31 de outubro de 2006

As ilhas

Enquanto digito isso, está acontecendo uma coisa muito interessante - uma agressão aos ouvidos:

As playlists de dois micros aqui do trampo tocaram a música "Pieces of me", de Ashlee Simpson, com quase 40 segundos de atraso.

Agressão? Calma, eu não tenho nada contra a gringa, até curto a baladinha dela. O que é uma agressão é o fato de não unirem as playlists e deixar rolar.

"Todo mundo é uma ilha, a milhas, e milhas", já dizia humberto Gessinger, o único Engenheiro do Hawaii. Verdade. Mochilas com compartimentos de música, fones de ouvido proliferando. O melhor de tudo é que onde eu trampo, a galera usa pouco o verbo: usam o chat interno.

Ridículo? Sinais dos tempos. Os jovens computadorizados preferem se exprimir pelo micro: que não precisa demonstrar sentimentos com o rosto, não precisa se expor e pode mentir sem que provem o contrário; que ao vivo.

Talvez seja por isso que esteja sem namorada... uma pena.

Enquanto agora, as playlists correm prara sincronizar-se novamente, ouço as tecladas rápidas de conversas via rede.

Triste.

Começo, sinceramente, a sentir falta de minha turma metaleira, onde nos reuníamos nas tardes de sábado, e em dias frios, nos amontoávamos na praça da cidade. Por não terem grana, nossa comunicação era muito mais verbal. E o contato era físico. Estávamos lá de verdade.

Agora? Bem, sobraram meus amigos adultos, que preferem MSN a uma balada.

Preciso pegar o carro do meu pai e sair. Sinto uma falta tremenda de sair e conhecer gente nova, ser simpático e não ter que falar os mesmos assuntos toda a semana.

Contato pessoal. Isso é uma arte em extinção.

30 de outubro de 2006

O Desrespeito

Sou fâ de Dream Theater. E acho um pecado ouvir suas músicas de fora aleatória com outras bandas. Ou se separa um tempo para escutar apenas DT ou envolva-se com as outras músicas.

Em meu trampo, um do rapazes tem um par caixinhas de som, e delas saem sons aleatórios. De "Kyrie" do Lacrimosa - uma música de 12 minutos, onde me faltariam definições para sua beleza - até o nojento e grutento "Welcome to my life" do Simple Plan; ou seja, da fina e nobre nata do rock, ao sedimento nojento do emo.

Entretanto, esse cara tem a petulância de escutar Scenes from a Memory espalhadamente, ao gosto da escolha aleatória. Isso me deixa profunsamente ultrajado: o mais belo trabalho de rock jamais criado, sendo profanado numa escuta indiferente, indecorosa e interrompida.

Calma, não estou bravo por causa de sua ignorâncai, afinal, gosto não se discute.

Mas o desrespeito não é pra com o Dream Theater. Mas sim contra nós mesmos.

CUMA?

Quando pequeno, meu pai me ensinou a operar seu 3-em-1, e a tocam em seus vinis com a religiosidade que eles exigiam. Assim sendo, muitas vezes meu pai voltava pra casa, e se deparava com seu pequeno filho de mão gordinhas, com um fone de ouvido quanse tão grande quanto sua cabeça, enquanto o pino deixava outro LP cair e a agulha o transcrever.

Mas o tempo era outro. Parava-se, e escutava-se. Ouvir um LP era um momento do dia, onde a pessoa ouvia, recebia, entendia e interpretava o que estava saindo das caixas de som. A música saía impura: o acorde da guitarra vinha com o som do choque entre a palheta e as cordas, o chiado dos dedos se arastando no braço da guitarra. O som da baqueta voando no ar, as vibrações últimas do prato agudo - splash - a regulagem errada do chimbau, a força desmedida contra o surdo.

