasse tanto assim?

Eu sei que ele é bastante adepto de uma mordaça contra a oposição, mas acho que se ele quer governar, não dá pra ser sem desagradar alguém. Mais dia, menos dia, se o goverbo começar a desagradar, o povo mesmo vai se levantar contra o presidente.

Eu li sobre o pequeno trecho de tempo onde Chávez fora deposto. O povo o quis de volta. E a imprensa venezuelana - toda - ocasionou um fiasco. A CNN retratou as manifestações, a imprensa local deu uma de Rede Globo no dia das manifestações paulistas pelas Diretas.

Não posso chamá-lo de ditador pois fora eleito democraticamente, embora não acredite na democracia em países pobres como o nosso. Todavia, senhor Chávez, eu gostaria de ver o que há com seu governo que faz a imprensa daqui te odiar, ao ponto de colocar a silhueta de Fidel Castro ems ua sombra.

Acredito que não posso confiar na imprensa daqui, não sem ler os mensários de direita - revista Veja - e os de esquerda - Caros Amigos. Infelizmente, minha curiosidade só foi atiçada porque falam muito mal do senhor. Eu gostaria de ir á Venezuela e ver se eles têm razão, ou se apenas querem alguém pra falar mal, como falam do meu presidente.

17 de janeiro de 2007

Maio?

A maior esperança minha, em maio, serão os grandes lançamentos do cinema, especialmente 300. Só que mais especificamente no single do Nightwish.

Eles vão voltar, com uma nova frontwoman. E isso vai ser interessante. Descobri o Nightwish a pouco tempo do Once. E quando lancam o dito, sinto saudades do que eles eram, e como a Tarja era linda há alguns anos atrás, antes de ficar esquálida.

Entretanto, ainda é cedo para comemorar... tenho que esperar a saída do single. Peço pra algum amigo meu baixar, já que banda larga não chega em casa. Mas estou certo que Emppu e cia. farão uma boa escolha.

Minha maior esperança: Over the hills and far away. Se a nova vocalista fizer uma interpretação á altura da original, ela irá certamente não deixará saudades de Tarja Turunem em mim.

Alguns segundos.

Em poucos segundos, minha mente divagou o suficiente por devaneios de 3 noites inteiras de sonhos.

Eu saí da violência que passou por SP em maio do ano passado, e pensar em teorias governamentais envolvidas, ao buraco de da rua capri, passei pela Garota da Sala, pensei em falar tudo a ela, passei pela minha casa, pelos mangás que me esperam ansiosos em minha bancada; passei pela música que ouço, advinda dos antigos e melhores tempos do evanescence, passei de novo pela Garota da Sala, pensei em dizer tudo a ela, passei pela violência de São Paulo.....

Num repente, meus pensamentos ficaram cíclicos.

Preciso sair da rotina.

16 de janeiro de 2007

21 Milhões

Esse é o número de pessoas que Michael Moore sugeriu a Bush que envie ao Iraque para vencer a guerra.

Enquanto escrevo isso, ouço "Counting Bodies..." do A A Perfect Circle. É uma música sarcástica, cujo clipe, feito em animação de flash, é um protesto violento contra a guerra, especialmente a manipulação do povo para a guerra.

Os cartazes ao lado são obra da banda, onde você vê que a ignorância e a fé cega no governo, sem questionamentos e sem advertências são incentivadas. Como se tudo fosse fácil, simples e nada oferecesse resistência. Os outros povos tem a obrigação de se subjulgarem, de não oferecer resistência e abandonar seus preceitos em prol do invasor, pois ele veio "trazer a democracia e a liberdade". Liberdade.

Livre sou eu, que posso pensar contra o governo livremente, e não serei preso pela Polícia Federal. Livre sou eu, que posso criticar a guerra. Livre sou eu, embora pobre e suscetível ás ameaças econômicas dos EUA. O quintal do Estados Unidos, nós a América Latina, nada mais é do que um lugar que não pode oferecer resistência aos ensinamentos da Doutrina Truman; que o diga FHC, o PSDB e os Militares.

