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Notas de um fim de semana | 23 de novembro de 2009Eu costumo ser detalhista sobre meus fins de semana fora do comum igreja-lanchonete, mas hoje, eu vou falar algo diferente. Aqui, dentro do meu trabalho, faz um frio lamentável. O Horrível ar condicionado congela a muitos, refresca a outros e é razão de ofensas não declaradas e egoísmo implícito. Voltar aqui, hoje, é como um soco durante um sonho que já estava no final. Tudo correu muito bem no meu fim de semana. Sim, excepcionalmente bem. Descobri que tenho mais amigos que eu pensava, mais pessoas que gostam de minha namorada do que eu imaginava. Isso me dá fôlego pra suportar a torcida contra, o tempo ruim, o falatório desnecessário, as cobranças indevidas. Ao rir, eu me sentia vingado de todos os problemas e pessoas que os causaram, como se cada risada lhes causasse dor. E como se cada gargalhada junto com minha moça soasse como afronta. É difícil saber que os lugares onde poderia vir apoio vem alçapões, e onde deveria haver luz há um trem sem freios. Mas é interessante descobrir as fontes que jorram água de qualidade excepcional escondidos nos recônditos mais inesperados. Assim, eu creio, que Deus mostra quem Ele é. Apesar do caos instaurado, Ele reina, e seu trono não é uma privada. Percebo que as dificuldades e contrariedades podem ter dois usos: razões para desistência ou demonstrações de caminho correto. O que é mais fácil nem sempre é o certo, e o que parece errado nem sempre o é sob outros olhares. Ying-Yang? Não. Mas ao notar que pessoas que enxergam a vida em preto e branco, sem se importar com as tonalidades, escolhas, conseqüências, passados, razões e afins, trnasformam tudo o que tocam em pedras e abrolhos, sem conseguir ver nada além do que seus óculos míopes permitem. Somos o que escolhemos ser e isso é fato. Podemos, como prega a psicologia atual, colocar a culpa de nossos fracassos em nossos pais, em nossos genes, usando a vitimização e a neurociência pra isso, e nos eximirmos das culpas que nos cabem. Jogar as razões de escolhas erradas sobre os outros é fácil, e encontrar expiação em quem não pode se defender por não estar mais lá, ou por não mais se importar, é ser covarde. Sim, pais tem influência, mas há a escolha: se deixar ser como eles, ou ser melhor do que eles, e acertar onde erraram, melhorar onde acertaram e construir um legado ainda maior que o que lhe será deixado. Saber enxergar o que há por trás de tantas coisas que existem, ações e palavras, ameaças e desejos, é algo que exige tempo e exige paciência. Ambas coisas que poucos têm e menos ainda utilizam, e menos ainda o afiam. Nada vai me tirar o prazer deste fim de semana. Nem a cara feia, nem a má vontade, nem a ameaça. O futuro a Deus pertence, e com Ele está em melhores mãos. Eu acredito que Aquele a quem sigo sabe o que está fazendo, e não vai me deixar. Eu sei que Ele preparou este fim de semana tão bom e tão perfeito. Esquecer um detalhe ou outro são inerentes de uma pessoa comum. Seja como for, é nisso que eu acredito.