Mas isso tornava o que escutávamos, música feita por humanos, para humanos. Pessoas que iam a shows ver seus ídolos, e o que eles faziam no LP, faziam melhor ainda ao vivo. Led Zeppelin, Alice Cooper, Pink Floyd, Caetano Veloso, Engenheiros do Hawaii... não podiam se dar ao direito de errar enquanto gravavam. A perícia lhes era imposta, o que os tornavam possíveis.

Hoje, bandinhas de merda entopem a rede, RIAA caça servidores de mp3... e bandas novas querem nos convencer de suas músicas infalíveis. Sons puros, vindo de intrumentos perfeitos, executados por deuses. Num show ao vivo, playback. A modernidade instaurou a mentira que a tecnologia traz, e assim, a artificialidade das guitarras, a perfeição das vozes e a mecanicidade das baterias criaram deuses do som, mas não da música.

Ainda não superam o ensaio, o desgaste, o melhoramento. Rolling Stones comprovam isso. Misturando formol no café, os velhinhos do rock mostram o que a veracidade de suas habilidades pode trazer: a eternidade.

A eternidade que mantém Pink Floyd no altar da adoração. A eternidade que honra Jimi Hendrix. A eternidade que esmaga "a maior banda de todos os tempos da última semana", e a joga no mar do esquecimento. No panteão dos deuses do rock, só há lugar para os verdadeiros, os sinceros de alma e de trabalho.

O desrespeito fez com que muitos de minha geração busquem Aerosmith dos anos 70, ouçam Whitesnake com gosto e começem a desprezar as novas bandas. A sinceridade manteve o meu querido Pearl Jam no altar. A veracidade e a vontade santificaram David Grohl.

O desrespeito do tempo corrido, dos mp3 players, dos fones de ouvido curtos. Faço parte desse desrespeito. Mas eu tenho meus momentos de honradez para com os deuses. E isso, me torna um súdito não leal. Mas um súdito respeitoso.

26 de outubro de 2006

A Garota da sala

Em meu atual emprego, somos 22 pessoas. Dessas, apenas 6 são mulheres. Tirando a esposa do chefe, a mãe do chefe, são 4. Uma tem namorado. As outras duas não estão perto. Só sobrou uma.

Sem dúvida, ela é uma das pessoas mais interessantes que já vi. Sua beleza tímida só é revelada em seus gestos femininos e em seu largo sorriso, desses de esfacelar concreto. A voz é muito engraçada: é pequena, como de um desenho animado. Aliada á candura de sua tez e linhas de expressão, cai-lhe muito bem a doçura de seu som.

Alta, destaca-se das outras moças que aqui estão, e duas são mais belas que ela. Todavia, existem certas coisas impagáveis. No caso da única garota de nossa sala, ela por inteiro: corpo e personalidade, a tornam um alvo a ser alcançado por outros exemplos feminis.

Se estou apaixonado? Não sei dizer. Nunca pude conversar direito com ela. Que me importa? Importa que há uma garota na sala, cuja simples presença evita que nós, homens nerds, caiamos em nossos contumazes palavrões e grosserias, típicas de nossa masculinidade.

Tenho muito a agradecer por ela estar em nossa sala. Não só por sua companhia ser de extremo agrado. Mas as migalhas de atenção que ela dispensa melhoram muitas vezes o dia, e aplacam a irritação causada pelo trabalho.

Jéssica, o reserva e a Eleição

Jéssica.
Ela é uma amiga minha de muito tempo, dessas que sempre no horário mais interessante do dia - extrema manhã ou extrema tarde - ela está lá.
Imediatamente ela reconheceu meu bracelete. Eu uso um bracele te couro no braço direito há 2 anos. Engraçado. Ela se lembra de mim com e sem ele.

Puxa, como eu queria ter falado com ela mais, se eu não estive com minha mãe e correndo com documentos, como de costume. Queria por o papo em dia, e assim, quem sabe, ver o que sobrou do nosso grupo, saber se ainda se falam ou se caímos mesmo no esquecimento.


