27 de novembro de 2006

Mudança de planos

1º: Levar a menina pra sair. E dane-se se só pode ser á noite. Tem Táxi.

2º: Sumir da vista de alguma pessoas por um tempo.

3º: Acertar os ponteiros com algumas pessoas. às vezes, uma simples conversa resume tudo.

4º: Usar as férias para exercitar meus braços. Hoje vi uma garota baixinha que tem os antebraços mais potentes que os meus.

5º: Escrever. Tenho uma trilogia, alguns contos, vários tratados e uma série de artigos que quero escrever.

6º: Usar esse blog esquecido pra publicar esses artigos.

Dream Theater: Misunderstood

Waiting
In the calm of desolation
Wanting to breakFrom
this circle of confusion

Sleeping
In the depths of isolation
Trying to wake
From this daydream of illusion

How can I feel abandoned even when the world surrounds me
How can I bite the hand that feeds the strangers all around me
How can I know so many
Never really knowing anyone

If I seem superhuman
I have been
Misunderstood

It challenges the essence of my soul
And leaves me in a state of disconnection
As I navigate the maze of self control
Playing a lion being led to a cage

I turn from a thief to a beggar
From a god to God save me

How can I feel abandoned even when the world surrounds me
How can I bite the hand that feeds the strangers all around me
How can I know so many
Never really knowing anyone

If I seem superhuman
I have been
Misunderstood

Playing a lion being led to a cage
I turn from surreal to seclusion
From love to disdain
From belief to delusion
From a thief to a beggar
From a god to God save me

How can I feel abandoned even when the world surrounds me
How can I bite the hand that feeds the strangers all around me
How can I know so many
Never really knowing anyone

If I seem superhuman
I have been
Misunderstood

24 de novembro de 2006

1 mês

dia 4: eu a conheci
dia 11: bar com amigos, ela estudando.
dia 18: show do angra
dia 25: conveção de design
dia 2: fórum underground e lançamento do dvd do No Longer Music, o ápice da música.

PULTA QUE PARIU, SÓ PORQUE EU QUERO FICAR COM A MENINA ME APARECE ESSA CACETADA DE COISAS LEGAIS PRA FAZER, E QUE EU NÂO POSSO LEVÁ-LA JUNTO COMIGO?

Pô, eu queria ver a menina de novo, ficar com ela, pegar um cinema, jogar conversa fora, admirar sua beleza feminina e a textura de sua pele... e po#$%¨ra, não vai dar.

É um complô, não eh possível. O duro, é que essa convenção é importante pra mim, eh de graça, minha profissão e meu conhecimento agradecem.

Mas namorar um pouco também. Já vi que fiquei sem a menina porque tinha uma cacetada de planos pro mês. Porque as coisas boas da vida acontecem num acaso? Eu não podia conhecê-la em Dezembro? Tinha que ser no dia 4?

Sobre abandono e esperança

Existem pessoas que fazem toda a diferença num período da vida, e então acontece o de costume: a vida segue. Cada um com seu próprio caminho, mas muitas vezes, ao deixarmos essas pessoas na lembrança, elas estancam lá; e acaba sendo necessário que as regatemos.

Ana Carolina é uma delas. Durante o início da minha adolescência, ela foi minha amiga mais próxima, ao ponto de dizerem que éramos namorados, de tão ligados que éramos.
Foi com ela que acabei por conhecer meus atuais amigos e assim, acabamos por crescer e amadurescer. Ela sendo mais velha, acabou por ser alcançada, e assim, seguiu sua vida.

Entretanto, numa das pequenas ironias do caminho, ela ficou noiva, mas esse casório não sai. Acho que ainda não disseram que se esperar pra ter tudo, não casa. Mas o cara é honesto, e cuida bem dela.

Mas ela ficou no tempo. Eu e meus amigos nunca mais ligamos pra ela, a convidamos pra sair nem nada. Agora, ela já não pode mais, pois está trampando de fim de semana.

Parece que a deixamos relegada ao ostracismo. Me sinto culpado e envergonhado de ter deixado que ela caísse no esquecimento. Agora, ela como caixa num supermercado, nem posso conversar com ela, não há tempo. Seus únicos dias de folga são para o noivo - e espero que ele esteja fazendo tudo direito.

Muito embora estejamos mais habilidosos, nossa mente egoísta se remete sempre pra quem nos é vantajoso manter contato. Bem, ela não tem vantagem alguma, mas ela é minha amiga. E eu não perco amigos sem lutar por eles antes.