Nerds | 3 de novembro de 2009Hoje, fui á contragosto pra uma reunião. Tudo bem, quase todas as reuniões que vou são á contragosto. Mas hoje, ue tive uma epifania, ou quase isso. Antes de falar da reunião, vou explicar: sou nerd convicto. Gosto de tecnologia, de internet, computadores e celulares. Mas também sou fissurado em carros e motos. Não morro de amores por seriados - só que um mal assisto, Lie to Me - tanto que meus amigos mal se agüentam por Lost ou That '70s Show e coisas assim, e eu não dou a mínima. Gosto de videogame mas não troco os beijos de minha namorada por um God of War. Sou nerd sim. Mas consciente. Ao entrar na reunião, me senti um personagem do Dilbert, onde ele se mete em situações bizarras dentro de uma grande corporação. Reuniões intermináveis sobre assuntos inúteis ou então louvando algum diretor. No meu caso, fui chamado pra participar de uma coisa assim. Querem fazer uma filmagem, usando pessoas DA EMPRESA pra figurarem situações de trabalho, inserindo um teor cômico. Primeiro: eu não vou expor minha cara num evento prum monte de gente de graça. Faço pra amigos, pra diversão. Mas pra gastar meu tempo de trabalho num mico do tamanho do Pará, nem que cocô virasse brigadeiro. Segundo: vou ocupar tempo ocioso do meu trabalho pra cumprir com um capricho desses? Na real: vou levar trabalho não remunerado e dispendioso pra casa pra usar o MEU computador no MEU tempo livre. Eu deixo de ser uma matrícula pra ser PV de novo quando dá 6 da tarde. Nem ferrando. Não obstante, duas figuras icônicas. Dois homens, acima dos 25 anos, ou chegando lá muito em breve. Não darei descrições físicas, mas eles estavam empolgados para fazer esse filme, encenar uma ridicularia em prol da empresa. Vem cá, sério, acabamos de sair de um fim de semana; o que fizeram nele que faz uma pagação de mico empresarial tão empolgante e divertida? Estrangeirismos aos montes a cada 6 palavras, adereços fora de idade, aparência sem nenhum cuidado, "a mãe deve ter comprado"... E ali, naquele meio, deslocado e me perguntado "porque eu?", a minha pessoa. Ao ver essa situação, numa reunião que duraria 1 hora ou mais, saí. Dei uma desculpa verdadeira e me mandei, pra nunca mais voltar. Se vai ficar legal ou não, não sei, não quero saber. Quando uma pessoa abdica de sua vida pra se envolver em projetos sem noção apenas pra animar uma reunião oficial, alguma coisa está errada. MUITO errada. Meus amigos são nerds, mas um namora e o outro, apesar se não saber combinar as roupas, é um cara consciente de que há mais coisas que trabalho. MAIS VIDA, POR FAVOR!!! Chega dessas coisas de "sangue pela empresa" pois isso só te faz mal. A empresa vai te mandar embora assim que for preciso, não importa o quanto você se deu por ela. Agradeci imensamente ao meu Deus por ontem: lavei o carro do meu pai, comi um bom churrasco, namorei, fiz um bolo, brinquei com meu quase-filho, e ainda fui a uma festa de aniversário surpresa. Terminei meu dia com um lânguido e delicioso beijo de minha moça, e fui dormir feliz da vida. VIDA. Coisa que algumas pessoas não têm porque acham um PlayStation mais interessante que risadas, um computador mais sedutor que uma mulher, um emprego mais valioso que amigos. Hoje, dia três de novembro de 2009, eu agradeci imensamente por não ser como aqueles caras..
Awake - Final | 5 de outubro de 2009Seu mais novo instinto o mandava sair correndo. O instinto de ocultação, coisa nova para ele, criou um mar de sensações num minúsculo porém eterno microssegundo: ele queria sair correndo por ela ser sua amada, queria sair correndo porque ia fazer uma coisa horrível porém "necessária"; queria abraçá-la e beijá-la, tamanha saudade que sentia, queria contar a ela o que estava havendo, queria saber como estava seu pai e sua irmã... Uma ordem o moveu para dentro do elevador, e ele se postou ao lado da namorada. Ela estava igualmente travada. Não sabia se chorava, se batia nele, se o beijava, se perguntava... só sabia que ambos desceriam no mesmo andar, quando ele fez menção de apertar o andar já iluminado. A tensão entre os dois podia cortar o ar, se permite o clichê. Quando saíram no andar solicitado, apenas eles desceram. Seguiram caminhando lado a lado e ouviram a porta se fechar atrás deles. Ela rompeu o silêncio: - O que está acontecendo? - rispidez, angústia e carinho estavam presentes neste som. Ele não sabia o que dizer. Seus alvos estavam a poucos metros de distância e ele teria que explicar? Que outra chance teria? O que fazer? - Eu não sei. Sei que tenho que colocar duas pessoas no meu lugar pra poder voltar. - O quê? Ele parou, a encarou e disse: - Se afaste, confie em mim e volte ao hospital onde estou em coma. Tenho uma coisa pra fazer e não quero você aqui. - Mas eu... - Você terá uma explicação. Eu lhe darei. Mas agora não. E saiu. Ela estava sem saber o que fazer. Ele foi claro e muito sério no que dizia, quase intimidador. Ela resolveu voltar, mas queria ver o que ele iria fazer, se era tão sério assim. Se dirigiu