O Reserva.
Aproveitando essa manhã fagueira e longa, fui á feira hippie, onde uma senhora peruana está com sua barraca de artesanato. Há tempos compro minhas coisas lá, incluindo meu bracelete. E foi lá que eu comprei o meu reserva.

O couro novo ainda está duro, longo e muito preto. O cheiro dele ainda não tem meu suor. Mas o fato de poder usar meu bracelete sem medo, pois tenho um reserva, me dá certo alívio. Couro pode ser remendado, mas gostaria de ter a peça toda.

Essa peça virou minha marca. Qualquer um agora me vê com um traço preto no pulso direito


A Eleição.
Eleyson. Legal como uma interjeição latina dá certo com o subtantivo português.
Estou me cansando de ver como Arnaldo Jabour e afins decem o cacete no Lula, e decem o cacete em FHC, em ACM e outras ratazanas. Sério, todo o governo intalado no Brasil É corrupto. Esqueça, não existe ética na Ilha Brasília. Isolada do resto do país, ali é um paraíso. O que rola lá, pra nós é corrupção, porque estamos de fora. Pra quem tá dentro, é negócio.

Li hoje, mandado por meu pai, um texto do Arnaldo, numa metáfora interessante, de alguém que tem uma família e começa a reformar a casa. Ao contratar o mestre-de-obras, coisas começam a sumir, e o dito cujo nunca vê nada. Familiar?

As coisas somem desde que a democracia de fato se instaurou aqui. Quando eleito, FHC fez alguma coisa legal, mas na segunda vez, deu parte do que era nosso pros gringos. E dinheiro nada. Milhares de investigações engavetadas por Brindeiro.

Senhores, parem de criticar e façam alguma coisa: coloquem partes da constiuição em seus discursos, convoquem abaixo-assinados pra proibir novas pritizações, mobilizem a massa burra que assiste a tudo isso impávidamente.

Ensinem-nos sobre o que podemos e não podemos. Se vocês são tão letrados assim, porque não usam seus conhecimentos legais para nos fazer entender as tão obtusas leis brasileiras?

Sou tão burro quanto qualquer pessoa da ridícula classe média, ou como diria um de meus professeores "mérdia". Sou preconceituoso, e acho que estou certo em ignorar pessoas pobres. Porque não me fazem mudar de idéia? Porque não me convencem de que posso melhorar a vida do meu país não apenas no voto?

Acredito que o conhecimento gera sabedoria. Vocês são conecedores, porque não são sábios?

25 de outubro de 2006

Em memória de Sonique

Era uma vez, há muito tempo atrás, um garoto iniciante nas mp3. Mal sabia ainda dizer a taxa de transferência de um download, ou dizer a diferença entre a MP3 os WAV's.

Eis que um velho amigo lhe mostrou o Winamp. Simples, prático, arcaico, sempre as mesma coisa. Um programa que rodava suas poucas músicas sem grande requinte, apenas as executava. Por mais skins que ele instalasse, as formas eram as mesmas.

Mas eis que um dia, lendo um jornal de domingo, esse garoto encontra um programa diferente; totalmente avesso ao Winamp. Seu nome, SONIQUE. Até o nome era legal, pois era divertido, de fácil pronúncia.
Em sua conexão discada em casa, ele baixou esse programa. 2 horas de download. Instalou e foi dormir. No dia seguinte, ansioso pelo resultado, clicou no ícone "Start Sonique".

Ficou maravilhado. Os modos de espectro sônico eram muitíssimo mais requintados que as barrinhas do Winamp. Quando entrou novamente no site, sua atenção não conseguiu voltar para a pornografia que também estava aberta: um banco de dados, cheio de skins de forma livre, acessórios instaláveis, plug-ins de visualização... tudo o que era preciso pra tornar a execução de mp3 num momento páreo ao de ouvir vinis.