21 de novembro de 2006

Notas de um fim de semana

Sábado.

Acordar foi uma tristeza, mas tinha uma compensação. Uma aventurazinha. Show do Angra.

Havia comprado o ingresso com uma amiga - a Garota Da Sala - e ia pra pista. Via Funchal. Meus amigos, bem, esse não curtem power metal, não vão com a voz do Edu e sentem vontade de mijar quando ouvem solos de guitarra.

A aventura não era a ida.

Na ida, me encontrei com ela, um monte gente que eu não conhecia e me mandei pra capital. Fui falando com todos, quase não me reconheci. Eu parecia outro cara, bem mais simpático que o P.V. de sempre.

Saímos de Jundiaí, longe pra cacete. Da minha casa é. Aliás, tudo da minha casa é longe.

Chegamos e eu furei fila. Na cara de pau, e entrei. Nunca tinha ido na Via Funchal. Parecia um cachorro de apartamento solto nas imediações de uma fazenda. ESPAÇO. MUITO ESPAÇO.

Fomos logo fazendo nossas escavações em busca da grade. Afinal, grade é grade,e ela era nosso objetivo.

Entre perfurações, pisões no meu pé - de botas, graças ao bom Jah - e 4587548 tipos diferentes de suor na minha camiseta - inclusive o meu - pude ficar á apenas 4 pessoas da grade, e graças á Ele também, só baixinhos na minha frente. Uma vista ótima.

Nos primeiros momentos do show, a empurração era geral, claro. Mas graças ás longas caminhadas que me submeto, pude resistir. Embora meus braços sejam de um nerd fracote, andar por muito tempo é meu forte. Entre desaforos, empurrões, encoxadas na bunda alheia - e ás vezes, até valiam - foi-se a primeira parte do show, com Carry On e outros sucessos antigos do Angra.

Após um vídeo homenageando á nós - a platéia - e a eles mesmos, veio a parte semi acústica do show. Foi nessa hora que eu pude gozar de mais espaço e a vista privilegiada. Com direito a erguer uma mocinha no meu peito.

Pulei, cantei junto, gritei, fiz o sinal internacional do diabo. Meu braço direito doeu ontem o dia todinho. Poguei sozinho, curti boa música.

Quando eles deram de tocar Rebirth, houve uma certa religosidade, pois foi com esse álbum que o Angra voltou á ativa, depois do André Matos quase acabar com o grupo. O Angra pode ter comemorado 15 anos, mas o sucesso total só veio com a banda atual. Loureiro e Bittencourt foram recompensados. Angra é internacional.

No final, os múscicistas trocaram de lugar, e tocaram Smoke On the Water, do sempre eficiente Deep Purple. A galera foi ao delírio.

Como é de praxe, Aquiles distribuiu baquetas, Andreoli, Bittencourt e Loureiro deram palhetas enquanto Falaschi atiçava o povo.

Ao terminar tudo, e as luzes se acenderem, descubro que a água custa 4 reais. Não. Incluso no meu ingresso estava a água de torneira do banheiro. 3 horas em pé. Fome? Só fui sentir quando pudesse.

Na volta, tudo deu certo? Não.


Domingo.

Eu era o único besta que morava em outra cidade. Assim sendo, fui deixado em Jundiaí, em algum lugar que eu não sabia qual, apenas com o número do Radio Táxi. Depois de cinco agonizantes minutos, ás 2 da manhã do domingo, o táxi chegou. Preço e destino acertados: 60 contos, até Vinhedo.

Deus gosta de mim, e mandou um taxista super legal. Ele me deixou na rodoviária de Vinhedo, onde a odisséia começou. E de lá, até minha casa, quase Campinas, sem ônibus.

Minhas botas não são as mais confortáveis do mundo. Mas meu corpo ainda estava na pressão do show. O cabelo desgrenhado, a camiseta fedendo e a pele ensebada, quem me roubaria?

E assim, recheado de resignação: afinal, eu não vou deixar meus pais assustados por coisa pouca, pus um pé na frente do outro e andei.

Ainda tem lama de três cidades na minha bota. COnfesso que pulei, confesso que berrei, e confesso que andei. Pra caramba. De Vinhedo á Valinhos, ás 2:30 da manhã de domingo.