Concordo em parte com ela, afinal, americano também sou eu. Mas viver em função de um país que não é o meu é um insulto. E ver que tal país alimenta sua máquina de guerra apenas para movimentar sua economia é ainda mais nauseante. Quer lugar melhor pra dar um gás na economia que a África? Que tal construção de infra-estrutura? técnicas de plantio pra evitar o aumento do Saara, que avança em direção ao Sahel? Se meu país tivesse empresas transnacionais com estrutura pra isso, aposto que já teria feito alguma coisa. Além do que, os africanos não vão oferecer resistência alguma, posto que você vai levar pra lá o que muitos deles jamais teriam se dependessem do seu governo.

A política externa norte-americana se dá o direito de preservar o modo de vida á todo o custo, mesmo que isso custe "vidas americanas". O melhor exemplo disso é a foto na revista Veja, onde a foto de casamento de um soldado que retornou da guerra, mas lhe custou um braço e seu rosto: desfigurado por causa de uma bomba. Onde antes havia um rosto bem feito, há agora uma cicatriz com olhos e boca, mais nada. Ele se casou, mas sua volta pra casa foi dolorosa.

Ele lutou em prol de quê? Eu digo: em prol do futuro abastecimento de petróleo, da influência norte-americana em países árabes, do ponto estratégico no Oriente Médio. Mas isso era preciso? A chamada ameaça iraquiana se provou ser uma mentira, anunciada aos quatro cantos em alto e bom som, ratificada pelas autoridades. E o presidente se reelegeu.

Isso prova que, em certos casos, o governo quer que a população continue movimentando a economia, pra que sua máquina não pare. Dinheiro em somas vultuosas fluem, e isso não pode parar. Se for preciso matar, mutilar, desfigurar ou aleijar milhares de jovens, que seja. Afinal, a grandeza de um país vem em primeiro lugar, muito antes da vida.

Por isso, eu que antes tinha ojeriza de norte-americanos, hoje tenho apenas dó. Porquê é um povo manipulável, que faz o que seu presidente manda. Confiam piamente na providência, e que ela os manterá. Esse é o ensaio do Estado Babá, onde ele toma conta de tudo e de todos, e os cidadãos não têm que se preocupar com sua política, tampouco com o resto do mundo, que jaz na miséria.

Uma coisa é o patriotismo, outra coisa é ser privado de suas idéias, de livre-expressão e do direito de escolha. ANtes de mais nada, o direito de escolha não escolher entre o preto e o branco: é poder não se submeter á essa escolha. Enquanto a guerra do Iraque consome dinheiro, armas e vidas, as famílias dos soldados são as únicas vozes que gritam em alto e bom som, para que eles voltem. Ao invés de retirar as tropas e mandar só empresas, pois os exércitos internos que se matem sozinhos, Bush manda 20 mil homens a mais. Um impropério.

Uma guerra longa cansa. Ela mina a vontade e a coragem de qualquer soldado. E isso é um preceito que Sun Tzu disse em sua "A Arte da Guerra". Assim sendo, ainda teremos muitas baixas, pois numa guerra longa, não morrem apenas homens. Morrem egos, morrem almas, corrompem-se destinos e vontades.

Acredito que num evento como esse, os erros não podem ocorrer; mas Bush só os cometeu. Ele iniciou uma guerra que teria sido ganha, se suas tropas se mandassem quando Saddam foi encontrado. Mas ali, vai ocorrer o mesmo que ocorreu com nossa ditadura militar: o prolongamento irá destruir a imagem salvadora, e convertê-la em um algoz violento a ser morto.