O ápice das intalações se deu quando chegou á incrível marca de 25 skins e 88 plug-ins. Trabalhar no micro? pra quê? E o prazer de ficar mudando as visualizações do espectro? e ficar rodando skins a cada 12 segundos? e os modos MID - MED - NAV do Sonique? Eram pouco mais de 50 mp3, então não tinha nada pra gerenciar.

Ainda maravilhado com os controles sofisticados de som - que funcionavam bem pra cara**o - entra em cena o Winamp 3. Uma cara nova, moderna, um jeito novo de usar suas funções. Mas extremamente instável, e num micro de 266mhz, qualquer coisa nova não funciona. Mesmo com a nova ferramenta, o Sonique venceu.

Vieram os betas, os protótipos do Sonique2. Lindos. Instáveis. Travantes. Retorno ao Sonique original.

Deleções de Skins e plug-ins desnecessários.

Formatação do computador.

2001 chegou. E com ele, o primeiro emprego.
E sem tempo pra xurumelas e frescurinhas, o Sonique definhava. Winamp, com sua rapidez e facilidade de operação, exigiu a deleção do favorito. E assim se fez.

De volta pra casa, o Sonique imperava. E veio nova formatação do computador, cada vez mais lento, por estar obsoleto. E exigiu que não se colocasse nada mais avançado nele. E exigiu a deleção do favorito. E assim se fez.

A última notícia sobre o Sonique2 foi em 2003, quando o garoto entrou pra idade adulta. E o tocador de mp3 que tinha um rio de skins caiu no esquecimento.

Hoje, numa busca por elementos antigos, o site do Sonique saiu do ar. Sites de downloads ainda tem o Sonique2, a última versão beta antes de seu desaparecimento.

Triste ver que precursores, como K-Joföl, Sonique e outros foram engolidos ou esquecidos pelo Winamp. É a evolução. Mas o Winamp, que não tinha concorrentes, tem um á altura agora: o iTunes.

Navegando, o garoto achou um site muito interessante. Um Museu do Sonique. Da primeira versão até a sua morte. Uma vontade louca de baixar todas as versões passou-lhe pela cabeça. Mas num mundo onde 5000 mp3 são tidas como pouco, como pensar que um software antigo pode dar conta. Ele as executará apenas, e não fará certas coisas que os novos softs fazem.

Mas seria legal ter de novo um modelo com desenho e com os requintes que o Sonique tinha.

Uma pena.

Era uma vez, o Sonique.

20 de outubro de 2006

Uma preocupação séria

Vendo a eleição chegando, não me preocupo com as campanhas via web contra Lula. Me precoupo com a ignorância intrínseca á esse e-mails repassados, pois sinto uma certa tristeza ao ver que a informação não chegou por inteiro.

De qualquer forma, estamos ferrados. Lula teve o mensalão e as sanguessugas, ambas as CPI's mais divulgadas que filme de porrada. Não que eu apóie a corrupção, mas quando Bob Jeff quase sofreu um processo por "quebra do decoro parlamentar" pela denúncia, uma idéia veio á minha mente... incrível como não veio antes: é velho. Mensalão e Mensaleiros são uma prática constante, provavelmente herdada de FHC pra comprar votos pra enfiar a reeleição e as privatizações no nosso rabo.

Sou ferrenhamente anti-PSDB, apesar de ser de extrema direita. Mas vendo as investigações engavetadas pelo governo FHC, chego á seguinte conclusão: ao menos, o Lula não privatizou a Petrobrás - objeto sexual de extremo orgasmo para os norte-americanos - o BB e a Caixa Econômica. A privatização destes me preocupa.

O super projeto não divulgado de FHC: privatizar o ensino público, é talvez o mais revoltante. O Estado deixaria de se preocupar com ele. Imagine: todas as estatais pertencendo á multinacionais, o ensino público - TODO ELE, até as universidades - pertencendo aos EUA, e nós sendo amestrados para seguir suas ideologias.