Deus foi bom, e nnguém me ligou. Pude ter uma caminhada calma, sem grandes estorvos e nem fugas.

Falando sozinho, como de costume, e alto, pra afugentar a galera me fingindo de louco - se bem que eu sou, eu falo sozinho normalmente - meu braço começava a arder de dor, de tanto dizer" Hei".

Quando cheguei em casa, me senti um herói. Calmamente, e já descalço, subi a escada, me despi e dormi. Eram 4 da Matina.

Meu pai, acorda e liga pro emu celular, querendo saber onde estou. Mas eu já estava em casa. O alívio percorreu a sua expressão.

E dormi até 11 horas. Acordei, tomei café, almocei e dormi de novo ás 3 da tarde. Acordei ás 6 da tarde.


Pergunta do dia:
Pra que eu devo comprar a Playboy da Danielle Sobreira se é só digitar seu nome no google que inúmeros sites saltam, com suas fotos devidamente escaneadas?

16 de novembro de 2006

Entre Tristania e Evanescence

Navegando e buscando os chamando "haters": pessoas que expressam sua raiva anti-alguma coisa, geralmente estilos de música e celebridades. Encontro um rio de sites anti-Evanescence e anti-Avril Lavigne.
O que devo considerar? Apenas demonstrações de antipatia? Ou simplesmente falta do que fazer e de respeito? Como um mero apreciador de música, encontrei um site onde Amy Lee é pintada de patricinha, e ali há uma foto do Tristania, dizendo "isso é banda gótica", e uma foto antiga do EVN, num cemitério, dizendo "isso é uma banda que tenta parecer gótica".

Fotos da Amy Lee com seu celular, e fazendo pose perto de uma imagem da Hello Kitty. Uma coisa que simplesmente acho perda de saliva: pra que isso? O que aconteceria, se a vocalista do Tristania fosse flagrada de cleular fazendo biquinho perto de uma Hello Kitty? De patricinha, como tacharam a do Evanescence?

Conheço meninas que são realmente góticas, bebem vinho no cemitério á noite e nem por isso deixam de ter um telefone metido. Qual o meu argumento? Na verdade, nenhum. Fotos idiotas e em situações ridículas, todos temos. Duvido que o tão cultuado Nightwish - minha inspiração - não tenha fotos da deusa Tarja Turunen fazendo alguma coisa idiota. Mesmo a deusa recém-destronada do rock gótico deve ter alguma coisa que a identifique como sendo patricinha.

Na verdade, estar entre a eterna delícia de um Tristania, o som hipnotizador do The Gathering, a aura mágica dos antigos discos do Nightwish e o uso assoberbado de computadores para criar as bandas de hoje - como não duvido que deva ter nos discos do Evanescence - é uma posição muito privilegiada.

Saber retirar o melhor deles, tentando se manter isento de estilos e tendências, mas sim tentar conhecê-los, é muito mais interessante que se fecha no casulo de um estilo e maldizer os outros. O que interessa é que é música, e música ao menos bem-feita, com esmero. Se você acha ou não, eu, honestamente, não perguntei.

14 de novembro de 2006

Mais 4 anos?