até a escada de emergência, logo ao lado do elevador, mas se virou, no momento em que viu o que seu namorado fez. Entre as cãmeras de vigilância, há espaços sem visão: partes do prédio onde alguns poucos metros são mal vigiados. No corredor que leva ao elevador do outro lado, havia um enorme espaço escuro, onde uma porta de mogno centenária escondia uma sala de limpeza e a entrada de sol. Atrás deles, vestido de residente, armado das seringas com sedativo, foi rápido e usou as duas mãos para injetar nos braços do pai e do filho. Quase instantâneamente, antes de chiarem de dor e susto, caíram desacordados. Foram amparados pelo rapaz e levados, sem susto até a sala da limpeza. Ali, escondidos dos outros, receberam as outras injeções, e caíram em coma. O rapaz despiu o moleque, pegou suas roupas - favoritas - as embrulhou e colocou numa sacola. Saiu vestido como seu algoz, e saiu pela porta da frente. Levaria alguns minutos apenas para que se dessem conta que os dois não saíram dali, e umas duas horas para abrissem a sala da limpeza, ainda mais num andar mal vigiado. Dobrou a esquina, viu sua moça no fim da rua. Ao chegar perto dela, sentiu uma coisa nova. Era uma sensação semelhante a que ele teve quando se viu acordado unido ao homem dormindo. Se sentia vazio. Olhou as mãos, e viu que estava translúcido, quase transparente. A namorada o olhava, em pânico, quando ele apenas disse: - Estou acordando. E suas roupas caíram vazias no chão. A moça estava sem reação: vira-o desaparecer na sua frente, sumindo em poucos segundos. Pegou a sacola com as roupas dele, largou as roupas que ele vestia no chão e correu para onde ele deveria estar: numa cama deitado em coma. Ela sabia que deveria mascarar sua face empalidecida de medo, por isso, corria. Ela sabia que não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que tudo estava relacionado: a velhinha, a primeira aparição dele na rua, as roupas no chão, as injeções de sedativo naqueles dois... de alguma forma, ainda que absurda, seus passos acelerados na rua acompanhavam a cadência com a qual ela pensava e juntava os fatos. Ofegante ainda, entrou feito um foguete no elevador que fechava a porta. Nunca um elevador foi tão devagar. Desceu no andar, correu pelo corredor e abriu abruptamente a porta. A mãe tomou um susto. Ele jazia, ainda, inerte e inexpressivo em seu silêncio. Sentou-se, ofegante, enquanto sua sogra perguntava o que aconteceu, sendo que nem ela ainda podia tranformar em palavras o absurdo que presenciara. Entregou-lhe a sacola de roupas e desabou no pequeno e desconfortável sofá. Frustração. "Estou acordando", ele disse. O que foi aquilo? Sua sogra saíra do quarto, para levar as roupas do filho para lavar, e ela adormeceu. Acordou abruptamente, com a escuridão da noite. Viu a irmã deitada num colchonete no chão, em melhor conforte que o sofá. O quarto estava sem luz, apenas com a mínima claridade vinda de fora. Seus olhos se habituaram á pouquíssima luz, e logo passou a se lembrar do que lhe acontecera: seu namorado em coma acordado na sua frente, no outro hospital, armado de seringas. Viu ele desaparecer dentro das roupas, na sua frente. O ouviu claramente, e se lembrava da frase "estou acordando", ecoar nesses pedaços de lembrança. Desviou o olhar do nada e voltou-se para a cama: aparelhos deligados, fios dependurados e o cobertor revirado, mostrando o lençol e as marcas de presença ali. Ainda estava quente. Atônita, acordou sua cunhada, que começou a tremer de felicidade. Não havia nada no banheiro. Ao saírem, viram um homem na sala de espera, com a janela aberta, expressão cansada de alguém que não se mexeu por um tempo diferente do normal, e um copo com chocolate quente na mão. Mal se contiveram, e correram pra abraçar o recém-chegado rapaz, ainda frágil, mas de volta. ------ O dia seguinte, pessoas e mais pessoas lhe fizeram comemorações. Ele olhava pra sua namorada com ar de cumplicidade. Em dois dias, recebeu alta e foi pra casa. Ela nunca mais perguntou nada sobre aquele dia, nem ele nunca mais tocou no assunto. Eram 7 horas da manhã quando entrou finalmente no carro de seu pai e foi levado pra casa. Pela janela do carro, ele viu um garoto de uns 18 anos, bem trajado, com expressão perdida, sair pela porta dos fundos do outro hospital. Marcadores: Awake
Awake - Parte 7 | 27 de setembro de 2009Sentada num banco do corredor, a namorada via os médicos atestando o óbito da velhinha simpática. Eles estranharam as roupas caídas ao lado da cama, mas aquilo era um hospital, o lugar onde milagres e estranhezas gostavam de se manifestar. Perguntaram á moça, que apenas gaguejou; sua mente estava a mil por hora, em elucubrações sobre o que vira nesses dias: um homem perfeitamente igual seu namorado na rua, trajando as mesmas roupas do dia do atropelamento, enquanto ela o vira, poucos minutos depois, inerte na cama do hospital. Perguntava-se se era possível estar em dois lugares ao mesmo tempo. O corpo da velhinha e as roupas no chão nada diriam.