15 de janeiro de 2007

Entrepostos

Os entrepostos são lugares que podem nos permitir chegar em algum lugar da melhor forma, ou então não chegar, ou chegar atrasado.
Entrepostos comerciais, como haviam na Antigüidade, como Cartago, permitiam uma alternativa aos romanos. O canal de Suez, no Egito, era a via perfeita para as especiarias do Oriente.
Mas isso significa monopólio. E assim sendo, muitas vezes, não se podia chegar pelas rotas normais, pois os entrepostos estavam bloqueados, por alguma razão. Seja por invasão ou por política, alguma coisa estava no meio do caminho.

No meu caso, os entrepostos são pessoas. Ás vezes, ocorre que elas ou me ajudam a chegar onde pretendo, ou funcionam como enormes bloqueios. Evitando que eu chegue onde pretendia, ou chegue depois da bonança, sobrando apenas as migalhas.

Embora me seja penoso escrever de forma aberta, vou me empenhar.

De certa forma, embora ás vezes tentemos coisas ou pessoas que almejamos, há sempre um entreposto a ser ultrapassado. No meu caso, é a impossibilidade de chegar em casa depois de uma balada. Todavia, isso não será mais problema assim que tirar minha licença pra dirigir.

Mas reconheço casos onde o entreposto é intransponível, ao ponto de contituir uma barreira eterna.
Um deles é quando, em busca de amor e carinho, nos tornamos suscetíveis á mágoa, pois deixamos de se preocupar com nós mesmos. Passei por isso, pois fui rejeitado pela mesma mulher duas vezes; muito embora seu nome combine muito bem com meu sobrenome.
Ainda nesse ponto, o entreposto é a pessoa em vista. Alguns, ao saber que são almejados por alguém em especial, se enchem de coragem e rubor para corresponder o sentimento. Mas há o outro lado. Que é quando a pessoa almejada passa tratar quem lhe quer mal, e pisoteia em seu sentimento, se aproveitando de momentos de fraqueza.

Foi mal pelo texto horroso, mas eu estou meio fora do ar.

11 de janeiro de 2007

Maconha

Uma das coisas que eu nunca fiz foi me drogar. Nunca fumei, nem injetei, nem cheirei, nem caí de porre; se bem que essa última anda muito próxima da acontecer.

Mas, nos últimos tempos, a maconha se tornou uma droga mais fácil de conseguir que pão. E um ex-policial fez um dvd pra não se mais preso com baseado. Ele se cansou de prender neguinho com um baseado na mão, e viu que a luta contra as drogas é como comer do fruto proibido: é melhor permitir e deixar que a pessoa julgue se quer ou não.

Álccol é droga e vicia. Nicotina é droga e vicia. Álccol deixa a pessoa num estado lastimável, e ele aliado á maconha dá uma larica do cão. Ambos deixam os olhos vermelhos.

Pensei se a chamada "luta contra as drogas" não é uma coisa meio hipócrita. Bem, vivemos em tempos onde a família é ridicularizada, mas quem a valoriza é tido como herói. Ando tendo idéias erradas, e começo a pensar que esse ano vai ser um desbunde pra mim: viagens, baladas, shows. Começo a me preocupar. Se a face que controla meus sonhos tomar o controle, eu serei pura alegria, e puro sadismo.

Penso que o combate ás drogas é algo que precisa ser repensado. Nunca se ganha, só se perde. Se perde, pois os viciados precisam de tratamento. Se perde, pois a opção de dizer sim ou não se esvanece no desejo pelo proibido. Se perde, pois os países produtores dependem da exportação de drogas pra manter seu PIB, como a Colômbia.

se o ser humano fosse evoluído como deveria, saberia manter seu corpo são, e saberia que seu bem-estar depende do ebm-estar dos outros. Um cigarro de maconha, num fim de semana com os amigos, francamente, não faz mal. Um porre na balada, é de praxe. Um cigarro quando atormetados, é normal. Anormal é depender deles, e culminar que seu corpo passe a usá-los como fonte de alegria e bem-estar, enquanto se deteriora.