Agora imagine que para qualquer coisa que façamos, teremos que pagar. E além disso, ainda haverão os impostos, que jamais serão baixados. Pense que 80% das pessoas não poderão pagar, e viverão na marginalidade. Os índices de violência...bem, deixa pra lá.

Sinceramente, mesmo que o "Lulla" tenha traído seus ideais, e se tornado um neo-liberalista, ele ainda guarda alguma coisa decente. Claro que esse post irá por água abaixo se ele começar a privatizar. Aí vcs verão coquetéis Molotov - minha especialidade - sendo arremessados contra as sedes do PT e afins. Não se precupem, sei bem como criar incêndios sem deixar traços.

Todavia, me sinto sem opção. Corrupção vermelha aberta, ou corrupção azul escondida. Sintam-se á vontade pra escolher: de quem nós falaremos mal nos próximos 4 anos??

19 de outubro de 2006

A diversão

Eu estava lendo sobre o lançamento do windows Vista, o grande sistema da Microsoft. Ele promete tudo, menos casa, comida, mulher e roupa lavada. EM suma, um sistema que beira a perfeição... ou não?

Sabendo que seu núcleo é o mesmo do XP - ou seja, vai dar pau do mesmo jeito - e que suas firulas são para te convencer que é um supersistema, passei procurar por mais informações cheguei á seguinte conclusão: o Vista não foi lançado pois, em primeiro lugar, nem todos os computadores agüentariamo pesadíssimo novo sistema, e segundo lugar: estáo fazendo de tudo pra evitar que seja crackeado.

A maioria do windows XP que vemos por aí é pirata. Gates e companhia estão pegando pesado nas codificações para evitar isso. Mas quanto mais difícil a quebra, mais deliciosa fica a disputa: os hackers e warez irão correr: quem quebra o sistema primeiro e quem divulga primeiro. Vai ser a corrida pela ilegalidade mais rápida e turbulenta do mundo. Ações na justiça, site fora do ar... mas quando a Microsoft lançar o spyware que diz se é pirata ou não, tarde demais: quem souber usar um sistema, não vai atualizar nem fudendo o windos Vista.

A diversão vai ser a corrida entre a gigante dos softwares e os hackers e crackers. Vou assistir isso de camarote, e vai ser lindo: Gates vai distribuir processos, milhares de prisões serão feitas... mas todos estes que vão quebrar o super software serão lembrados. Vai ser a disputa mais acirrada e mais deliciosa da história.

16 de outubro de 2006

Salvo

De uma certa forma, apesar de ter acabado com duas, das quatro, smirnoff Ice que havia, fico feliz de ter tido a noção necessária para não ficar no churrasco da empresa.
Zoei e fui zoado, nada que me comprometesse. Vinho para adoçar minha vida, Ice pra saudar meu paladar, carne para satisfazer minha fome. Quando se fez preciso, me mandei. Não havia ninguém ainda alto o suficiente, o que evitou que eu presenciasse alguma coisa.

Hoje, as histórias serão engraçadas. A palavra "Bêbado" sera usada muitas vezes, até o fim da semana. O pouco que fiz; como ter feito um favor á uma das mulheres que trampam aqui e o lance das Ices, não ficará de fora. tenho certza que todos me zoarão por isso. Todavia, nada que eu tenha que me envergonhar: segui o mandamento de não me embriagar. Tenho medo de ficar idiota.

Alguém zela por mim.

13 de outubro de 2006

Notas

Dois cd's vieram para adicionar minha coleção: Evanescence - the open door e Skazi - Total Anarchy.

Sobre Evanescence: Está se tornando algo como Nine Inch Nails, sem a declaração rasgada de que apenas Trent Reznor É o NIN. Após trocar Ben Moody por Terry Balsamo, a coisa não mudou muito. O disco agora tem mais músicas que o primeiro, e não termina como tal: um piano suave e uma voz feminina dolorosa o fecham. Começa com um suspiro e termina no compasso, sem nada de "fades". Gostei e não gostei desse disco. Gostei por causa da arte gráfica, do preço de lançamento, da resolução das fotos, da caixa especial do disco - quem comprar mês que vem vai ser na caixinha normal - e do tratamento dado ás músicas. Estão mais pesarosas, guitarras mais calmas e agora, tudo gira em torno de Amy Lee. E foi isso que me desagradou.