Ele aguardava. Os médicos corriam para tentar ressucitar o velhote, e a máquina de ressucitação fora acionada umas sete vezes. Afinal, um hóspede rico daquele rendia bons dividendos de aluguel de quarto e cuidados, e ele morto não valia nada pra eles, mas devia valer pra família. Não demorou muito para que o pai e o filho - sendo este último o responsável pelo coma do rapaz - estivessem presentes para ouvir do médico principal a notícia do óbito. O garoto não fez menção e desdenhou de qualquer informação, e o pai se fazia de forte: afinal, seu pai morto e seu filho um imbecil, a família estava á deriva. Foi quando o rapaz se lembrou de uma coisa que a velhinha lhe havia dito: as coisas se ajeitavam por si mesmas. Cabia a ele apenas intervir em um deles. Bem, o rapaz sabia que tinha que trazer um pra poder sair dali, e agora dois, uma vez que despachou o velho. Mas não sabia como fazer aquilo funcionar. Mas ora vejam só: isso aqui é um hospital, tem tudo o que se precisa pra colocar um ser humano em estado total de invalidez. Uma busca dentro do hospital e encontrou vários pacientes em coma induzido, ou seja, durmindo sob ação de substâncias. Uma dose mais alta, e cai em coma profundo. Eles ainda iam se demorar no hospital. Jovem ainda, jamais convenceria ser um médico, mas sim um residente inexperiente e ansioso. E num hospital grande, quem se lembra se são tantos rostos? Ninguém soube dizer á irmã o que acontecera. Um homem a perseguia e depois sumia dentro das próprias roupas. Deixou coisa boa pra trás, que os faxineiros trataram de não deixar na seção de achados e perdidos, especialmente a correntinha e o anel, de ouro em alto grau de pureza. Ainda se refazendo do susto, a namorada entrava no quarto. Ao saber a história, imediatamente associou ao estranho sumiço por ela presenciado há pouco tempo. Haveria alguma relação? Conseguiu, após algum esforço, encontrar os documentos do sumido. O rosto era igual ao do homem que a subornara, bem como o sobrenome. Dados médicos são fáceis de encontrar em hospitais, e estes se comunicam, especialmente sobre pacientes trasnferidos e medicações a serem administradas, e assim sendo, logo encontrara o hospital onde o homem sumido estaria, sem que ela soubesse que encontraria um cadáver. Era perto dali, e sem cerimônia, foi até lá. Uma porta trancada no bem vindo horário da janta, um manual de instruções e o rapaz tinha um kit com seis seringas, separadas por cor: amarela, para dormir; azul para induzir o coma; preto, para aprofundar o trauma. Era o suficiente para mandar os dois, para ele voltar á vida e os médicos reverterem tudo, uma vez que não houve nada de mais grave, apenas substâncias específicas, ele julgava. Colocou as seringas num estojo e saiu da sala, trancando-a novamente. Apertou o botão do elevador, para subir, e terminar o que viera fazer. Ao que o elevador abriu suas portas, haviam cinco pessoas. Dois médicos, um casal e ela. Sua namorada. Marcadores: Awake
O horror dos "desviados" | 24 de setembro de 2009Se tem uma coisa que não aceitamos, como "crentes", é que haja quem discorde de nós e abandone nossa fé. Tal ato, que chamamos de "desviar da igreja" é tido como imperdoável, pois "como ele pode sair da igreja? Deus vai cobrar" e frases de efeito. Não aceitamos que alguém possa abandonar a fé tão pura em Jesus, não podemos "compreender" como alguém pode sair pro "mundo" depois de "experimentar" Jesus. Se aceito, é pra sempre, alguns de nós diriam.