Mas as drogas estão aí desde o começo dos tempos. A burrice não é deixar de combatê-las. A burrice é se deixar levar pelos instintos adolescentes, e não pensar com clareza. Quer se drogar, vai fundo. Mas saiba fazer isso. Saiba que quando acordar, sua vida não mudou; ela continua como você a deixou. Apenas pense que pra onde você vai voltar depende do que você fará hoje. Um fumo não vai te matar. O que vai te matar é a sua ilusão.

As tentativas

Até que venha o texto abaixo, eu tentei escrever 3. Foram 3 tentativas frustradas, antes de fazer o petardo. Admito que estou orgulhoso do texto, mesmo que ele seja uma merda.

Para fazer esse, eu tentei fazer um outro. Mas resolvi escrever sobre o processo de escrita, e quantos textos são jogados fora antes de um ser publicado.

O poder do blog é que qualquer um pode falar as idiotices que quiser, mas eu gosto de fazer das minhas algo um pouco mais requintado. Eu tento me esmerar nas palavras e nos usos, para que ao menos, quem ler isso aprenda palavras novas ou usos pouco ortodoxos da morfossintaxe.

Embora eu publique com certa freqüência, há certa dificuldade em escrever. Quando escrevi Ignorância, a idéia era fazer algo contra os EUA, e sua população belicamente ignorante; que confia cegamente que podem fazer o que quiser com o mundo e não questionam a Casa Branca. Eu ainda discorrerei acerca disso. Baixei cartazes muito interessantes do site do A Perfect Circle, banda que compôs a melhor música de protesto contra a guerra.

Mas eu falhei. Li tanto sobre a influência da esquerda socialista no crime organizado, que minhas idéias se perderam. Leia o texto, e procure algum nexo. Acabei misturando minha ojeriza á novelas com a criminalidade. Meu texto virou uma maçaroca. Não falei nada com nada; mas eu vou me redimir: vou escrever um texto sobre o envolvimento da antiga esquerda socialista com os criminosos de Ilha Grande; um outro texto sobre a alienação promovida pelas novelas; um outro sobre a manipulação das notícias e a rapidez da web na divulgação - Saddam Hussein; e pelo fim, um outro sobre o enaltecimento do criminoso e a classe média odiada.

Eu vou tentar ser mais objetivo. Mas para tal intento, eu vou usar, como de costume, umas 3 tentativas. Não posso dizer que escreverei os textos já hoje, tampouco posso por data. Mas eu os criarei.

Antes que perguntem: eu não disse onde busco as informações pra não parecer pedante. Mas vejam o site do Observatório da imprensa e o Mídia sem Máscara. Eu prefiro ler editoriais na internet que ver as notícias, que os jornais da tv me dão.

10 de janeiro de 2007

Ignorância

Li sobre o começo do Comando Vermelho, e vi que o Presídio de Ilha Grande foi o berço. A ignorância do povo, fez com que os antigos esquerdistas - alguns hoje or principais intelectuais do momento - enaltecessem o crime. Como se ele fosse uma resposta á "sociedade injusta", isentando os criminosos de sua culpa; como se a sociedade estivesse em débito com a parcela pobre.
Não somos culpados: quem quer subir um pouco consegue, haja visto minha avó: de uma criança que dormiu no relento á casa mais badalada da família. Ou meu pai: de um menino de pés cascudos á dono de uma casa quitada, após vinte anos de trabalho. (ênfase nos VINTE ANOS DE TRABALHO.)
Minha bisavó soltou uma frase ótima: "Melhor ter um filho assassino que um filho ladrão." E ela era bem pobre. Podia ter deixado que um filho seu se embrenhasse no crime. Podia. Mas morreu, com mal de Alzhimer, com três de seus filhos ricos, e os outros sem pendengas com o Estado.