Falaremos mal do Lula por mais quatro anos. Porque as falcatruas do PSDB não surgiram com tanto alarde quanto o mensalão, tido como o maior escândalo político do Brasil? Essa é apenas uma das minhas muitas perguntas. Elegemos um ser semi-analfabeto. E daí? De analfabetos funcionais, o Congresso está cheio. A maior parte dele são homens velhos, que entendem muito mais de montaria que de Aurélio. Estou ofendendo? Pergunte a origem de grande parte deles. Faculdade? Pouquíssimos possuem, especialmente os lobos velhos, a raposas da política. O fato do Lula estar de volta é uma derrota muito legal do PSDB. Os malditos tucanos anseiam em instaurar o Estado Mínimo, e se aproveita da leniência e da passividade do povo brasileiro, que de tanto aprender a se virar com o pouco de coisas que sobram, não liga de ficar com cada vez menos. Começo a cogitar Chile e Argentina como bons lugares para criar minha família. Começo a entender as idéias que fazem os hermanos serem nossos rivais. mas começo a perceber que ELES ESTÃO FAZENDO ALGUMA COISA PELO PAÍS. Começo a entender o sentimento patriótico que falta ao brasileiro, que diz que o prórpio país é uma merda. Começo a entender o domínio norte-americano sobre nós. Somos seu quintal, e os desgraçados realmente acham que a "América" é para os americanos. Dá licença, que americano também sou eu. Eu encontrei uma mulher totalmente ao contrário de mim. Ama novela. Mandei-a ler um livro, numa de nossas conversas cheias de flerte. Prefere calcular a ler. Bem, não é de se admirar, afinal, o próprio presidente disse que "ler é muito chato". Bem, que fazer? Falemos mal mais 4 anos do Lula, continuemos a assistir passivos a devastação de nossa casa, que tanto desprezamos. Continuemos absortos com histórias alienantes da Malhação, que ignora a falta de dinheiro e explora a putaria mental, a tão aclamada alienação. Ainda discorrerei acerca dela. Mas por enquanto, pretendo ficar apenas na superfície, pois o aprofundamento de algum tema demandaria uma energia que não quero dispender. Ninguém lê essa coisa, então, quando eu quiser, eu pego e escrevo. Por hoje, já bastam os chocolates que comi, as dores monótonas e constantes em meu braço direito e o fato de ser mais um pobre na Botocúndia. O forfé só não é pior porque, ironicamente, quem está no poder é um semi-analfabeto. Os letrados teriam aberto pros gringos foderem sem um lubrificantezinho. Imagem de linguagem chula e nojenta. Mas nunca foi tão verdadeira.

10 de novembro de 2006

Provocar, insinuar ou vender?

Andando pelo Terra, há uma parte que fala exlusivamente de famosos. Famosos.

Não sem quem mostra a bunda - metade dela, mas uma bela bunda.
Oura mulher posa nua em ensaio fotográfico não-pornô.
Outra se descuida e é flagrada sem calcinha - UÊBA!
Mais uma em pose sensual, em peças de lingerie.
A loura posa na Sexy, seu carrapicho em nova depilação.
A morena posa na Playboy, bêbada de champagne.
A ruiva está na TRIP, exibindo tudo, menos "área de interesse".

Mulheres se vendem mais que homens? Claro! Bem vindo á sociedade machista, onde nós, seres providos de pênis, mandamos o que deve ser efetuado. E as mulheres famosas, sabendo do poder de suas curvas, sua "sensualidade" e do Photoshop - uma das coisas que eu sei fazer um pouquinho - vendem suas imagens perfeitas, que apenas adolescentes precoces podem ter na realidade.

Legal, né? elas provocam, pois nós, eu e você, jamais poderemos tocá-las, lá no alto do monte Olympo. Elas insinuam, como se elas fossem o patamar da beleza - mesmo que mutas vezes haja mais osso e silicone que carne mesmo -, e elas, acima de tudo, vendem pra cacete. E como. Sendo um modelo de beleza, a corrida das mortais pra academias, a busca por produtos de beleza e pelas roupas da moda se tornam coisas desenfreadas.

Ridículo? Não, rentável. Os homens, hipnotizados, passam a buscar a beleza inalcançável em mulheres reais. E mulheres reais passam a tentar possuir a beleza inalcaçável, cuja máscara de pó-de-arroz pode quebrar. Perdoe-me por ser tão superficial, mas não gosto de me demorar. Acho apenas que, como um consumidor de imagens - e um dos poucos que ainda tentam ter um raciocínio crítico, mesmo que seja apenas uma miserável tentativa - certos insultos em forma de imagem deveria ser abolidos.

Com o perdão da expressão, mas mulher GOSTOSA mesmo, que dá gosto de ver, de babar e de despir com os olhos, é aquela garota que trabalha e tem meta, que tem papo e que sabe conversar. Além de ter um corpo BRASILEIRO: baixa, quadril largo - ô coisa linda - e alguns quilos fora do usual. Se for pra buscar ser bela a lá USA e Europa, vai te catar.

8 de novembro de 2006

Emocore?

Revista Rock Brigade - Matéria OnLine

Por Alexandre Bury 07 de agosto de 2006

Image

Parece que, de uma hora para outra, tudo se espalhou feito praga. Para qualquer lado que você olhe, lá estão garotos de franjinhas jogadas e munhequeiras quadriculadas junto com garotas de grampos coloridos nos cabelos e chaveiros de ursos de pelúcia em suas mochilas. A mídia também parece tomada de assalto: a qualquer momento pode aparecer na tevê um clipe de alguma banda de som bastante acessível e letras desavergonhadamente melosas, versando sobre desilusões adolescentes com vocais doces e bases pop. Pois é, esse tal de emo provoca repulsa em qualquer rockeiro (nem precisa ser tão radical ou ortodoxo assim) justamente por trocar a anarquia e a sujeira tão necessárias ao estilo por um comportamento mais correto e pela exteriorização dos sentimentos, o amor não correspondido à frente.