Sobre Skazi: Sempre quis ter um disco de música eletrônica. Encontrei meu estilo no Psy-Trance, que mescla um sampler com uma guitarra. Não só as 10 músicas - que juntas duram mais que o disco do Evanescence, e não é entediante - foram feitas com gosto como a arte do disco - a lá Pearl Jam, sem livreto e com material mais grosso - foi do jeito que eu gosto: simples, direta, poucas fotos, bem feita, com plastificação e reserva de verniz. Até o cheiro da caixinha é bom. Não entendo nada de música eletrônica, mas sei que curti Skazi, e agora vou na cola desse projeto. Posso soltar isso em casa que ela vira uma danceteria.

Sobre minha petulância: Eu sou muito crítico, muito chato e já deu pra notar que não é qualquer coisa que agrada meus ouvidos. No caso, após quase dois meses sem comprar um cd diferente, quase quebrei minhas pernas financeiras com esses dois. Mas como me interessa que gravem novamente, eu pago.

9 de outubro de 2006

O Substituto

Manter uma aparência, uma "cara", é algo que todo o designer deve saber. Deve saber pegar o que já foi feito e manter a aparência, e a partir dela, criar coisas melhores.

Foi assim há dois anos atrás. Minha antecessora havia deixado uma certa estrutura, um certo patamar de qualidade e dados. Quando a substituí, levei pouco tempo para pegar o jeito e seguir.

Baseado no que ela fez, eu mantive o design, e melhorei onde era possível. Mesmo que sucumbindo a alterações de ignorantes e tolos, eu melhorei o que foi possível. Aprendi a brincar com as cores. Aprendi coisas novas, como ainda estou aprendendo, mesmo em meu novo emprego.

Posso até imaginar o que disse minha predecessora: "que merda isso. Esse cara não é capaz de manter o que eu criei". Um certo brio mexe conosco, artistas gráficos. E hoje, vejo que meu substituto está fazendo.

Eu luto pra manter uma certa humildade, frente ao que eu fiz e o que ele está fazendo. Eu deixei muita coisa boa, muita coisa cujo aproveitamento é total: máscaras, moldes, banco de imagens, logotipos redesenhados, programas atualizados. Mas uma vozinha sopra em meus ouvidos: "esse cara não está á sua altura. Não sabe o que está fazendo, é um novato. Mais velho que você e não sabe o que faz. Teu trabalho dá de 100 a zero nele. Não está usando o que você fez, está estragando a imagem da empresa no mercado com esse trampo ridículo. Quem disse que ele sabe usar Fireworks e Dreamweaver? Não passa de um micreiro."

Sabe, é bem difícil resistir á esses pensamentos enaltecedores e massageadores de ego. Ainda mais depois de saber que meu principal desafeto na empresa começa a sentir minha falta. É bem difícil se manter humilde e calado quando tudo coopera para inflar seu ego.

Todavia, ver que podem seguir sem você, que seu posto já tem um substituto e que ele está fazendo o seu trabalho - bem ou mau - é um convite ao "cala a boca". Lembrar-se que foi demitido, por alguma razão, e que há outro no seu lugar, já é um motivo suficiente para colocar sua arrogância mais pra baixo.

Trabalho é uma coisa interessante. Ou você faz estritamente o que te pedem, correndo o risco de nunca ser promovido, e não se importar; ou dá o sangue e leva a empresa nas costas, correndo o risco de ver todo o seu empenho sendo usurpado por algum chefe inescrupuloso.

Como só tenho 21 anos, e não dou a mínima pra trabalho, fico com a primeira opção.