Ela podia dizer o "Governo deveria me ajudar a criar meus dez filhos", como muitos dizem por aí. Apesar de ser ignorante - analfabeta - era sábia, e eu estudo e presto atenção nas coisas e nas pessoas pra afiar meu senso crítico, para tentar chegar á minha velhice com alguma sabedoria.

A moral torta, advinda da televisão - cujas novelas pregam o alpinismo social - move-nos a lutar por dinheiro e mais dinheiro e fama. DInheiro, Poder, Fama e Sexo, o quadrado mágico do novo século. Se quando eu era adolescente, era preciso TER - um tênis, uma roupa, um celular - hoje você tem que aparentar - manjar de todos os assuntos e parecer que sabe o que está falando. Ignorância e arrogãncia, uma mistura letal. Vi muito disso em minha antiga empresa: o chefe gordo era o tipo que adorava dar pitacos, mesmo não sabendo o que estava falando.

Ignorância. Ler, aprender, estudar, trabalhar. Tudo isso demanda um esforço sobre-humano, que são pouco os que querem executá-lo. Pior que fazer isso, é o esforço de pensar. Desligar a TV depois da novela e dizer o que está errado. E dissecar sobre o comportamento torto dos personagens: o bom ladrão, o rico mau, o mocinho que catou todas as mulheres da novela, a mocinha que deu pra 19 caras na frente das cãmeras; o homossexual que quer iniciar um "terceiro sexo". Não se questiona mais sobre o que se passa na TV. Recebe-se e e aceita-se. "A TV retrata a realidade". Oh sim, e como. Todas as escolas são como a Malhação ou Rebelde. Todos os adolescentes são promíscuos, e nenhuma menina fica grávida com 15 anos.

Sei que nada sei, e que tudo o que escrevo é chover no molhado. Mas ver que aceitamos a criminalidade como uma "reação" á "exclusão" é inaceitável. A reação á exclusão social são os mendigos, as crianças de rua, os orfanatos. Esses são os chamados excluídos. O criminoso nada mais é do que um vagabundo. Alguém roubar pra dar de comer porque não tem emprego, isso ocorre, mas é um crime punível com emprego, mesmo que de quinta categoria. Mas um vagal vir pra cima de mim porque quer meu tênis, que eu estou pagando em 6 prestações é demais.

Ver novela e as notícias exacerbadas na TV, ler revistas que são contra movimentos sociais, e não raciocinar sobre isso é preguiça. A Veja prega ódio ao MST, mas nunca diz o que levou-os a invadir as terras, ou a deixar as terras ácidas ou calcáreas dos assentamentos. Vemos notícias o tempo todo: as meninas que, ignorantes, morrem por um ideal de corpo impossível; e não deixamos de saborear nosso macarrão. Vemos as meninas grávidas, mas culpamos a favela por isso, e não a putaria promovida pelas leituras adolescentes e programações pra eles. Vemos Brasília ter orgasmos múliplos com o dinheiro dos impostos, mas não cobramos dos cabongos, tampouco nos mobilizamos num boicote.
Acima de tudo, nós não procuramos ensinar leis e direitos ás crianças. Esquecemos que a ignorância mata. Está matando, e á larga escala, o senso. Já ganhamos uma moral torta, por não mandarmos retirar as encenações malditas da TV. Aceitamos a criminalidade como um "luta de classes". A classe média aceita ser roubada, assassinada e estuprada, como se a culpa disso fosse ela, e que os criminosos fosse "soldados contra a sociedade injusta".

Ignorância. Eu, P.V., sou um ignorante. Mas eu tenho ciência disso. Sei que faço parte da enorme massa de manobra chamada "Povo", onde a massa é burra. Eu sei disso. Mas também sei que ao menos eu posso desligar a TV; que eu posso buscar informações. Que por mais ignorante que eu seja, eu posso tentar manter minha mente; já contaminada pelas filosofias e ideologias preconceituosas passadas pra mim, através de comportamentos, TV, pessoas; menos distorcida. Não digo que terei êxito, mas digo que posso tentar.