Mas, verdade seja dita, há mais motivos pra mandarmos a igreja ás favas que pra nos mantermos nela. Quando vemos familias que incentvam muito mais seus filhos a serem ativos na instituição, enchendo suas agendas com atividades na igreja, e até mesmo não ligando pro trabalho ou pro estudo, depois não entendemos como aquele jovem não seguiu na vida, se ia tão bem na igreja. Fora o que ocorre debaixo dos panos: as pequenas coerções, as pequenas humilhações, as pequenas disputas... tudo velado, pois a igreja é sagrada. Não se atinge nada, e quem ousa revelar a sujeira embaixo do tapete é sinceramente expulso ou jogado no canto. "Pra quê tanto negativismo?", alguns diriam. E quando alguém abertamente diz que abandonou a fé e está muito bem sem ela, pra nós é a morte. Que o diga Ju Dacoregio, do Heresia Loira. A bela moça (ô coisa linda!) foi crente e se mandou. Bastou colocar posts explanando sobre sua "desconversão" que seu blog inundou de crentóides querendo que ela se reconvertesse, se "arrependesse" e coisas assim. Tá certo que em certos momentos, ela pede demonstrações banais de Deus, como os problemas de violência que enfrentamos. Eu até poderia me demorar em explicar que Deus não vai fazer nada pois esse tipo de coisa - a correção das coisas erradas - é função da igreja, e eu sei que ela me inundará com mais um outro mar de bons argumentos. Alguns a respeitam, como Volnei Faustini e Pavarini, que são seus espectadores e até lhe mandam livros. Mas, honestamente, ela não vai voltar se não tiver uma boa razão pra isso. Gostamos de acusar pessoas como ela, mas e as que têm uma vida absolutamente normal e não-cristã e vão na igreja e ocupam ministérios? "Ao menos ainda estão na igreja e podem se converter", puristas vão dizer. Mas, quem não se importa, não vai ouvir nada do que o pastor vai dizer, se está pensado no bar, na balada ou na noite de fogo que há de vir após o culto acabar. Essa gente age de forma hipócrita. Quem tem coragem de assumir que não liga e sai, devia ser aplaudido. Os desviados, como gostamos de chamar, são o atestado de otário mandado para nós numa bela carta e impresso em alto-relevo, mostrando que não estamos fazendo o que devíamos. Não usamos o intelecto para criar belas obras, ou para sermos úteis á causa, mas sim para cantar músicas que pouco significam e nada fazermos em prol de quem realmente precisa. Há hoje uma nova safra de desviados. Há os de sempre sim, os que abdicam da fé para terem uma vida normal, mais "leve" e sem as regras pesadas da igreja. Essa nova safra está se reunindo em casa, com outros revoltados, mas que não vão deixar sua fé. Há quem se revolte contra Deus, ao ver que sua principal representante aqui na terra é bem incompetente. E há quem se revolte contra a representante, gerando algo de bom. Para Ju Dacoregio, uma taça de vinho. Tinto, cabernet-sauvignon, meu favorito. Ela teve coragem de assumir que não queria mais aquilo pra si e se foi. E tem inteligência suficiente pra saber rebater a multidão de crentes que aparecem em seu blog. Marcadores: cristianismo, ensaios
A Vingança pertence ao Senhor | 18 de setembro de 2009Ela foi estuprada por um seminarista de uma igreja totalitarista e rica. Tudo ia bem no namoro até ver um pregador expôr os problemas e regras violentas de igrejas severas, e ela tentou, inocentemente, mostrar isso ao seu namorado, um seminarista dessa denominação. A fé que as mulheres tem na mudança de seus homens a tornaram uma pessoa a ser combatida.