Mas não é sempre que as coisas foram assim – aliás, muito pelo contrário.A denominação emo existe desde meados dos anos 80, data do surgimento de nomes importantes como Hüsker Dü, Samian e Fugazi – esse último, projeto com Ian Mackaye, ex-Minor Threat, nos vocais (aliás, credita-se a ele a criação do termo emo). Existia toda uma concepção por trás da utilização deste rótulo, que previa justamente aquilo que Jello Biafra e The Clash sempre tiveram como norma vigente em suas carreiras: que o punk não é estagnação e que o verdadeiro valor do movimento seria buscar alternativas que impedissem que tudo caísse em uma mesmice, como aconteceu durante a década de 70 com os dinossauros rockeiros que tanto criticaram.

Surgiam, assim, bandas desenvolvendo temas mais sombrios e letras mais introspectivas, com uma faceta deveras experimental, mas sem nunca deixar a agressão de lado – apenas a concentrando de forma diferente. O emocore surgiu pouco depois, aliando as letras sentimentais ao caos do hardcore, trazendo diferentes alternativas à incipiente, mas promissora cena. Tudo absolutamente underground, distribuído e divulgado na base do boca a boca por selos minúsculos e conhecidos apenas pelos iniciados.Façamos um corte brusco, agora, até a metade dos anos 90. Para fazer frente ao bom comportamento dos ídolos pop que infestavam as paradas de sucesso americanas, as grandes gravadoras de lá saíram à caça de um contraponto: bandas de rock com som palatável o suficiente para serem executadas em rádios e MTV, mas com atitude levemente "radical" para conquistar fãs adolescentes, os consumidores mais vorazes desse tipo de produto.

Green Day e Offspring, bandas já de algum renome no cenário punk americano, saíram na frente nesse primeiro momento, com o Blink 182 se consagrando alguns anos depois, preenchendo uma lacuna de mercado e rapidamente influenciando sucessores. A imprensa alardeou aos quatro cantos a volta do punk rock e, de repente, o rótulo emo começou a se fazer presente com mais constância na mídia rockeira – mas, desta feita, subvertido para designar bandas de apelo fácil e letras sentimentais próximas à mais absoluta banalidade. Por aqui, as coisas demoraram um pouco a acontecer, mas aconteceram. No início da presente década, o CPM 22 explodiu e mostrou às gravadoras onde o pote de ouro se encontrava.

Mesmo que por vias tortas, o quinteto paulistano acabou se transformando no paradigma principal desse novo e lucrativo mercado, sendo o mote de comparação para qualquer novo grupo que se proponha a abraçar o estilo e quase que automaticamente transformado em Judas do resto dos rockeiros por suas letras água-com-açúcar e indiscutível sucesso comercial. Assim, as atenções das gravadoras de grande e médio porte logo se voltaram para a descoberta de mais um nome para manter aceso o interesse pelo filão. Foi a oportunidade que faltava para bandas como Hateen e Dance Of Days saltarem do underground para o profissionalismo como que num piscar de olhos. A partir daí, o estrago já estava feito.

No meio dessa febre, algumas bandas importantes do cenário nos EUA foram finalmente descobertas e devidamente cultuadas pelos aficionados, como Hot Water Music, Sunny Day Real State, Saves The Day e The Get Up Kids – enquanto que, no mainstream, popices como os canadenses do Simple Plan e os cariocas do Forfun chegaram a ser rotuladas até de hardcore. Pois é, o mundo parece de cabeça para baixo…Deve-se levar em conta que tudo se trata de uma grande jogada mercadológica. O que mais seduz os adolescentes não é propriamente a música, mas o pacote completo que o emo oferece, a começar pelo visual. A androginia é novidade no mundo do rock? Obviamente que não.