Só me resta, nos requícios de senso crítico, esboçar um "não" solitário, e enquanto as pessoas se matam por ideais de consumo - o quadrado mágico, onde até as pessoas são mercadorias - eu busco suprimir minha ignorância. Se formar uma família é ir contra o que se prega, então eu farei da melhor forma possível. Se discutir idéias, e não coisas ou pessoas - fofocas - é ir contra o que se prega, é o que eu farei. Do alto de minha ignorãncia, eu digo isso.

8 de janeiro de 2007

Mortes nas estradas

Deu no Observatório da Imprensa

Alberto Dines condena a acomodação geral diante do quadro de mortes nas estradas brasileiras. Dines: - Os humoristas deveriam ser levados a sério. Pelo menos às vezes, em algumas ocasiões. Ontem, por exemplo, dia sete de Janeiro, José Simão da Folha perguntou aos leitores: "Falta muito para acabar 2007?" A pergunta é perturbadora, incômoda, mas os humoristas estão ai para isso, para incomodar. E respondendo à pergunta de José Simão – hoje faltam 357 dias para acabar o ano. Mas para acabar o verão (que mal começou) ainda faltam quase três meses. Significa que até meados de março estão condenados a morrer em nossas estradas cerca de quatorze mil, oitocentos e cinqüenta compatriotas. Isso se for válido o número de 165 mortes por dia só em acidentes de trânsito. De quem é a culpa – das rotinas, das repetições ou da falta de atenção? As autoridades sabem que no início do ano, por causa das férias, as pessoas viajam mais. Também sabem que as fortes chuvas de verão tornam extremamente perigosas as favelas nas encostas dos morros. Hoje já temos repartições de defesa civil cuja missão principal é prevenir, avisar por antecipação. A imprensa também tem a obrigação de chamar a atenção para as sazonalidades. E, apesar disso, o cidadão parece alheio ao calendário, alheio às estatísticas e alheio às advertências. Vota nas eleições e não cobra dos eleitos, assiste à televisão e não leva a sério o que está vendo. E assim, por exclusão, chegamos à triste conclusão de que ano novo está parecendo um ano velho em grande parte por culpa dos humoristas.

5 de janeiro de 2007

Num desses repentinos momentos.

Eu estive recheado de dúvidas, que me perturbaram, me escarneceram e me maltratram por longos de dolorosos 4 minutos.

Fiquei aflito sobre muita coisa. Sobre o que ainda não fiz, o que é muita coisa. Sobre o que deveria ter feito, o que é mais coisa ainda. E principalmente, sobre o que eu farei a partir de agora, o que me meteu um certo medo.

Num repente, eu caí num poço de dúvidas, e quase me afoguei nas águas da incerteza. Mas quando me lembrei que era ela que me faz acordar de manhã, e torcer pra que meus dias melhorem, percebi que ela é como um bombom num dia de calor: é muito gostoso, mas dá um trabalho enorme pra comer.

As imperfeições são inerentes á nossa vida. E as dúvidas e incertezas também. Mas ao menos eu tenho sonhos e objetivos. E o repentino momemto se esvaneceu no ar, como um sussuro jogado no vento do deserto.

Quase me afundo. Mas prometo que HOJE eu vou atrás de academia. Preciso muito de endorfina.

4 de janeiro de 2007

Eu imploro

Apesar de apenas uma ou duas pessoas lerem esse lugar, eu vou lançar aqui uma petição, algo mais parecido com uma pessoa implorando:

Meninas, parem de buscar um corpo Perfeito! Isso não existe, é uma invenção ridícula de uma convenção! Já ceifou a vida de uma adolescente - 16 anos - e vai acabar com a sua também.
Se estão fazendo isso por causa de algum homem, ESQUEÇA! Ele só quer dar uma e pular fora, e todo o seu esforço vai por água abaixo numa única noite. Além disso, homens reparam em bundas, seios, coxas e rosto - e essa parte, mal olhamos. Querem ficar gostosas? olhem a Angelina Jolie. Ela não é magricela - ela é Enorme! Olhem a Fergie! O tamanho dela!