Ao término desse namoro, ele a chamou pra conversar um dia. A discussão virou um estupro. Apenas uma amiga a ajudou. Ela descobriu-se grávida. Teve que trancar a faculdade. Jovem e bela, agora infeliz e envergonhada. Passou a ser ameaçada caso fosse á polícia denunciar seu algoz; várias ligações amedrontadoras das pessoas da igreja. Suspendeu seus sonhos. Tinha agora um filho pra dar á luz e criar. Tinha que fugir da cidade pra não sofrer mais ameaças e ou sofrer alguma agrura física, uma vez que até o pastor a estava ameaçando com "coisas que podem acontecer a uma mulher e seu filho na rua, pois essas coisas acontecem". Mas, olha só: o pastor que ela assistira e que a fizera raciocinar sobre sua igreja estendeu a mão, contou a outros e agora tinha uma legião de pessoas prontas para ajudar essa moça. Na casa dos pais da única amiga que sobrou, a mesma que a socorreu quando foi estuprada, ganhou carinho, amizade, confiança e segurança. Esse mesmo pastor - famoso até - a encontrou e foi falar com ela, pessoalmente, e levou consigo pessoas pra ajudar: um empresário que lhe deu um emprego conforme suas habilidade, jovens da igreja para amizade, uma bolsa de estudos na faculdade, um advogado para iniciar o processo legal para prender o seminarista e expôr o pastor. O rosto dessa jovem se iluminou: haviam cristãos no meio dos crentes. Dez anos se passaram desde aquele incidente. Um menino bonito e forte brinca com as crianças da rua, enquanto sua diligente mãe o observa, sentada na calçada de uma calma rua, conversando com outras mulheres. A jovem era agora o braço direito daquele empresário, que viu na alquebrada moça uma pessoa a ser ajudada, e ele foi abençoado com isso: ganhou uma auxiliar e uma pessoa de confiança, coisa rara hoje em dia. O menino nasceu, e foi amado, mesmo com tudo conspirando contra. A mãe nunca falou do pai, mas ele entende isso, e por causa das orações e da diligência da mãe, não sente falta de um. O jovens da igreja cresceram e se casaram, e esse menino ganhou amiguinhos, que com ele corriam atrás de bola naquele sábado. Quanto ao processo, correu tudo discretamente, e aquela moça foi o gatilho para que inúmeros casos não só daquela denominação como de outras da mesma linha aparecessem: seu pioneirismo e coragem jogaram homens como aquele seminarista violento atrás das grades, e sabem muito bem o que fazem com estupradores e molestadores na cadeia. Ela não foi atrás dele, ela não o humilhou nem ligou pra ele, nem lhe dirigiu a palavra: deixou o processo, os depoimentos escritos, os testes de DNA, o juiz e o Juiz julgarem esse caso. Ela não tirou dinheiro dele, aliás, pediu que não lhe mandasse dinheiro, nem que assumisse o menino: pediu, apenas que o reconhecesse. Para tanto, só se viram novamente no tribunal, que ficou cheio de crentes em apoio do novo pastor da igreja, que estava lá acompanhado do pastor dele, o mesmo homem que queria encobrir o caso. Ambos foram julgados, após várias interrupções para "proclamar vitória" e outras manifestações ridículas, sempre mitigadas pelos guardas ao redor. E ambos foram presos, condenados e pagaram uma pequena fortuna. O caso foi para a mídia, os nomes dos dois foram pra lama, a igreja minguou, várias moças reclamaram assédios e paternidades, outras igrejas tiveram problemas semelhantes e por 2 anos, a Justiça pipocou com assuntos sexuais e evangélicos. Quem a vê hoje, não diz que ela é a moça aviltada e humilhada. Deus a colocou num pedestal, e hoje, seus filhos são mais numerosos que o de sua vizinha, e as crianças a chamam de tia. Todos amam a tia, tanto que é a única casa que não foi assaltada na rua, pois mesmo os meliantes a conhecem, e alguns até almoçaram em sua casa. Na igreja, não uma "ex" nada: senta-se e ouve o que o pastor têm a dizer, e é uma cristã. Decidiu não se casar, pois não viu razão pra isso. Alguns diriam que ela contibuiu para denegrir ainda mais a já péssima imagem dos crentes; outros, que sua coragem a fez limpar um pouco as igrejas. Ela sorri. Deus a consolou, ela perdoou e Ele foi justo. Quanto ao dinheiro recebido, ela não usa; mas está guardado pro futuro. Um dia, ela sabe, alguma mulher vai aparecer, aviltada e violada por alguém da igreja. E quando isso acontecer, essa moça vai estar lá, pronta pra ser a cristã que ela aprendeu a ser. -------------- Em homenagem a esta moça. Não posso mandar dinheiro, nem estar lá presente, mas posso orar por ela, e fazer uma narração. Desejo-lhe, do fundo da minha alma, que Deus a console e te dê paz, e que Ele levante sobre você a luz do Seu rosto, e que você esteja com ele hoje e sempre. Ainda há esperança. Ainda há um Deus. Marcadores: ensaios
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