Mas essa ambigüidade é a arma utilizada pelos músicos e fãs na sua tentativa de afrontar padrões, principalmente os sexuais – e é a partir dessa pueril rebeldia que os jovens são conquistados. A valorização da estética veio somente com a atual geração e passou a gerar interesse da mídia em geral, pois movimenta não só o mercado da música, mas também o da moda. Há algum tempo que não acontecia uma união tão simbiótica entre os dois, o que justifica também a utilização do termo punk – que, antes de ser um movimento musical, foi concebido justamente como uma forma diferente de se vestir e se portar. Sinal dos tempos...

Artisticamente, as bandas da atual safra pouco possuem de realmente atrativo, já que a explosão trouxe uma conseqüente (e previsível) saturação e, o que é pior, nivelando tudo por baixo. A intenção daquela primeira geração era justamente subverter os conceitos do punk e, acima de tudo, aprofundá-los, mas sempre os respeitando. As bandas atuais parecem que confundiram todos os ensinamentos dos percussores, transformando o que deveria ser pura agressão e reflexão em música de assimilação descomplicada, colocando por terra todos os esforços daqueles que atuavam na gênese de toda a coisa.

Mas, como todas as modas que conhecemos, essa é a que promete ser a mais passageira de todas, principalmente por ter conteúdo tão flagrantemente descartável. Muita coisa interessante, contudo, já foi feita sob o rótulo emo – e triste seria se todo esse auê as obscurecesse. Basta procurar para entender que isso que está por aí hoje, a todo o momento nos meios de comunicação, nada tem a ver com o que o estilo realmente significa. Dispa-se de preconceitos!

3 de novembro de 2006

A Dinastia Gertrudes

Tudo começou com um amigo, o Fábio.
Num dia, antes do cursinho, eu cheguei e disse: e aí, blz?
Ele respondeu: Blz, to aqui com a Gertrudes.

Gertrudes?

Sim, sua mochila. Achei aquilo extremamente.... sei lá. É ridículo, mas ao mesmo tempo divertido. Gostei tanto, principalmente do nome, Gertudes, que é um nome beeem de mama matrona, dessas vovós polacas, redondas que os olhos somem quando sorriem. E assim, batizei minha mochila de Gertrudes.


Gertrudes I, A Sábia.
Ficou comigo quando levei a mais incrível dispensada da história, e me acompanhou por quase 3 anos. Ela foi comigo aos meus últimos dias de escola.

Gertrudes II, A Guerreira.
Foi uma mochila barata, comprada em SP por 19 reais. Ela era de material ruim, e por isso mesmo, era muito maltratada. Mas foi a mais prática das mochilas, pois tinha uma alça na frente dela. O reparo que nela fiz ficou mais caro que sua compra. Foi a mochila que iniciou o tranporte de marmitas ao trabalho.
Por fim, rasgou-se.

Gertrudes III, A Piedosa.
Assistiu á dispensa de Gertrudes II, e gozou de tempos mais alegres, como meu último ano de cursinho e transporte de vinho. De todas, foi a que carregou menos peso proporcional ao tempo, e foi a que mais viajou. Assistiu a dois shows na Zadoque, suportou intempéries.

Morreu na pior hora possível, quando eu estava sem dinheiro: seu zíper se rasgou. Mas dentre todas, foi a que teve a maior alegria: chegou á faculdade!

Gertrudes IV, A Laboriosa.
Foi comprada ás pressas. Uma dessas bolsas transversais, que passam pelo meio o peito. Mal cabiam minhas coisas lá dentro, de forma que é inexplicável sua resistência por seu preço.

Assistiu á minha demissão alegre de meu antigo trampo, meu tempo de descanso em casa e minha ida ao novo trampo. É a única que ainda vive, inteira, e continua servindo: minha irmã se agradou dela.

Transportou vários documentos importantes. De todas, embora a menos querida, demonstrou seu valor com trabalho.

Gertrude V, A Luxuriante.
Foi a mochila mais cara que já comprei; uam bolsa de marca, metida á besta, zíper de metal, costuras reforçadas, departamentos internos, e espaço: muito espaço.
Ainda está no cargo, assumindo seu papel na Dinastia Gertrudes. De todas, foi a que mais recebu tecnologia: meu discman velho mora lá, tenho um pequeno acervo de cd's gravados num de seus compartimentos, transporta DVD's e cd's de dados quase todos os dias. Em breve receberá um Pen Drive.

Foi legal dar o nome de Gertrudes pra minha mochila. Gostei tanto que o resultado se mostra acima.

Idiota, sem dúvida. Mas.. o que seria da vida sem um pouco de diversão?