Se estão fazendo isso para serem modelos, ora, façam uma faculdade, que ao menos você vai poder ter um futuro muito mais calmo e que preservar a sua saúde. Além disso, o melhor protesto contra a convenção da magreza se faz rareando as modelos. Imagine se, de repente, elas começar a aumentar as medidas? Não seri lindo, mulheres mais naturais, e não ossos sob peles brancas de flashes?

Além disso, VOCÊS SÃO BRASILEIRAS! O padrâo aqui é baixinha e com o quadril largo. Basta ver as garotas de Ipanema! Aqui, a mulher é mestiça, tem proporções maiores que as européias e estadounidenses. Deixem de buscar um corpo que, muitas vezes, o seu fenótipo não vai nunca deixar que você seja. basta medir a sua cintura.

Não se submetam á regimes loucos: uma corridinha de manhã tá ótimo. Não se submetam á plásticas: isso é pra quem já não é mais jovem. Estrias, celulites, pneus, flacidez... pode ser um pesadelo só pra quem se cobra demais. Qualquer mulher normal tem coisas assim. O corpo não vai ser belo a vida toda. O corpo vai se deteriorar, então cuide da saúde dele. Não o torne um antro de drogas e de ações tresloucadas contra a comida ingerida.

Eu imploro: leiam meu texto sobre a Garota da Sala. Querem que eu a descreva? As calças que ela usa são de cós alto, não usa decote mas nem ferrando. No poco de pele acima da calça que pude ver, ela tem estrias; restos do seu tempo de pessoa gorda. Mas, exatamente por isso, ea é uma das mulheres mais lindas que já encontrei. E não é modelo. E não é magricela. Tem certamente uns dez ou doze quilos a mais que qualquer modelo na mesma idade. ELA NÃO É PERFEITA! Mas ainda assim, a beleza aparece.

Beleza é uma questão de ESCOLHA! ESCOLHA SER BELA, E VOCÊ SERÁ! Não respeite convenções, respeite a sua saúde. Obesidade não. Bulimia, menos ainda. Mas entendam, o quesito de beleza é uma convenção feminina para mulheres. Os homens mesmo, não os viadinhos que tem um pênis, não ligam pra esse quesito de beleza. Não morram em prol de um ideal impossível.

Fui claro?

3 de janeiro de 2007

Dia 3 de Janeiro.

Hoje, depois de um início de ano ridículo, voltei ao trampo. E voltei a ver meus e-mails. Ali está um e-mail que mandei pra mim mesmo, com as definições de um projeto cuja idéia eu tive no meio do ano passado. Que coisa agradável ver que tenho um sonho guardado. Posso trabalhar para que ele se realize o quanto antes. Posso até mesmo procurar quem invista nele, para que se torne um point, desses que duram 6 meses e acabam. Posso abrir, faturar, fechar e abrir de novo. Que coisa boa. Eu tenho um sonho guardado. Eu tenho suas definições mantidas. Eu tenho. Isso até mexeu um pouco comigo, pois essa foi minha única, e miserável, felicidade nesse início de 2007. Mas eu não tive que dividí-la com ninguém. E não tive que escutar ninguém me enchendo sobre "como vai fazer isso funcionar?" e definições sobre negócios. Que lindo. Ainda não abri um sorriso sincero, ainda não dei risada com vontade, ainda não me diverti nesse início de ano. Ainda não comi nenhuma gostosura. Mas eu encontrei um sonho guardado. Isso melhorou meu semblante, de entristecido e usurpado para apenas entristecido. Que bom. Ao menos, eu tenho um sonho guardado. Posso transformá-lo em realidade. Feliz Ano Novo. Que o meu só começou HOJE.